Após ataque hacker ao BC, governo adia compra de sistema para rastrear criptoativos
O Governo Federal decidiu prorrogar a licitação para a aquisição de um sistema de rastreamento de criptoativos, diante do recente ataque hacker que desviou cerca de R$ 1 bilhão de contas vinculadas ao Banco Central.
O episódio expôs vulnerabilidades tecnológicas e provocou uma resposta imediata das autoridades, que agora veem o fortalecimento da vigilância sobre transações com criptomoedas como uma prioridade.
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Prorrogação estratégica do pregão eletrônico
A licitação, inicialmente prevista para sexta-feira, 4 de julho, foi transferida para quarta-feira, 9 de julho. A alteração ocorre no contexto do pregão eletrônico nº 90019/2025, aberto pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
O objetivo é selecionar um software especializado capaz de rastrear, mapear e analisar transações com ativos digitais, incluindo aquelas feitas por carteiras não custodiais — tradicionalmente consideradas de difícil rastreamento.
Software de rastreamento será ferramenta de ponta
O novo sistema deve permitir:
- Identificação de carteiras envolvidas em atividades ilícitas;
- Análise de transações em tempo real;
- Detecção de lavagem de dinheiro por meio de blockchain;
- Integração com bases de dados policiais e judiciais.
Além disso, a empresa vencedora deverá fornecer suporte técnico, transferência de conhecimento e atualizações contínuas durante um período de três anos.
Ataque ao Banco Central evidencia riscos sistêmicos
O que aconteceu com o sistema financeiro nacional?
O adiamento da licitação ocorreu logo após a revelação de um sofisticado ataque hacker que comprometeu a infraestrutura do Banco Central.
Segundo as investigações, criminosos invadiram os sistemas da C&M, empresa terceirizada responsável por intermediar operações entre bancos e o BC, e desviaram R$ 1 bilhão de contas de oito instituições financeiras.
BMP: a principal vítima do golpe
O Banco BMP sofreu o maior prejuízo, com um desvio de R$ 541 milhões. As suspeitas recaem sobre um colaborador da C&M, que teria facilitado o ataque. O desfalque levou o BC a suspender temporariamente seis instituições do sistema PIX, por um período de 60 dias, como medida preventiva.
Lavagem de dinheiro com criptoativos acende alerta vermelho
Blockchain como canal de fuga financeira
As autoridades identificaram que parte significativa dos recursos desviados foi movimentada por meio de fintechs e corretoras com integração ao ecossistema blockchain. O episódio expõe uma fragilidade já apontada por especialistas: a ausência de protocolos robustos de verificação de transações com criptoativos.
O papel da SmartPay
A fintech SmartPay foi essencial para a interrupção da fraude. Ao identificar movimentações suspeitas, acionou o BMP antes que mais prejuízos fossem registrados. Rocelo Lopes, fundador da empresa, reforçou a importância de medidas de segurança mais avançadas no setor:
“Em um mercado que evolui tão rápido, proteger cada transação é essencial para manter a confiança de empresas e clientes.”
Ministério da Justiça quer intensificar fiscalização
Investimento em capacitação e tecnologia
Segundo fontes do Ministério da Justiça, a ferramenta de rastreamento será utilizada por:
- Polícia Federal;
- Delegacias especializadas;
- Órgãos de inteligência financeira;
- Núcleos de investigação digital.
Estão previstas rodadas de treinamento para todos os envolvidos, além da criação de protocolos de atuação conjunta. A ideia é integrar a nova tecnologia ao ecossistema nacional de combate ao crime digital.
Transferência de conhecimento técnico
A licitação prevê, ainda, que a empresa selecionada compartilhe o know-how sobre rastreamento cripto com os órgãos públicos, promovendo autonomia futura do Estado na condução de investigações.
Criptoativos na mira: um novo capítulo na segurança financeira
Criptomoedas e crime cibernético
Embora a tecnologia blockchain ofereça transparência e rastreabilidade, o uso de carteiras não custodiais e mixers de transações dificulta o rastreamento, criando um ambiente propício para lavagem de dinheiro, fraudes e evasão de divisas. O recente caso do BC mostra que até mesmo as instituições financeiras mais bem estruturadas estão expostas.
Crescimento do mercado exige regulação firme
Com o crescimento exponencial da adoção de criptoativos no Brasil, cresce também a pressão por um marco regulatório robusto, que equilibre inovação com segurança. O governo já sinalizou que medidas adicionais de supervisão estão em análise no Congresso Nacional.
Prisões e desdobramentos da investigação
Envolvidos começam a ser identificados
No dia 4 de julho, a Polícia Civil prendeu João Nazareno Roque, acusado de vender suas credenciais aos hackers por R$ 15 mil. A prisão marca o início das detenções relacionadas ao caso, mas outros nomes ainda estão sob investigação.
Intervenção no sistema financeiro
Além da suspensão de seis instituições financeiras do sistema PIX, o Banco Central intensificou auditorias em plataformas que atuam com ativos digitais. A expectativa é de que o novo sistema de rastreamento potencialize os esforços de compliance.
Conclusão: um novo capítulo no combate ao crime financeiro digital
O ataque hacker que desviou R$ 1 bilhão do Banco Central foi um divisor de águas na forma como o governo brasileiro enxerga a segurança digital e o uso de criptoativos. A resposta institucional — com a prorrogação da licitação e a iminente contratação de um sistema de rastreamento — indica que o país está disposto a enfrentar os desafios do novo cenário financeiro global com mais inteligência e tecnologia.
À medida que o mercado cripto se consolida, cresce também a necessidade de estruturas de monitoramento compatíveis com a complexidade das transações em blockchain. Com o novo sistema, o Brasil pode dar um passo crucial na construção de um ambiente cripto mais seguro, responsável e transparente.