Frederic Mark “Ric” Edelman é considerado uma das vozes mais respeitadas do mercado financeiro norte-americano. Fundador da Edelman Financial Services, atualmente Edelman Financial Engines, administra mais de US$ 200 bilhões e já foi eleito #1 Independent Financial Advisor pela revista Barron’s por três anos consecutivos.
Bitcoin como necessidade: Ric Edelman defende inclusão de cripto em todo portfólio
Ric Edelman, um dos maiores consultores financeiros dos EUA, afirma que ignorar o Bitcoin em um portfólio é um erro estratégico. Saiba mais detalhes.
Além disso, criou a Digital Assets Council of Financial Professionals (DACFP), uma entidade dedicada a educar profissionais sobre blockchain e ativos digitais.
Com dezenas de livros best-sellers, Edelman defende desde 2021 que ignorar Bitcoin e outros criptoativos em carteiras institucionais fere o dever fiduciário de buscar o melhor interesse do cliente.
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A ruptura com o modelo tradicional
Durante décadas, a alocação padrão de investimentos nos EUA se manteve próxima de 60% em ações e 40% em títulos governamentais. Esse modelo, considerado equilibrado, foi desenhado para oferecer crescimento e proteção.
Porém, Edelman sustenta que o mundo mudou. Segundo ele, o portfólio tradicional falha em enfrentar dois desafios centrais:
- Longevidade – Investidores vivem mais e precisam de ativos que acompanhem a inflação e gerem crescimento sustentável.
- Inovação Acelerada – Tecnologias como blockchain e inteligência artificial criam novas oportunidades de valorização que não existiam antes.
Por que incluir Bitcoin

Edelman não vê o Bitcoin apenas como uma aposta especulativa, mas como uma nova classe de ativo. Para ele, ignorar essa classe hoje é, na prática, especular contra ela.
O raciocínio é simples:
- Correlação baixa com ações e títulos → melhora a diversificação;
- Oferta limitada → potencial de valorização a longo prazo;
- Adoção crescente por empresas, governos e investidores institucionais.
Três perfis de investidor segundo Edelman
1. Perfil Conservador
- 60% em ações;
- 30% em títulos;
- 10% em cripto.
Esse perfil mantém a característica defensiva da renda fixa, mas introduz uma fatia mínima de Bitcoin para potencializar ganhos sem comprometer a segurança da carteira.
2. Perfil Moderado
- 50% em ações;
- 25% em títulos;
- 25% em cripto.
Aqui, a exposição a ativos digitais aumenta, buscando capturar uma parcela significativa do potencial de valorização histórica do Bitcoin, mas preservando uma reserva protetora em renda fixa.
3. Perfil Agressivo
- 40% em ações;
- 20% em títulos;
- 40% em cripto.
O objetivo é maximizar a exposição a ativos de crescimento, aceitando alta volatilidade em troca de potencial exponencial de retorno no longo prazo.
Impacto no risco e no retorno
Sharpe Ratio mais alto
Carteiras com Bitcoin apresentaram retorno ajustado ao risco superior, segundo análises históricas.
Volatilidade global menor
Curiosamente, a presença de cripto reduziu o desvio-padrão total da carteira quando houve rebalanceamento periódico.
Drawdown máximo reduzido
A magnitude das perdas em crises foi menor, contrariando a percepção de que o Bitcoin sempre aumenta o risco.
Sortino Ratio elevado
Melhora no desempenho ajustado apenas para oscilações negativas, reforçando a qualidade do retorno.
A matemática da assimetria
Segundo Edelman, o risco de perda absoluta é limitado:
- Se o Bitcoin for a zero, a queda proporcional no portfólio é muito menor que o percentual alocado.
- Se o Bitcoin chegar a US$ 1 milhão, a diferença no retorno é gigantesca — uma alocação de 25% pode dobrar o resultado comparado a um portfólio sem cripto.
Recomendações práticas de Edelman
Alocação Mínima
- 10% já altera o perfil de retorno sem comprometer a segurança.
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Ponto Ótimo
- 25% atende à fronteira eficiente da Teoria Moderna de Portfólio, maximizando risco-retorno.
Para Agressivos
- 40% ou mais podem gerar ganhos expressivos, mas exigem disciplina e rebalanceamento.
Como investir de forma segura
Edelman recomenda veículos que eliminem a complexidade operacional do Bitcoin:
- ETFs spot (como IBIT, da BlackRock);
- Fundos regulados;
- Empresas listadas com caixa em Bitcoin.
Essas opções oferecem exposição ao ativo sem lidar com custódia própria.
Cripto e a evolução da diversificação
A principal lição do modelo de Edelman é que diversificação no século XXI não se limita a ações e títulos. Comportamentos históricos de correlação e risco mostram que incluir ativos digitais pode melhorar a robustez da carteira e ampliar o potencial de retorno.
Críticas e resistências
Apesar dos números, ainda há resistência:
- Volatilidade do Bitcoin assusta investidores conservadores;
- Regulação em evolução cria incerteza;
- Desinformação leva à percepção equivocada de que cripto é “apenas especulação”.
Edelman argumenta que esses pontos são semelhantes às críticas que ações de tecnologia enfrentaram nos anos 90 — e que, com o tempo, a adoção institucional tende a estabilizar o mercado.
O futuro: Não é “se”, é “como”
Para Edelman, a questão central para gestores e investidores não é mais se devem incluir cripto, mas como fazê-lo. Ele acredita que, em 10 anos, será impensável que um portfólio institucional não tenha exposição a ativos digitais.
Considerações finais

O modelo defendido por Ric Edelman desafia o conservadorismo financeiro e propõe uma adaptação necessária à realidade econômica atual.
Com argumentos técnicos, métricas históricas e propostas claras para diferentes perfis de risco, ele deixa um recado direto: ignorar o Bitcoin é abrir mão de uma das maiores oportunidades de diversificação e retorno da história recente.
