Anvisa recolhe whey de marca famosa por risco à saúde; veja se você tem em casa
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, na última quinta-feira (5), o recolhimento imediato de um lote específico do suplemento alimentar Whey Protein sabor chocolate, da marca Piracanjuba. A medida foi tomada após a constatação de contaminação por Staphylococcus aureus, uma bactéria que, em concentrações elevadas, pode provocar intoxicação alimentar grave.
📌 DESTAQUES:
Anvisa determina recolhimento de lote de Whey Protein da Piracanjuba por contaminação por bactéria Staphylococcus aureus.
O lote afetado é o 23224, que já estava em circulação no mercado nacional.
A presença de microrganismos em níveis acima do permitido foi confirmada por meio de análise realizada pelo Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal (Lacen-DF), conforme divulgado oficialmente pela Anvisa.
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O que é o Staphylococcus aureus e por que representa perigo

O Staphylococcus aureus é uma bactéria comumente encontrada na pele e mucosas de seres humanos e animais. Apesar de sua presença natural em ambientes diversos, sua ingestão por meio de alimentos contaminados pode gerar sintomas severos.
Sintomas da intoxicação alimentar
Quando essa bactéria se multiplica em níveis elevados, ela libera toxinas que desencadeiam náuseas, vômitos, cólicas abdominais e diarreia. Em casos mais graves, principalmente entre crianças, idosos e pessoas imunossuprimidas, pode haver necessidade de hospitalização.
A Anvisa reforça que a contaminação por Staphylococcus aureus não altera o cheiro, o sabor ou a aparência do alimento, dificultando a identificação do risco a olho nu por parte do consumidor.
Produto deve ser recolhido: veja como identificar
A determinação da Anvisa implica que o lote 23224 do Whey Protein sabor chocolate da Piracanjuba deve ser recolhido de todos os pontos de venda e retirado do consumo imediatamente. A identificação pode ser feita por meio do número do lote, impresso na embalagem do suplemento, geralmente próximo ao prazo de validade.
Instruções para consumidores
A Anvisa orienta os consumidores que já adquiriram o produto a:
- Não consumir o conteúdo;
- Verificar o número do lote na embalagem;
- Entrar em contato com o serviço de atendimento ao cliente da Piracanjuba para obter informações sobre substituição ou devolução;
- Manter o produto armazenado em local seguro até a devolução.
A agência sanitária também reforça que qualquer reação adversa deve ser comunicada às autoridades de saúde locais, e recomenda-se buscar atendimento médico imediato em caso de sintomas após o consumo.
Posicionamento da Piracanjuba
Em nota encaminhada ao portal Terra, a Piracanjuba contestou o laudo da Anvisa, afirmando que possui documentação que comprova a regularidade do lote em questão. Segundo a empresa, os testes internos foram realizados por laboratórios credenciados pela própria agência sanitária, e os resultados teriam indicado conformidade com os padrões microbiológicos exigidos.
“A Piracanjuba informa que possui laudo atestando a regularidade e conformidade do produto, emitido por laboratórios credenciados pela própria Anvisa. A empresa tomará as providências cabíveis para solucionar o caso de forma transparente e segura”, diz o comunicado oficial.
O impasse entre a análise do Lacen-DF e os laudos da fabricante deverá ser avaliado nos próximos dias, à medida que a empresa apresenta suas justificativas e a Anvisa conclui o processo de fiscalização.
Histórico e regulamentação dos suplementos no Brasil
Os suplementos alimentares, como o whey protein, são fiscalizados com rigor no Brasil desde a Resolução RDC nº 243/2018, que estabelece os requisitos sanitários para sua fabricação, comercialização e consumo. Produtos como o whey devem passar por controles de qualidade, ensaios laboratoriais e validações periódicas para garantir segurança ao consumidor.
Vigilância sanitária em alta
O aumento do consumo de suplementos proteicos nos últimos anos levou a Anvisa a intensificar o monitoramento de empresas que atuam nesse setor. Marcas tradicionais como Piracanjuba, ao ingressarem nesse mercado, passam a ser cobradas pela adequação aos parâmetros técnicos, mesmo já possuindo reconhecimento em outros segmentos, como o de laticínios.
Riscos da contaminação em suplementos
Embora mais comuns em alimentos perecíveis, as contaminações por bactérias também podem atingir suplementos industrializados. Isso ocorre, principalmente, por falhas durante o processo de produção, como:
- Más práticas de higiene industrial;
- Armazenamento inadequado dos insumos;
- Falta de controle de temperatura e umidade;
- Manipulação incorreta nas linhas de embalagem.
Como prevenir
Para reduzir os riscos à saúde, especialistas recomendam aos consumidores:
- Adquirir suplementos apenas de fontes confiáveis;
- Verificar selos de inspeção e certificações na embalagem;
- Observar o prazo de validade e o número do lote;
- Armazenar corretamente os produtos após a abertura.
O que esperar a seguir
O recolhimento de produtos por falhas sanitárias é um procedimento padrão e visa proteger a saúde da população. No entanto, o caso envolvendo a Piracanjuba levanta discussões sobre a transparência nas comunicações entre empresas e órgãos reguladores.
A expectativa é que a empresa, após prestar os esclarecimentos necessários, possa resolver o caso junto à Anvisa, seja por meio da comprovação de erro laboratorial, seja através do cumprimento das medidas corretivas exigidas pela agência.
Enquanto isso, consumidores devem permanecer atentos às informações dos produtos que consomem, especialmente em categorias como suplementos alimentares, onde a qualidade microbiológica é crucial para a segurança.
Imagem: MEON/Reprodução
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