No último fim de semana, o ex-ministro do Turismo Gilson Machado (PL) reacendeu os holofotes sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro ao publicar um vídeo em que pede novas doações ao ex-chefe do Executivo. Segundo Machado, dos R$ 17 milhões arrecadados em uma vaquinha virtual realizada em 2022, cerca de R$ 8 milhões já teriam sido utilizados — e as despesas, segundo ele, continuam em ritmo acelerado.
A campanha de arrecadação, que tinha como objetivo ajudar Bolsonaro a pagar multas e responder a processos, segue ativa por meio de uma chave PIX. Mesmo dois anos após deixar o Planalto, Bolsonaro mantém uma base mobilizada de apoiadores, dispostos a contribuir financeiramente com a sua manutenção política e pessoal.
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Renda mensal de Bolsonaro ultrapassa R$ 100 mil

Apesar do apelo por doações, o ex-presidente possui uma renda mensal considerável, composta por três fontes principais:
- R$ 46 mil da Câmara dos Deputados, como aposentadoria por ter sido deputado federal por quase três décadas;
- R$ 11 mil do Exército Brasileiro, em virtude de sua condição de capitão reformado;
- R$ 41 mil do Partido Liberal (PL), por exercer o cargo simbólico de presidente de honra da legenda.
Somados, os valores chegam a aproximadamente R$ 98 mil mensais, sem considerar rendimentos indiretos ou eventuais doações espontâneas recebidas por fora das plataformas públicas.
Mesmo com essa estrutura de rendimentos, os custos do ex-presidente têm sido apresentados como “insustentáveis sem ajuda”, especialmente devido ao aumento das despesas judiciais e familiares.
Gilson Machado alerta para alta nos custos
Durante o vídeo publicado em suas redes sociais, Gilson Machado se dirigiu diretamente aos apoiadores do ex-presidente:
“Vocês não têm noção da nossa preocupação com as despesas, centenas e de várias origens. Em apenas um ano foram gastos em torno de R$ 8 milhões”, afirmou.
Segundo o ex-ministro, os gastos incluem honorários advocatícios, deslocamentos, seguranças, viagens e estruturas de apoio, que mesmo após o término do mandato seguem funcionando em ritmo intenso.
A prestação de contas, no entanto, ainda não foi detalhada publicamente, e muitos críticos têm cobrado maior transparência na aplicação dos valores da vaquinha.
Bolsonaro confirma que banca Eduardo Bolsonaro nos EUA

