A Câmara dos Deputados aprovou, na última quinta-feira (21), o regime de urgência para o Projeto de Lei 1.087/2025, que prevê a isenção do Imposto de Renda (IR) para todos os trabalhadores com rendimentos mensais de até R$ 5 mil.
Professores terão salários reajustados após aprovação de lei pelo governo
Lei do governo reajusta salários dos professores. Saiba quem tem direito, quando entra em vigor e o impacto no piso, na carreira e no orçamento.
De autoria do governo federal e relatado pelo presidente da Casa, deputado Arthur Lira (PP-AL), o texto também inclui uma redução parcial da alíquota para rendimentos entre R$ 5 mil e R$ 7.350.
O avanço é considerado um passo decisivo para o cumprimento de uma das principais promessas de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que havia defendido a ampliação da faixa de isenção como medida de justiça fiscal e valorização do trabalho.
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Impacto para os contribuintes

Mais brasileiros livres do Imposto de Renda
Segundo o Dieese, a aprovação da proposta dobraria o número de brasileiros isentos do Imposto de Renda, passando de 10 milhões para 20 milhões de contribuintes.
Além disso, outros 16 milhões de trabalhadores, com renda entre R$ 5 mil e R$ 7.350, seriam beneficiados com a redução parcial da alíquota.
Valorização dos salários e ganho indireto
Na prática, a medida funcionaria como uma espécie de “aumento indireto” nos rendimentos, já que menos imposto retido significa mais dinheiro disponível no bolso do trabalhador.
Profissionais de categorias como professores, servidores públicos e trabalhadores de setores médios seriam diretamente favorecidos.
Argumentos políticos e sociais
Correção histórica
Líderes governistas comemoraram a aprovação do regime de urgência.
“É uma correção histórica”, afirmou o deputado Isnaldo Bulhões Jr. (MDB-AL). “O presidente Lula cumpre um compromisso de campanha e corrige as injustiças feitas pelo governo anterior.”
Ênfase no caráter social
A deputada Jack Rocha (PT-ES) reforçou a relevância social da medida:
“O verdadeiro investimento no Brasil é quando aprovamos a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.”
Para o governo, a ampliação da faixa de isenção é vista não apenas como ajuste econômico, mas também como ferramenta de combate à desigualdade.
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Alíquota extra para super-rendimentos
Para evitar perda de arrecadação, o projeto estabelece uma alíquota extra progressiva de até 10% para quem recebe acima de R$ 600 mil anuais, o equivalente a R$ 50 mil por mês.
Essa cobrança adicional mira a parcela mais rica da população, garantindo progressividade ao sistema tributário.
Tributação de dividendos enviados ao exterior
Outra medida de compensação é a manutenção da tributação de 10% sobre dividendos enviados ao exterior, com exceções específicas voltadas a acordos internacionais e investimentos estratégicos.
Projeção de superávit
De acordo com cálculos do governo, a nova regra deve gerar superávit de R$ 12,27 bilhões entre 2026 e 2028. Esse montante deve ser suficiente para compensar eventuais perdas de estados e municípios.
Apoio quase unânime no Congresso
União entre governo e oposição
O requerimento de urgência foi aprovado de forma simbólica, sem votos contrários. A unidade entre governo e oposição chamou atenção, já que até mesmo partidos adversários apoiaram a medida.
“Não podemos ter um discurso para a plateia. Quando chega um projeto interessante para o povo, votaremos sim”, declarou o líder do PL, deputado Cabo Gilberto Silva (PB).
Condução na Câmara
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou que o mérito da proposta será votado na próxima semana, após reunião de líderes. Caso aprovado, o texto segue para análise no Senado.
O que muda na tabela do Imposto de Renda
Situação atual
Atualmente, a faixa de isenção do IR é limitada a quem recebe até R$ 3.036 por mês. Esse limite não acompanhou a inflação nos últimos anos, fazendo com que trabalhadores de baixa e média renda fossem cada vez mais incluídos no pagamento do imposto.
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Situação com a nova lei
Se aprovado, o novo limite de isenção será ampliado para R$ 5 mil mensais. Trabalhadores com rendimentos entre R$ 5 mil e R$ 7.350 terão alíquota reduzida, enquanto aqueles com renda superior manterão a tributação atual.
Efeitos esperados da mudança

Redução da desigualdade
A ampliação da faixa de isenção tem impacto direto na redução da desigualdade, já que alivia a carga tributária das classes médias e baixas.
Estímulo ao consumo
Com mais dinheiro disponível, a expectativa é que trabalhadores gastem mais no comércio, no setor de serviços e em bens duráveis, o que pode impulsionar a economia.
Maior justiça tributária
Ao criar uma alíquota adicional para os super-rendimentos, a proposta busca equilibrar a balança: quem ganha mais, paga mais.
Próximos passos
Tramitação no Senado
Após a votação do mérito na Câmara, prevista para a próxima semana, o texto seguirá para o Senado Federal. Caso seja aprovado sem alterações, vai à sanção presidencial.
Vigência prevista
O governo espera que a nova tabela seja aprovada até o fim de setembro, permitindo que já tenha efeito na declaração de Imposto de Renda de 2026.
Considerações finais
A aprovação da urgência para o Projeto de Lei 1.087/2025 representa um marco na política tributária brasileira. Ao ampliar a isenção do Imposto de Renda para rendas de até R$ 5 mil, o governo busca não apenas corrigir distorções históricas, mas também valorizar o trabalho, aumentar o poder de compra das famílias e promover maior justiça social.
Com amplo apoio político e mecanismos de compensação já previstos, a expectativa é que a proposta avance rapidamente no Congresso e beneficie milhões de trabalhadores em todo o país.
