O Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI) e representantes dos servidores federais assinaram, nesta quinta-feira (6), o acordo que concede reajuste de 17,5% no auxílio-alimentação.
Auxílio-alimentação tem reajuste de 17,5% e vai para R$ 1.175
Servidores federais terão aumento de 17,5% no auxílio-alimentação, que sobe de R$ 1.000 para R$ 1.175 a partir de novembro de 2025.
O benefício, atualmente em R$ 1.000, passará a ser de R$ 1.175 já neste mês, após semanas de negociações que dividiram opiniões entre governo e sindicatos.
Leia Mais:
Prova de vida INSS: novo sistema automático valida 94% e suspende bloqueios
Acordo parcial após impasse nas negociações
O reajuste foi apresentado oficialmente no fim de outubro, durante reunião da Mesa Nacional de Negociação Permanente, fórum que reúne representantes do governo e entidades sindicais. A decisão atende parcialmente as demandas dos servidores, que reivindicavam aumento de 35% e equiparação com os valores pagos nos outros poderes.
De acordo com o secretário de Relações de Trabalho do MGI, José Lopez Feijóo, o valor de 17,5% é o máximo possível dentro da atual estrutura orçamentária.
“A configuração da proposta dos reajustes está dentro do limite orçamentário disponível, não havendo margem para novas propostas”, destacou Feijóo em ofício encaminhado às entidades.
A posição do governo foi vista por lideranças sindicais como pouco flexível, uma vez que as discussões não evoluíram para incluir contrapropostas.
O que pediam os servidores públicos
Além do reajuste no auxílio-alimentação, as categorias do funcionalismo solicitaram melhorias em outros benefícios, como:
- Reajuste de 20% no auxílio-creche, a partir de abril de 2026;
- Aumento de 30% na assistência à saúde suplementar, previsto para o próximo mês;
- Revisão dos valores pagos em diárias e deslocamentos, considerados defasados.
As reivindicações, contudo, não foram aceitas pelo MGI, que alegou falta de recursos na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2025. O governo indicou, no entanto, que poderá reavaliar os benefícios a partir de abril de 2026, se houver disponibilidade orçamentária.
“Nosso compromisso é manter o diálogo aberto e constante com os servidores, mas dentro da responsabilidade fiscal que o país exige”, informou a pasta em nota oficial.
Sindicatos criticam falta de abertura ao diálogo
O Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais (Fonasefe) afirmou que o reajuste anunciado para o auxílio-alimentação é insuficiente e que o governo não abriu espaço para negociação real. Segundo o grupo, o MGI teria imposto a proposta de forma unilateral, sem considerar alternativas apresentadas pelas categorias.
“Não houve diálogo efetivo. O reajuste é mínimo diante das perdas salariais e do aumento do custo de vida. Queremos equiparação com os servidores do Legislativo e do Judiciário”, afirmou o Fonasefe em nota.
As entidades ainda pediram ampliação do prazo de resposta à proposta, inicialmente estabelecido até 5 de novembro, para que pudessem consultar suas bases. O governo, no entanto, negou o pedido, alegando necessidade de fechar a folha de pagamento de novembro.
Diferença entre os poderes continua alta
Enquanto o reajuste de 17,5% entra em vigor para o Executivo, servidores do Judiciário e do Legislativo já recebem R$ 1.784,42 de auxílio-alimentação desde maio de 2025. A defasagem de mais de 50% entre os poderes continua sendo uma das principais insatisfações das entidades representativas do funcionalismo.
Segundo especialistas em administração pública, a diferença se deve à autonomia orçamentária dos demais poderes, que podem aprovar aumentos de forma independente.
“O Executivo tem limitações mais severas de gasto, o que cria uma disparidade permanente entre carreiras semelhantes”, explica o economista Rogério Almeida, consultor em finanças públicas.
Apesar de o governo não ter atendido à equiparação nesta rodada, os sindicatos afirmam que continuarão reivindicando isonomia nas próximas mesas de negociação.
Impacto do reajuste nas contas públicas
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
O MGI estima que o reajuste de 17,5% no auxílio-alimentação terá impacto anual de cerca de R$ 600 milhões no orçamento federal, considerando o número total de servidores ativos que recebem o benefício.
O valor, segundo técnicos da pasta, foi planejado dentro dos limites da nova regra fiscal, garantindo que não haverá comprometimento das metas de resultado primário.
“O reajuste representa uma medida de valorização possível dentro da realidade fiscal do país”, disse um técnico do ministério sob reserva.
Apesar de o impacto ser controlado, analistas alertam que a pressão por novos aumentos em 2026 poderá reacender debates sobre equilíbrio fiscal, especialmente se houver revisão simultânea dos auxílios de saúde e creche.
Próximos passos e expectativa para 2026
O reajuste do auxílio-alimentação é o primeiro avanço concreto nas negociações de benefícios desde 2023, quando houve a recomposição salarial linear de 9% para o funcionalismo. Ainda assim, o clima entre as categorias segue de insatisfação e cobrança por mais valorização.
Para 2026, a expectativa é de retomada das negociações com foco em três frentes:
- Revisão dos valores dos auxílios (alimentação, creche e saúde);
- Correção das diárias e indenizações pagas a servidores em deslocamento;
- Nova política de equiparação salarial e de benefícios entre os poderes.
Representantes sindicais afirmam que o acordo atual é apenas um “reparo parcial” e que a luta pela equiparação seguirá como prioridade no próximo ciclo de negociações.
“O reajuste é um alívio pequeno, mas necessário. Vamos continuar pressionando por valorização integral e isonomia entre carreiras”, afirmou a dirigente sindical Marta Oliveira, do Fonasefe.
Imagem: Cacio Murilo / Shutterstock.com
Não perca nenhuma oportunidade de crédito e pagamento: acesse agora nossas últimas notícias no Seu Crédito Digital.