Um dos pontos mais comentados do vídeo foi a revelação de que parte das despesas atuais envolvem custos com Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente, que está licenciado do cargo de deputado federal e reside atualmente nos Estados Unidos.
Gilson Machado justificou o aumento de gastos:
“Agora aumentou a despesa dele. Vi ele preocupado com alguns números ontem, porque está tendo Eduardo Bolsonaro lá nos Estados Unidos, que ele está ajudando também, não está barato morar nos Estados Unidos.”
Bolsonaro confirmou a fala do ex-ministro, afirmando que está bancando pessoalmente as despesas do filho, que estaria cumprindo uma agenda informal de interlocução internacional:
“Eu estou bancando as despesas dele agora. Se não fosse o PIX, eu não teria como bancar essa despesa. Ele está sem salário e fazendo seu trabalho de interlocução com autoridades no exterior”, declarou Bolsonaro.
Eduardo Bolsonaro fora do Brasil e possível candidatura ao Senado
Eduardo Bolsonaro está licenciado do mandato parlamentar e não recebe o salário de deputado federal. Nos Estados Unidos, segundo o pai, ele estaria atuando em missões políticas de articulação internacional, ainda que de forma não oficial.
O ex-presidente também sugeriu que o filho pode disputar o Senado em 2026, mas não há confirmação sobre o retorno de Eduardo ao cargo atual nem detalhes sobre as motivações estratégicas para a ausência prolongada.
A situação do deputado nos EUA já gerou críticas entre opositores, que questionam se ele de fato cumpre funções públicas ou se está em viagem de caráter pessoal bancada com recursos da militância bolsonarista.
Reações políticas e cobrança por transparência
O novo apelo por doações gerou forte repercussão política nas redes sociais e no meio jurídico. Críticos do ex-presidente cobram maior clareza sobre a destinação dos recursos arrecadados via vaquinha e PIX, especialmente diante da elevada renda pessoal que ele possui.
Além disso, há questionamentos quanto à legalidade do financiamento indireto da estadia de um parlamentar licenciado no exterior, por meio de recursos de campanha ou doações de simpatizantes, sem prestação de contas formal.
Processos judiciais e despesas com advogados
Jair Bolsonaro é alvo de diversos processos judiciais, incluindo uma investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) que o acusa de envolvimento em uma suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
As despesas com advogados especializados em Direito Eleitoral, Penal e Constitucional têm sido apontadas como um dos maiores custos enfrentados por Bolsonaro desde o fim de seu mandato.
Além disso, o ex-presidente responde a investigações envolvendo a importação de joias da Arábia Saudita, a possível falsificação de cartões de vacinação contra a COVID-19 e a conduta em relação aos ataques de 8 de janeiro de 2023.
A estrutura de arrecadação e o uso do PIX
Desde que deixou a presidência, Bolsonaro tem mantido uma rede de financiamento baseada em doações espontâneas via PIX, além da tradicional vaquinha digital que já arrecadou milhões de reais.
A chave PIX, compartilhada abertamente por seus apoiadores nas redes sociais, é tratada como um canal direto de sustentação financeira, alimentando inclusive as redes sociais, aparições públicas e viagens realizadas pelo ex-presidente.
O modelo tem sido interpretado por aliados como uma forma de resistência política. Já os críticos apontam que a dependência de doações populares levanta dúvidas sobre a responsabilidade no uso dos recursos.
A ausência de prestação de contas formal
Até o momento, não há uma auditoria pública dos R$ 17 milhões arrecadados desde 2022. O valor de R$ 8 milhões mencionado por Gilson Machado como já utilizado preocupa até apoiadores, que cobram mais transparência.
Organizações especializadas em integridade pública alertam que campanhas de arrecadação feitas por figuras públicas devem ser acompanhadas por relatórios financeiros, sob risco de violação da confiança dos doadores.
A ausência de prestação de contas oficial pode se tornar um novo foco de questionamento por parte do Ministério Público e de órgãos de controle, dependendo da forma como os recursos foram movimentados.
Possível impacto eleitoral e projeções para 2026

A movimentação de Bolsonaro e a sua persistente presença nas redes sociais e na base conservadora mostram que o ex-presidente ainda atua fortemente nos bastidores da política nacional.
Com a possível candidatura de Eduardo Bolsonaro ao Senado, e a mobilização contínua dos seus aliados, Bolsonaro busca manter capilaridade política, mesmo sem mandato, em um cenário onde enfrenta crescente isolamento institucional.
A busca por apoio financeiro e político pode ser interpretada como um sinal de preparação para a disputa eleitoral de 2026, onde seu grupo tentará retomar espaços perdidos em cargos executivos e no Congresso Nacional.
Considerações finais
Mesmo com uma renda mensal próxima de R$ 100 mil, Jair Bolsonaro volta a pedir ajuda financeira de apoiadores, justificando um aumento significativo de despesas, especialmente com processos jurídicos e o apoio ao filho Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
A revelação de que parte do valor arrecadado com doações populares está sendo usado para manter o filho no exterior levanta questionamentos sobre a transparência e o uso dos recursos públicos e privados ligados à imagem do ex-presidente.
Em meio a investigações, críticas e movimentações políticas, Bolsonaro segue utilizando a estratégia de financiamento coletivo como instrumento de sustentação, polarização e mobilização, mantendo viva sua influência em parte significativa do eleitorado brasileiro.
O cenário para os próximos meses exigirá não apenas maior prestação de contas pública, mas também respostas institucionais sobre os limites do uso de recursos oriundos de doações políticas.




