Em julho de 2025, o Bitcoin experimentou um novo ciclo de valorização, quebrando recordes e atingindo US$ 118 mil em rápida sequência. Embora isso tenha empolgado a maioria dos investidores, deixou um rastro de prejuízos significativos para os que apostaram na queda.
Segundo dados da CoinGlass, o mercado de contratos futuros registrou impressionantes US$ 1,24 bilhão em liquidações em apenas 24 horas, afetando cerca de 268 mil traders, majoritariamente nas posições short — aqueles que vendem contratos na expectativa de queda do preço.
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O que são posições “short” e por que elas foram tão impactadas?
Em contratos futuros, vender (ficar “short”) significa apostar na queda futura do preço. Se você acredita que um ativo vai recuar, realiza um contrato de venda hoje para recomprar depois por um preço mais baixo. Mas se o preço dispara, como ocorreu com o BTC, esses contratos precisam ser fechados com prejuízo, gerando liquidações.
Por que isso se tornou um short squeeze
O fenômeno que se seguiu ao rompimento das resistências técnicas agendadas entre US$ 112 mil e US$ 118 mil foi um short squeeze, em que posições vendidas são forçadas a recomprar, impulsionando ainda mais a alta.
Este movimento rápido causou US$ 1 bilhão em liquidações de traders que mantinham aposta contrária ao movimento de alta.
Distribuição dos prejuízos no mercado

Do total de perdas, US$ 586 milhões vieram de contratos de Bitcoin — a maior parte relacionada a posições short. O movimento foi tão intenso que várias exchanges tiveram de liquidar ordens abruptamente para proteger sua própria liquidez.
O Ethereum, segunda maior criptomoeda, também foi afetado, com US$ 259 milhões em contratos liquidados. Embora em menor volume que o BTC, mostrado que o efeito contagiou o mercado cripto amplo.
Não apenas os pessimistas saíram prejudicados: os longs, que apostavam em alta adicional, perderam US$ 228 milhões, pois o movimento posterior causou volatilidade elevada e drawdowns que acionaram margens e stopouts.
Exchanges mais impactadas: Bybit, Binance e HTX
A Bybit liderou o ranking das exchanges mais afetadas, com US$ 501 milhões em liquidações registradas. Isso indica grande concentração de traders alavancados no mercado de derivativos.
A Binance, principal exchange em volume de negociação spot, também amargou US$ 235 milhões em perdas rápidas entre seus usuários, reflexo da euforia no setor.
Na plataforma HTX (antiga Huobi), houve um caso isolado com liquidação de US$ 88,55 milhões num único contrato de Bitcoin. No total, cerca de US$ 201 milhões foram perdidos pelos traders dessa corretora.
Quem foi atingido: perfil dos traders liquidado e cenário emocional
Mais de 268 mil investidores sofreram perdas no intervalo de 24 horas. A maioria estava exposta a alavancagem excessiva (200x ou mais) e operava com expectativa de resistência psicológica do BTC que não se confirmou.
O impacto foi percebido imediatamente: a narrativa mudou de estabilidade para euforia, gerando sentimento de “FOMO” (medo de perder) entre os traders remanescentes, que aprofundaram posições long — um ciclo que pode criar máximo local, mas também gerar reversão.
Prêmios de risco e implicações técnicas do novo recorde do Bitcoin
O Open Interest (OI) — indicador que mede o número total de contratos futuros ainda em aberto — atingiu recordes simultâneos junto com o preço do Bitcoin. Segundo a CoinGlass, o OI total no mercado de criptoativos ultrapassou US$ 177 bilhões, enquanto o do BTC chegou a US$ 78,6 bilhões, o maior já registrado.
Esse dado indica alta concentração de capital especulativo em posições alavancadas. Embora reflita otimismo, também representa um sinal de alerta: com tantos contratos ativos, qualquer variação brusca no preço pode provocar uma reação em cadeia de liquidações, gerando oscilações violentas.
Alta alavancagem exige atenção redobrada
Muitos traders operam com alavancagem acima de 50x, o que amplifica tanto os ganhos quanto as perdas. De acordo com o analista Joe Consorti, o mercado atual está com uma relação de 10:1 entre posições long e short, o que indica excesso de otimismo.
“O risco de uma correção técnica aumenta à medida que os traders ignoram fundamentos e seguem apenas a tendência”, alertou.
Bitcoin lidera a narrativa, mas altcoins também sofrem com liquidações

