A nova tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre diversos produtos brasileiros abriu espaço para que os países árabes se tornem um destino estratégico das exportações nacionais. Um levantamento da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira mapeou os itens mais afetados pela medida norte-americana e identificou oportunidades de crescimento nas vendas para os 22 países que compõem a Liga Árabe.
O estudo indica que café verde, carne bovina, açúcar e produtos industriais têm potencial de expansão imediata no mercado árabe, onde as alíquotas de importação variam de zero a 30%, bem abaixo das taxas aplicadas pelos EUA.
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Impacto do tarifaço e reposicionamento do Brasil

A sobretaxa aplicada pelo governo norte-americano soma-se a uma alíquota anterior de 10%, elevando o custo total para 50% sobre produtos brasileiros. Essa mudança cria um cenário de desvantagem competitiva para o Brasil no mercado dos Estados Unidos e incentiva a busca por alternativas comerciais.
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Os países árabes surgem como opção estratégica, combinando tarifas reduzidas, crescimento populacional acelerado e necessidade crescente de importação de alimentos e matérias-primas.
Produtos com maior potencial
| Produto | Volume Exportado para Países Árabes em 2024 (US$) | Observações | Potencial de Crescimento |
|---|---|---|---|
| Café verde | Mais de 513 milhões | Exportações para EUA quase 1,9 bilhão; mercado árabe com espaço para ampliar participação | Alto, especialmente na Arábia Saudita, Kuwait e Argélia |
| Carne bovina | 1,21 bilhão | Egito importou quase 1 bilhão, mas menos de 30% veio do Brasil; volume árabe supera exportação aos EUA | Elevado, especialmente Egito, Emirados Árabes e Arábia Saudita |
| Açúcar | Não especificado | Tarifas de 0% a 20% na região, contra 50% nos EUA; demanda crescente por população e consumo | Alto, devido à competitividade tarifária e demanda |
| Produtos industriais | Não especificado | Inclui ferro e aço semimanufaturados, madeira de coníferas, máquinas pesadas; exportação atual baixa | Potencial para expansão nas máquinas e produtos siderúrgicos |
Vantagens tarifárias no mercado árabe
- Café verde: tarifa de 0% nos países árabes contra 50% nos EUA.
- Carne bovina congelada: entre 0% e 6% na Liga Árabe contra 50% no mercado norte-americano.
- Açúcar: de 0% a 20% nos árabes contra 50% nos EUA.
- Petróleo refinado: 5% nos árabes contra 50% nos EUA.
Essas condições reforçam a competitividade brasileira e sustentam a estratégia de redirecionamento comercial.
Complementaridade comercial e histórico de relações
Em 2024, o Brasil registrou um recorde de US$ 23,68 bilhões em exportações para os países árabes, com superávit superior a US$ 13 bilhões.
A pauta exportadora brasileira para a região é dominada por produtos do agronegócio, que responderam por 76% dos embarques no último ano. Açúcar, frango, minério de ferro, milho e carne bovina ocupam as primeiras posições.
Países prioritários para expansão
- Egito: acordo comercial com o Mercosul favorece tarifas reduzidas.
- Argélia: grande mercado consumidor, com mais de 40 milhões de habitantes, mas com tarifas elevadas a serem negociadas.
Estratégia de atuação proposta pela Câmara Árabe
A entidade sugere um plano de ação dividido em três eixos:
Sensibilização
Campanhas para reforçar a imagem do Brasil como fornecedor confiável e competitivo, destacando a qualidade dos produtos e a segurança alimentar.
Facilitação
Ampliação de acordos comerciais, estímulo a missões empresariais e facilitação de vistos de negócios para ampliar o contato entre empresários brasileiros e árabes.
Potencial de crescimento no curto prazo
Embora não haja estimativa exata de redirecionamento imediato, o estudo indica que carne bovina e café verde têm potencial de absorção rápida pelo mercado árabe. A adaptação logística e a negociação de contratos podem permitir ganhos ainda em 2025.
Cenário e perspectivas

O alinhamento político entre Brasil e países árabes, somado ao contexto econômico favorável, cria ambiente propício para ampliar os fluxos comerciais. O mercado árabe apresenta demanda crescente por alimentos e matérias-primas, e o Brasil, com sua capacidade produtiva, está bem posicionado para atender a essa necessidade.
FAQ – Perguntas frequentes
Por que os países árabes são estratégicos para o Brasil agora?
As tarifas de importação são menores que as aplicadas pelos EUA e há demanda crescente por alimentos e matérias-primas.
O que diferencia o mercado árabe em relação a outros destinos?
Crescimento populacional acima da média, estabilidade econômica em alguns países e acordos comerciais já vigentes com o Mercosul.
Há acordos comerciais que favorecem o Brasil?
Sim. O acordo com o Egito, por exemplo, reduziu tarifas e impulsionou as exportações. Há negociações em andamento com outros países árabes.
Considerações finais
O redirecionamento das exportações não apenas pode mitigar os impactos do tarifaço, como também consolidar parcerias comerciais duradouras em uma região estratégica para a segurança alimentar global. Com coordenação entre governo, empresas e entidades de fomento, o mercado árabe pode se tornar não só um destino alternativo, mas um pilar permanente da pauta exportadora brasileira.

