Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Ataque dos EUA ao Irã provoca queda no hash rate do Bitcoin e levanta suspeitas sobre mineração estatal

A queda de 30% no hash rate do Bitcoin após ataques dos EUA ao Irã levanta dúvidas sobre o uso de energia nuclear para mineração no país.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira5 min de leitura
Bitcoin

A madrugada do domingo, 22 de junho, entrou para a história como mais um capítulo tenso nas relações entre Estados Unidos e Irã. Em uma operação militar batizada de “Meia-Noite”, os EUA bombardearam três instalações nucleares iranianas, com o lançamento de 14 bombas pesadas e dezenas de mísseis.

Logo após o ocorrido, um fenômeno curioso foi registrado na rede do Bitcoin: uma queda de aproximadamente 30% no hash rate global.

Leia mais:

Bitcoin cai para menos de US$ 100 mil e provoca liquidação de US$ 1 bilhão em contratos

O que é o hash rate e por que ele importa?

O hash rate representa o poder computacional total da rede Bitcoin. É um indicativo direto da força da rede, da sua segurança e do número de equipamentos ASICs ligados em operação ao redor do mundo. Quando o hash rate cai abruptamente, é comum associar o fato a desligamentos massivos de mineradoras, seja por razões técnicas, climáticas ou políticas.

No caso recente, a queda coincidiu com o horário dos ataques dos EUA ao Irã. Coincidência? Nem todos acreditam.

Suspeitas recaem sobre a mineração estatal iraniana

Mineração de Bitcoin
Imagem: Acervo do Unsplash (Creative Commons)

Energia nuclear transformada em Bitcoin?

Nas redes sociais, investidores e analistas levantaram a hipótese de que o Irã estaria utilizando instalações nucleares para alimentar suas operações de mineração de Bitcoin.

Segundo essas teorias, o país estaria convertendo energia em criptomoeda como uma forma alternativa de financiamento, contornando sanções econômicas impostas pelos EUA e União Europeia.

A tese ganhou força ao se cruzarem dois dados:

  • A queda repentina do hash rate;
  • O histórico do Irã como minerador relevante, respondendo por cerca de 4,5% da mineração mundial em 2021, segundo a Elliptic.

Evidências indicam mineração clandestina

Um relatório recente do Conselho Nacional da Resistência do Irã indicou que o país enfrenta apagões devido à mineração ilícita de Bitcoin, especialmente por parte da Guarda Revolucionária. Isso reforça a possibilidade de que parte das instalações atacadas pelos EUA estivesse envolvida na mineração cripto.

Hash rate e a teoria do clima extremo no Texas

Mineradoras americanas desligam por calor

Apesar da coincidência temporal com os bombardeios, uma parte da comunidade cripto argumenta que a queda no hash rate tem uma explicação mais simples: o verão extremo no estado do Texas, EUA.

O Texas é um dos maiores polos de mineração do mundo, com empresas como Riot Platforms e Marathon operando milhares de ASICs. Durante ondas de calor, é comum que essas empresas desliguem parte da sua capacidade para aliviar a demanda elétrica da população.

Daniel Batten, analista especializado no setor, reforçou essa hipótese em suas redes sociais. Segundo ele, quedas de hash rate são recorrentes durante períodos de calor extremo e fazem parte de acordos entre mineradoras e distribuidoras locais de energia.

O papel do Irã no ecossistema cripto global

Sanções econômicas e uso alternativo de criptomoedas

Com um histórico de sanções cada vez mais severas, o Irã tem procurado nas criptomoedas uma alternativa para manter o fluxo comercial e bancário. O uso do Bitcoin permite ao país realizar transações sem intermediários tradicionais, além de ser mais difícil de rastrear.

Nobitex: alvos e ataques

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

A Nobitex, maior corretora de criptomoedas do Irã, foi atacada por hackers supostamente ligados a Israel na quarta-feira anterior ao ataque militar dos EUA. Estima-se que cerca de R$ 450 milhões em criptomoedas tenham sido queimados.

A Chainalysis aponta que a Nobitex era usada por agentes do governo iraniano para driblar sanções e realizar financiamento de atividades suspeitas.

Bitcoin como peça na teoria dos jogos geopolíticos

Um novo ator na diplomacia internacional

Max Keiser, um dos primeiros investidores em Bitcoin, afirmou que o comportamento do hash rate após o ataque ao Irã é revelador: “O Bitcoin agora é o fantasma supremo na máquina da teoria dos jogos global”. Para ele, nenhuma nação sobreviverá economicamente sem interação com o Bitcoin.

Essa visão é compartilhada por muitos no ecossistema cripto, que enxergam na moeda digital uma ferramenta de soberania financeira, especialmente em tempos de guerra e instabilidade.

Conclusão: Coincidência ou evidência?

Metaplanet
Imagem: Arsenii Palivoda / shutterstock

Ainda é cedo para afirmar com certeza se o ataque dos EUA ao Irã foi responsável direto pela queda no hash rate do Bitcoin. No entanto, a coincidência de eventos e o histórico do Irã como minerador clandestino tornam a hipótese plausível. Se confirmada, a situação mostra como a geopolítica pode impactar diretamente a infraestrutura da principal criptomoeda do mundo.

Por outro lado, é fundamental considerar fatores sazonais e operacionais, como o calor extremo nos EUA, antes de concluir qualquer relação causal.

O que é certo é que o Bitcoin segue como ator central na política e na economia globais, seja como ferramenta de financiamento, como alvo de ataques cibernéticos, ou como indicador sensível a choques globais.

A interseção entre criptoeconomia e geopolítica está apenas começando a ser compreendida, e eventos como esse mostram que o futuro do Bitcoin estará cada vez mais ligado aos rumos do planeta.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

Topicos relacionados