O movimento de alta do Bitcoin contagiou o mercado, mas nem todas as altcoins conseguiram acompanhar. Com ETH superando os US$ 3.100 no pico, e Solana (SOL) tentando manter-se acima dos US$ 160, muitos tokens alternativos entraram em território de sobrecompra — um gatilho comum para correções rápidas.
Além do ETH, altcoins como PEPE, BONK, INJ e APT também registraram liquidações massivas em posições vendidas. O crescimento no uso de derivativos em memecoins e tokens de camada 1 também colaborou para as perdas generalizadas entre os traders que tentaram operar contra a tendência.
Sinais de altseason ainda tímidos
Embora o domínio do Bitcoin tenha caído ligeiramente para 64,7%, ainda não há um consenso claro sobre o início da altseason. O capital ainda está concentrado nas criptomoedas com maior liquidez, e as rotações para tokens menores estão ocorrendo apenas em clusters temáticos, como IA, memecoins e infraestrutura L2.
O que motivou o novo recorde do Bitcoin?
A valorização abrupta do BTC tem múltiplos gatilhos. Entre os principais estão:
- Expectativa de corte de juros pelo Fed: mesmo com inflação resistente, a sinalização de políticas monetárias mais frouxas favorece ativos escassos como o BTC.
- Tensões comerciais entre EUA e China: o temor por novas tarifas e retaliações comerciais impulsiona o Bitcoin como proteção contra riscos geopolíticos.
- Entradas robustas em ETFs spot: segundo a Bloomberg, os ETFs de BTC nos EUA atraíram mais de US$ 1,2 bilhão em sete dias consecutivos, com destaque para o fundo IBIT da BlackRock.
- Demanda institucional: cada vez mais, empresas, fundos e bancos estão tratando o Bitcoin como um ativo de reserva digital.
Análise técnica favorável
Do ponto de vista técnico, o BTC rompeu resistências significativas entre US$ 112 mil e US$ 116 mil com forte volume e confirmação em múltiplos indicadores.
A média móvel de 21 dias inclinou positivamente, e o RSI (Índice de Força Relativa) cruzou para acima de 70, apontando momentum de compra acentuado — ainda que em zona de sobrecompra.
Reações da indústria e perspectivas para os próximos dias
Enquanto alguns analistas como Michaël van de Poppe projetam o BTC chegando a US$ 130 mil já em julho, outros, como o especialista Willy Woo, alertam para um excesso de alavancagem no sistema, o que pode levar a uma correção técnica antes de novas máximas.
O analista on-chain CryptoQuant destacou que o fluxo de BTC para exchanges aumentou ligeiramente, o que pode indicar realização parcial de lucros por parte dos holders de longo prazo. Isso reforça a tese de uma pausa ou correção no curto prazo antes de novas subidas.
Sinais positivos permanecem
Mesmo com os alertas, o fundamento de longo prazo permanece forte. O aumento na taxa de hash da rede, a expansão dos ETFs e o interesse institucional crescente fornecem suporte estrutural à tese do Bitcoin como ativo de reserva global.
Além disso, julho historicamente é um mês positivo para o BTC. Em 8 dos últimos 11 anos, o mês fechou no azul. Com isso, muitos analistas apostam que o movimento atual ainda pode ter fôlego.
Lições para o investidor: o que fazer diante de tanta volatilidade?
O episódio reforça a importância de alguns princípios básicos no investimento em criptoativos:
- Evitar alavancagem excessiva: operar com 100x pode ser tentador, mas os riscos superam os retornos.
- Diversificar a carteira: alocar parte em BTC, parte em altcoins e parte em stablecoins é uma forma de reduzir a exposição.
- Manter plano de entrada e saída claros: definir metas de lucro e stop loss é essencial em momentos de volatilidade extrema.
- Acompanhar dados on-chain e indicadores de sentimento: métricas como Open Interest, liquidez e dominância do BTC ajudam a prever reversões.
Oportunidades em meio ao caos
Para quem busca oportunidades, os movimentos bruscos de liquidação também podem ser momentos ideais para entrada com desconto — desde que se tenha liquidez e disciplina. O ideal é evitar entrar no topo por impulso e esperar momentos de correção técnica para comprar ativos com potencial.
Conclusão: Bitcoin como protagonista e alerta para a euforia

O recorde histórico do Bitcoin trouxe ganhos expressivos para muitos, mas também expôs os riscos inerentes ao mercado de derivativos, onde mais de US$ 1 bilhão foram liquidados em um único dia. O episódio mostra que, apesar do otimismo predominante, a volatilidade permanece alta e exige atenção redobrada.
Com fundamentos fortes, entrada institucional crescente e cenário macroeconômico favorável, o BTC parece pronto para novos patamares — mas com paradas estratégicas pelo caminho. O investidor atento poderá tirar proveito desses ciclos, mas só se mantiver disciplina, estudo e gestão de risco.
Julho de 2025 já entrou para a história do Bitcoin, e os próximos capítulos prometem ainda mais emoções no mercado cripto.
