A sessão da última segunda-feira (25) no mercado financeiro foi marcada por um movimento combinado de alívio no câmbio, melhora das expectativas inflacionárias e ajustes na curva de juros futuros.
Taxas de juros caem com alívio nas projeções de inflação e cenário eleitoral
Queda do dólar e melhora nas expectativas de inflação reduzem juros futuros. Declarações de Tarcísio de Freitas sobre 2026 também influenciaram curva.
O dólar recuou, refletindo maior confiança dos investidores, enquanto os principais contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) registraram queda nos vértices intermediários e longos.
Além do fator macroeconômico, declarações do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), sobre a possibilidade de disputar as eleições presidenciais de 2026, também foram interpretadas pelo mercado como sinal de estabilidade política, contribuindo para moderar a curva de juros.
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Inflação de 2025 tem 13ª queda consecutiva nas previsões do Boletim Focus
Como a queda do dólar influenciou os juros futuros

A valorização do real frente ao dólar tem efeitos diretos sobre as expectativas de inflação, já que ajuda a reduzir custos de importados e de commodities cotadas em moeda estrangeira. Esse alívio no câmbio contribuiu para a percepção de que a política monetária pode ter mais espaço para cortes da taxa Selic em 2025.
No fechamento da sessão, o movimento foi claro:
- DI para janeiro de 2027: caiu de 13,956% para 13,9%;
- DI para janeiro de 2028: recuou de 13,289% para 13,215%;
- DI para janeiro de 2029: passou de 13,268% para 13,19%;
- DI para janeiro de 2031: marcou 13,55%, após vir de 13,625%.
Expectativas de inflação: melhora consistente no Focus
O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, trouxe novidades positivas para a condução da política monetária. Pela primeira vez em 26 semanas, a mediana de expectativas para o IPCA de 2027 caiu de 4,00% para 3,97%. Embora a mudança pareça pequena (0,03 ponto percentual), o movimento foi considerado relevante por analistas.
Segundo Flávio Serrano, economista-chefe do BMG, a queda mostra que a “desancoragem das expectativas” pode estar se revertendo:
“O ponto de maior atenção do BC é a desancoragem. Quanto mais duradoura, mais custoso é combatê-la. Se as expectativas continuarem cedendo, podem abrir espaço para o Copom iniciar o ciclo de cortes da Selic.”
Inflação e juros: perspectivas de cortes em dezembro
Probabilidades
Com a melhora nos indicadores, a precificação da curva de juros futuros mostra que as chances de um corte na Selic já na reunião de dezembro estão entre 40% e 45%, estáveis em relação à última semana.
Expectativa dominante
A maior parte do mercado, no entanto, ainda aposta em janeiro de 2025 como início do ciclo de afrouxamento monetário, com quase 90% das apostas concentradas nesse cenário.
Avaliação do banco Pine
De acordo com Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa econômica do Banco Pine, a queda contínua nas projeções de inflação reforça o espaço para cortes:
- IPCA 2025 caiu pela 13ª semana seguida, de 4,95% para 4,86%;
- IPCA 2026 recuou de 4,40% para 4,33%;
- IPCA 2028 se manteve em 3,8%;
- IGP-M caiu de 1,13% para 1,04% em 2024 e de 4,32% para 4,27% em 2025.
“Mantemos o call inalterado. O BC terá condições técnicas de iniciar o ciclo de corte em dezembro”, afirmou Oliveira.
Política e mercado: o fator Tarcísio de Freitas
Fala em evento
Durante participação em evento da Esfera Brasil, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, reforçou que é necessário discutir um “projeto de País” para enfrentar desafios fiscais, de inovação e segurança pública.
Reação dos investidores
As declarações foram vistas como sinal de moderação e comprometimento com temas estruturais, o que ajudou a reduzir a percepção de risco político. Como consequência, os DIs chegaram a registrar mínimas intradia durante sua fala.
Eleições de 2026
O mercado acompanha de perto os movimentos de Tarcísio, considerado um dos nomes fortes para disputar a presidência em 2026. O simples reconhecimento de sua intenção de participar da corrida eleitoral foi interpretado como fator de estabilidade política de médio prazo.
IPCA-15: atenção ao dado de agosto
Nesta terça-feira (26), o mercado estará atento à divulgação do IPCA-15 de agosto, prévia da inflação oficial. A expectativa da mediana de 28 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast é de deflação de 0,21%, após alta de 0,33% em julho.
Se confirmada, será a primeira queda mensal desde julho de 2023. Contudo, analistas ponderam que a deflação deve ser influenciada por fatores pontuais, como quedas em tarifas de energia e combustíveis.
O que significa a redução da curva de juros
Impacto nos investimentos
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A queda nos vértices intermediários e longos da curva DI sugere que os investidores estão mais confiantes em relação ao controle da inflação no médio e longo prazo. Isso pode se traduzir em:
- Maior apetite por títulos prefixados e atrelados à inflação;
- Redução nos custos de financiamento para empresas;
- Melhoria no ambiente para o crédito imobiliário.
Relação com a Selic
Embora o Copom ainda mantenha uma postura cautelosa, a redução consistente das expectativas de inflação abre espaço para cortes graduais da Selic em 2025, aliviando a atividade econômica sem perder o controle inflacionário.
Análise dos economistas
Flávio Serrano (BMG)
- Considera o movimento do Focus para 2027 um divisor de águas;
- Acredita que o Copom pode ganhar conforto para cortar juros antes do previsto;
- Vê espaço para surpresas positivas na inflação.
Cristiano Oliveira (Banco Pine)
- Destaca a queda contínua das projeções para 2025 e 2026;
- Mantém projeção de corte já em dezembro;
- Enxerga o cenário como favorável à retomada gradual do crescimento.
Riscos ainda no radar

Apesar do alívio, alguns fatores podem reverter a tendência positiva:
- Volatilidade do dólar em função de política monetária dos EUA;
- Cenário fiscal brasileiro, com pressão sobre gastos públicos;
- Fatores externos, como preços do petróleo e tensões geopolíticas.
Considerações finais
A combinação entre queda do dólar, melhora nas expectativas inflacionárias e discurso político moderado trouxe alívio para a curva de juros futuros nesta segunda-feira (25). O movimento foi interpretado como sinal positivo pelo mercado, ainda que de forma cautelosa.
Com os DIs recuando em todos os principais vértices e o Boletim Focus indicando melhora para 2025, 2026 e 2027, cresce a expectativa de que o Banco Central possa iniciar o ciclo de cortes na Selic já em dezembro.
Ainda assim, a decisão dependerá da consistência desses números nos próximos meses e da confirmação da tendência de deflação no IPCA-15 de agosto. No campo político, a entrada de Tarcísio de Freitas no debate sobre 2026 adiciona uma nova variável de estabilidade percebida pelo mercado.
O cenário, portanto, é de otimismo moderado, mas com riscos ainda latentes no horizonte fiscal e internacional.
