A solidão é um problema crescente na sociedade contemporânea e, entre os idosos, pode ser considerada uma questão de saúde pública. No Brasil, dados do Censo 2022 do IBGE revelam que 28,7% dos domicílios com idosos contam com moradores vivendo sozinhos, o que equivale a aproximadamente 5,66 milhões de pessoas.
Robôs de IA chegam para reduzir a solidão entre idosos; entenda
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A falta de companhia e o isolamento social podem afetar a saúde mental, física e social dos idosos, aumentando o risco de depressão, demência e doenças crônicas.
Para enfrentar essa realidade, empresas de tecnologia têm desenvolvido robôs de inteligência artificial (IA) projetados para fazer companhia aos idosos, lembrá-los de tomar medicamentos e até monitorar sua saúde em tempo real. Um exemplo emblemático é o Hyodol, criado na Coreia do Sul.
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Como o Hyodol ajuda os idosos
O Hyodol é equipado com um chatbot baseado no ChatGPT, capaz de iniciar conversas naturais com os usuários. Entre suas funções estão:
- Monitoramento de movimentos e alertas de emergência: sensores integrados detectam quedas ou comportamentos incomuns, acionando familiares ou cuidadores.
- Registro e análise de humor: o robô observa respostas emocionais e comportamentais, oferecendo dados úteis para acompanhamento psicológico.
- Sinalização de riscos: qualquer anomalia no comportamento do idoso é comunicada à equipe de cuidadores.
- Companhia constante: o fator mais valorizado pelos idosos, reduzindo sentimentos de solidão.
Desde 2019, a prefeitura de Gungdong distribuiu 412 unidades do Hyodol para idosos, totalizando mais de 12 mil robôs ativos em todo o país.
Por que a Coreia do Sul lidera o uso de robôs para idosos
O envelhecimento acelerado da população sul-coreana impulsiona a demanda por soluções tecnológicas. A taxa de fertilidade do país é de apenas 0,75 filhos por mulher, muito inferior à média global e à brasileira, que registra 1,62 filhos por mulher. Além disso, o modelo de lares multigeracionais vem desaparecendo, deixando os idosos mais vulneráveis à solidão.
Segundo Kim Sun-hwa, diretora do Centro de Bem-Estar de Gungdong, “o que os idosos mais temem não é a morte, mas a solidão”. Essa percepção reforça a necessidade de tecnologias que possam atuar como companhias confiáveis, oferecendo apoio emocional e físico.
Robôs de IA em outros países
A Coreia do Sul não é a única a adotar robôs para idosos. Diversos países já exploram tecnologias similares, adaptadas às suas culturas:
Japão: robôs em formato de animais
No Japão, robôs em forma de foca são utilizados para proporcionar conforto emocional. Eles ronronam, piscam os olhos e até movimentam a cauda, oferecendo interação sensorial que ajuda a reduzir a ansiedade e a depressão entre idosos.
Estados Unidos: ElliQ em Nova York
Em Nova York, o robô ElliQ, com design que lembra uma luminária animada, atua como assistente pessoal, lembrando os idosos de tarefas diárias e promovendo conversas interativas.
Singapura: Dexie e atividades sociais
Em instituições de Singapura, o robô humanoide Dexie conduz sessões de bingo e outras atividades em grupo, estimulando a interação social entre idosos e prevenindo o isolamento.
O Hyodol se prepara para expandir sua atuação internacionalmente, com adaptações de idioma e aparência para diferentes países, incluindo Estados Unidos, Japão e China.
Benefícios psicológicos e sociais do uso de robôs
Redução da solidão
A solidão prolongada pode aumentar o risco de depressão, declínio cognitivo e doenças cardiovasculares. Robôs como o Hyodol proporcionam interação constante, reduzindo o isolamento social e estimulando conversas diárias.
Monitoramento preventivo
Além da função emocional, os robôs monitoram sinais vitais e comportamento, permitindo intervenção precoce em casos de emergência, como quedas ou alterações na saúde mental.
Suporte a cuidadores e familiares
Os dados coletados pelos robôs auxiliam cuidadores e familiares na tomada de decisões, garantindo que a atenção às necessidades do idoso seja contínua e personalizada.
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Desafios e questões éticas
Privacidade de dados
O uso de robôs de IA levanta preocupações sobre privacidade. Dados sobre comportamento, saúde e humor são coletados em tempo real, mas ainda não há transparência suficiente sobre como essas informações são armazenadas ou compartilhadas.
Julie Carpenter, pesquisadora do Grupo de Ética e Ciências Emergentes da Universidade Estadual da Califórnia, alerta que “não sabemos como os dados estão sendo triangulados ou coletados, nem quanto deles está vinculado ao nome ou perfil de uma pessoa”.
Balanço entre segurança e liberdade
Para o CEO da Hyodol, Kim Ji-hee, “há um consenso cultural de que salvar vidas supera as preocupações com privacidade”. No entanto, é essencial que políticas de proteção de dados sejam implementadas para proteger os usuários e garantir que a tecnologia seja usada de forma ética.
Futuro dos robôs de companhia

O mercado de robôs para idosos deve crescer significativamente nos próximos anos, especialmente em países com envelhecimento populacional acelerado. Empresas de tecnologia investem em:
- Customização de aparências e vozes: para se aproximar da cultura local e das preferências individuais.
- Expansão de funcionalidades: incluindo exercícios físicos guiados, lembretes de hidratação e acompanhamento médico remoto.
- Integração com casas inteligentes: permitindo que os robôs controlem iluminação, temperatura e dispositivos domésticos para o conforto do idoso.
Essa evolução promete transformar o cuidado com idosos, tornando-o mais eficiente, seguro e humanizado, ao mesmo tempo em que promove inclusão social e bem-estar emocional.
Considerações finais
O avanço dos robôs de IA no cuidado de idosos representa uma inovação significativa no enfrentamento da solidão e na promoção da saúde mental. Embora questões éticas e de privacidade precisem ser cuidadosamente avaliadas, os benefícios observados em países pioneiros indicam que a tecnologia pode ser uma aliada valiosa para famílias, cuidadores e para os próprios idosos.
À medida que o envelhecimento populacional se acelera globalmente, soluções como o Hyodol, ElliQ e Dexie devem se tornar cada vez mais presentes, redefinindo o conceito de companhia e assistência para a terceira idade.
Imagem: Freepik
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