O início da semana trouxe uma leve recuperação para o real, impulsionada por um ambiente externo mais positivo e pela ausência de tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. Apesar da queda momentânea do dólar na segunda-feira (21), o real continua acumulando perdas significativas ao longo do mês de julho.
O que está sustentando o real?

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Dólar enfraquece globalmente
O fator principal por trás da melhora no câmbio brasileiro foi a fraqueza generalizada do dólar frente a outras moedas, tanto de economias desenvolvidas quanto emergentes. O dólar perdeu força frente a moedas fortes, com o índice DXY caindo 0,6%, em meio às incertezas sobre os rumos dos juros nos EUA e pressões da Casa Branca sobre o Federal Reserve. Esse cenário reduziu a demanda pela moeda americana e favoreceu temporariamente divisas como o real.
Minério de ferro em alta favorece Brasil
Outro elemento de suporte foi o avanço nos preços do minério de ferro, uma das principais commodities exportadas pelo Brasil. A cotação do produto subiu 2% na Bolsa de Dalian, na China, e 3% em Cingapura, ampliando as perspectivas de entrada de dólares no país por meio das exportações.
Clima político: governo evita escalada contra os EUA
Haddad descarta retaliações
O câmbio também reagiu positivamente à sinalização do ministro Fernando Haddad, que negou qualquer retaliação do Brasil às tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos, destacando a opção por manter o diálogo.
A fala foi vista como um gesto de diplomacia e de busca por estabilidade nas relações bilaterais. O posicionamento ajudou a acalmar os mercados, especialmente após rumores sobre possíveis represálias em função de ataques verbais de parlamentares norte-americanos a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Mercado reage positivamente
Para o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, os comentários do governo contribuíram para a virada no humor dos investidores. “O dólar subia contra o real no início da manhã, mas o mercado se acalmou com os sinais de que não haverá retaliação”, afirmou.
Dados econômicos reforçam expectativa de estabilidade
Boletim Focus traz alívio inflacionário
No campo econômico, o destaque da agenda foi o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central. A pesquisa semanal, que reúne projeções de economistas do mercado, indicou queda nas expectativas para a inflação de 2025 e 2026.
- IPCA 2025: recuou de 5,17% para 5,10%
- IPCA 2026: caiu de 4,50% para 4,45%
Esta foi a primeira vez desde março que a expectativa de inflação para 2026 ficou abaixo do teto da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), atualmente fixada em 4,50%.
A leitura de que o cenário inflacionário pode estar mais controlado gerou uma percepção de maior previsibilidade para os próximos anos, o que tende a favorecer a atratividade de ativos brasileiros.
Fluxo de capital ainda é limitado
Apesar da melhora no humor, o volume de negócios no mercado cambial foi considerado modesto, reflexo de uma agenda enxuta e da cautela dos investidores em meio às incertezas globais.
Perspectivas para o câmbio

Apesar do alívio recente, o real segue pressionado por incertezas internas e externas. A moeda já acumula queda de mais de dois por cento em julho, e a volatilidade deve continuar. O maior desafio imediato para o real é a política de juros dos EUA, que pode fortalecer o dólar e pressionar a moeda brasileira.
FAQ
A queda do dólar é sustentável?
Ainda não. O movimento foi técnico e pontual, e o real continua vulnerável à volatilidade do cenário externo e a riscos internos.
Qual o impacto do Boletim Focus na cotação do dólar?
A redução nas expectativas de inflação trouxe uma percepção de estabilidade, o que ajuda, ainda que de forma marginal, a conter a pressão sobre o câmbio.
O Brasil vai responder às tarifas dos EUA?
Segundo o ministro Fernando Haddad, o governo brasileiro não pretende retaliar empresas ou cidadãos americanos, priorizando o diálogo e a estabilidade nas relações bilaterais.
Considerações finais
Apesar da melhora pontual no câmbio, analistas reforçam que a tendência de médio prazo ainda depende da evolução do cenário externo e da condução das políticas econômicas internas. A continuidade de uma postura diplomática prudente, combinada com medidas para controle fiscal e previsibilidade regulatória, será essencial para consolidar uma trajetória mais estável para o real nos próximos meses.
