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Países árabes miram produtos brasileiros para driblar tarifaço dos EUA

Estudo aponta que carne bovina e outros produtos do Brasil podem ganhar mercado nos países árabes após tarifa de 50% imposta pelos EUA.

Helena SerpaPor Helena Serpa4 min de leitura
Brasil

A nova tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre diversos produtos brasileiros abriu espaço para que os países árabes se tornem um destino estratégico das exportações nacionais. Um levantamento da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira mapeou os itens mais afetados pela medida norte-americana e identificou oportunidades de crescimento nas vendas para os 22 países que compõem a Liga Árabe.

O estudo indica que café verde, carne bovina, açúcar e produtos industriais têm potencial de expansão imediata no mercado árabe, onde as alíquotas de importação variam de zero a 30%, bem abaixo das taxas aplicadas pelos EUA.

Impacto do tarifaço e reposicionamento do Brasil

Tarifas tarifaço produtos
Edição Seu Crédito Digital

A sobretaxa aplicada pelo governo norte-americano soma-se a uma alíquota anterior de 10%, elevando o custo total para 50% sobre produtos brasileiros. Essa mudança cria um cenário de desvantagem competitiva para o Brasil no mercado dos Estados Unidos e incentiva a busca por alternativas comerciais.

Leia mais: Tarifa dos Estados Unidos: saiba quais produtos devem ficar mais caros

Os países árabes surgem como opção estratégica, combinando tarifas reduzidas, crescimento populacional acelerado e necessidade crescente de importação de alimentos e matérias-primas.

Produtos com maior potencial

ProdutoVolume Exportado para Países Árabes em 2024 (US$)ObservaçõesPotencial de Crescimento
Café verdeMais de 513 milhõesExportações para EUA quase 1,9 bilhão; mercado árabe com espaço para ampliar participaçãoAlto, especialmente na Arábia Saudita, Kuwait e Argélia
Carne bovina1,21 bilhãoEgito importou quase 1 bilhão, mas menos de 30% veio do Brasil; volume árabe supera exportação aos EUAElevado, especialmente Egito, Emirados Árabes e Arábia Saudita
AçúcarNão especificadoTarifas de 0% a 20% na região, contra 50% nos EUA; demanda crescente por população e consumoAlto, devido à competitividade tarifária e demanda
Produtos industriaisNão especificadoInclui ferro e aço semimanufaturados, madeira de coníferas, máquinas pesadas; exportação atual baixaPotencial para expansão nas máquinas e produtos siderúrgicos

Vantagens tarifárias no mercado árabe

  • Café verde: tarifa de 0% nos países árabes contra 50% nos EUA.
  • Carne bovina congelada: entre 0% e 6% na Liga Árabe contra 50% no mercado norte-americano.
  • Açúcar: de 0% a 20% nos árabes contra 50% nos EUA.
  • Petróleo refinado: 5% nos árabes contra 50% nos EUA.

Essas condições reforçam a competitividade brasileira e sustentam a estratégia de redirecionamento comercial.

Complementaridade comercial e histórico de relações

Em 2024, o Brasil registrou um recorde de US$ 23,68 bilhões em exportações para os países árabes, com superávit superior a US$ 13 bilhões.

A pauta exportadora brasileira para a região é dominada por produtos do agronegócio, que responderam por 76% dos embarques no último ano. Açúcar, frango, minério de ferro, milho e carne bovina ocupam as primeiras posições.

Países prioritários para expansão

  • Egito: acordo comercial com o Mercosul favorece tarifas reduzidas.
  • Argélia: grande mercado consumidor, com mais de 40 milhões de habitantes, mas com tarifas elevadas a serem negociadas.

Estratégia de atuação proposta pela Câmara Árabe

A entidade sugere um plano de ação dividido em três eixos:

Sensibilização

Campanhas para reforçar a imagem do Brasil como fornecedor confiável e competitivo, destacando a qualidade dos produtos e a segurança alimentar.

Facilitação

Ampliação de acordos comerciais, estímulo a missões empresariais e facilitação de vistos de negócios para ampliar o contato entre empresários brasileiros e árabes.

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Potencial de crescimento no curto prazo

Embora não haja estimativa exata de redirecionamento imediato, o estudo indica que carne bovina e café verde têm potencial de absorção rápida pelo mercado árabe. A adaptação logística e a negociação de contratos podem permitir ganhos ainda em 2025.

Cenário e perspectivas

Tarifa
Imagem: Structured Vision / shutterstock.com

O alinhamento político entre Brasil e países árabes, somado ao contexto econômico favorável, cria ambiente propício para ampliar os fluxos comerciais. O mercado árabe apresenta demanda crescente por alimentos e matérias-primas, e o Brasil, com sua capacidade produtiva, está bem posicionado para atender a essa necessidade.

FAQ – Perguntas frequentes

Por que os países árabes são estratégicos para o Brasil agora?
As tarifas de importação são menores que as aplicadas pelos EUA e há demanda crescente por alimentos e matérias-primas.

O que diferencia o mercado árabe em relação a outros destinos?
Crescimento populacional acima da média, estabilidade econômica em alguns países e acordos comerciais já vigentes com o Mercosul.

Há acordos comerciais que favorecem o Brasil?
Sim. O acordo com o Egito, por exemplo, reduziu tarifas e impulsionou as exportações. Há negociações em andamento com outros países árabes.

Considerações finais

O redirecionamento das exportações não apenas pode mitigar os impactos do tarifaço, como também consolidar parcerias comerciais duradouras em uma região estratégica para a segurança alimentar global. Com coordenação entre governo, empresas e entidades de fomento, o mercado árabe pode se tornar não só um destino alternativo, mas um pilar permanente da pauta exportadora brasileira.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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