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Bitcoin como necessidade: Ric Edelman defende inclusão de cripto em todo portfólio

Ric Edelman, um dos maiores consultores financeiros dos EUA, afirma que ignorar o Bitcoin em um portfólio é um erro estratégico. Saiba mais detalhes.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira5 min de leitura
bitcoin

Frederic Mark “Ric” Edelman é considerado uma das vozes mais respeitadas do mercado financeiro norte-americano. Fundador da Edelman Financial Services, atualmente Edelman Financial Engines, administra mais de US$ 200 bilhões e já foi eleito #1 Independent Financial Advisor pela revista Barron’s por três anos consecutivos.

Além disso, criou a Digital Assets Council of Financial Professionals (DACFP), uma entidade dedicada a educar profissionais sobre blockchain e ativos digitais.

Com dezenas de livros best-sellers, Edelman defende desde 2021 que ignorar Bitcoin e outros criptoativos em carteiras institucionais fere o dever fiduciário de buscar o melhor interesse do cliente.

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A ruptura com o modelo tradicional

Durante décadas, a alocação padrão de investimentos nos EUA se manteve próxima de 60% em ações e 40% em títulos governamentais. Esse modelo, considerado equilibrado, foi desenhado para oferecer crescimento e proteção.

Porém, Edelman sustenta que o mundo mudou. Segundo ele, o portfólio tradicional falha em enfrentar dois desafios centrais:

  1. Longevidade – Investidores vivem mais e precisam de ativos que acompanhem a inflação e gerem crescimento sustentável.
  2. Inovação Acelerada – Tecnologias como blockchain e inteligência artificial criam novas oportunidades de valorização que não existiam antes.

Por que incluir Bitcoin

Bitcoin
Imagem: Freepik

Edelman não vê o Bitcoin apenas como uma aposta especulativa, mas como uma nova classe de ativo. Para ele, ignorar essa classe hoje é, na prática, especular contra ela.

O raciocínio é simples:

  • Correlação baixa com ações e títulos → melhora a diversificação;
  • Oferta limitada → potencial de valorização a longo prazo;
  • Adoção crescente por empresas, governos e investidores institucionais.

Três perfis de investidor segundo Edelman

1. Perfil Conservador

  • 60% em ações;
  • 30% em títulos;
  • 10% em cripto.

Esse perfil mantém a característica defensiva da renda fixa, mas introduz uma fatia mínima de Bitcoin para potencializar ganhos sem comprometer a segurança da carteira.

2. Perfil Moderado

  • 50% em ações;
  • 25% em títulos;
  • 25% em cripto.

Aqui, a exposição a ativos digitais aumenta, buscando capturar uma parcela significativa do potencial de valorização histórica do Bitcoin, mas preservando uma reserva protetora em renda fixa.

3. Perfil Agressivo

  • 40% em ações;
  • 20% em títulos;
  • 40% em cripto.

O objetivo é maximizar a exposição a ativos de crescimento, aceitando alta volatilidade em troca de potencial exponencial de retorno no longo prazo.

Impacto no risco e no retorno

Sharpe Ratio mais alto

Carteiras com Bitcoin apresentaram retorno ajustado ao risco superior, segundo análises históricas.

Volatilidade global menor

Curiosamente, a presença de cripto reduziu o desvio-padrão total da carteira quando houve rebalanceamento periódico.

Drawdown máximo reduzido

A magnitude das perdas em crises foi menor, contrariando a percepção de que o Bitcoin sempre aumenta o risco.

Sortino Ratio elevado

Melhora no desempenho ajustado apenas para oscilações negativas, reforçando a qualidade do retorno.

A matemática da assimetria

Segundo Edelman, o risco de perda absoluta é limitado:

  • Se o Bitcoin for a zero, a queda proporcional no portfólio é muito menor que o percentual alocado.
  • Se o Bitcoin chegar a US$ 1 milhão, a diferença no retorno é gigantesca — uma alocação de 25% pode dobrar o resultado comparado a um portfólio sem cripto.

Recomendações práticas de Edelman

Alocação Mínima

  • 10% já altera o perfil de retorno sem comprometer a segurança.

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Ponto Ótimo

  • 25% atende à fronteira eficiente da Teoria Moderna de Portfólio, maximizando risco-retorno.

Para Agressivos

  • 40% ou mais podem gerar ganhos expressivos, mas exigem disciplina e rebalanceamento.

Como investir de forma segura

Edelman recomenda veículos que eliminem a complexidade operacional do Bitcoin:

  • ETFs spot (como IBIT, da BlackRock);
  • Fundos regulados;
  • Empresas listadas com caixa em Bitcoin.

Essas opções oferecem exposição ao ativo sem lidar com custódia própria.

Cripto e a evolução da diversificação

A principal lição do modelo de Edelman é que diversificação no século XXI não se limita a ações e títulos. Comportamentos históricos de correlação e risco mostram que incluir ativos digitais pode melhorar a robustez da carteira e ampliar o potencial de retorno.

Críticas e resistências

Apesar dos números, ainda há resistência:

  • Volatilidade do Bitcoin assusta investidores conservadores;
  • Regulação em evolução cria incerteza;
  • Desinformação leva à percepção equivocada de que cripto é “apenas especulação”.

Edelman argumenta que esses pontos são semelhantes às críticas que ações de tecnologia enfrentaram nos anos 90 — e que, com o tempo, a adoção institucional tende a estabilizar o mercado.

O futuro: Não é “se”, é “como”

Para Edelman, a questão central para gestores e investidores não é mais se devem incluir cripto, mas como fazê-lo. Ele acredita que, em 10 anos, será impensável que um portfólio institucional não tenha exposição a ativos digitais.

Considerações finais

Bitcoin
Imagem: Creativan / shutterstock

O modelo defendido por Ric Edelman desafia o conservadorismo financeiro e propõe uma adaptação necessária à realidade econômica atual.

Com argumentos técnicos, métricas históricas e propostas claras para diferentes perfis de risco, ele deixa um recado direto: ignorar o Bitcoin é abrir mão de uma das maiores oportunidades de diversificação e retorno da história recente.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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