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Privatização da Sabesp gera aumento nas demissões; veja o que muda

Privatização da Sabesp aumenta demissões e muda saneamento. Investimento de R$ 70 bi e ampliação da tarifa social para famílias vulneráveis.

Bianca BorgesPor Bianca Borges6 min de leitura
Sabesp

A privatização da Sabesp, maior companhia de saneamento do Brasil, completa um ano e já provoca impactos significativos no quadro funcional e na gestão do saneamento no estado de São Paulo.

Desde 23 de julho de 2024, quando foi concluída a venda de parte das ações da estatal, as demissões aumentaram expressivamente.

Ao mesmo tempo, a empresa intensifica um plano robusto de investimentos, com cerca de R$ 70 bilhões previstos até 2029.

Esse plano inclui a promessa de universalizar antecipadamente os serviços de água e esgoto.

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Privatização: histórico e contexto

Tarifa social paulista
Imagem: Divulgação / Sabesp

Marco do saneamento e mudanças contratuais

O processo que culminou na privatização da Sabesp teve início em 2021, em meio à aprovação do novo Marco Legal do Saneamento Básico.

A legislação alterou o modelo de contratos, permitindo maior participação da iniciativa privada na gestão do saneamento público. A Sabesp, que já tinha ações negociadas em bolsa, tinha o controle majoritário (50,3%) nas mãos do governo estadual.

Adesão da capital paulista

O passo decisivo para a concretização da venda foi a aprovação da adesão da cidade de São Paulo ao novo modelo, em 2023, pela Câmara dos Vereadores. Como a capital responde por metade dos negócios da Sabesp, essa decisão tornou o processo mais atrativo para investidores privados.

Venda das ações e perfil dos investidores

Em julho de 2024, 32% das ações da Sabesp foram vendidas por R$ 14,7 bilhões. A Equatorial Participações e Investimentos adquiriu 15%, tornando-se o acionista privado majoritário. Outros 17% foram vendidos a pessoas físicas, jurídicas e funcionários.

O preço da ação na venda foi fixado em R$ 67, abaixo do valor de mercado, que hoje ultrapassa R$ 110.

Impactos para os trabalhadores da Sabesp

Demissões e clima de insegurança

Desde a privatização, a Sabesp reduziu seu quadro em cerca de 10%, com mais de 2 mil demissões confirmadas, sendo 1 mil só no primeiro trimestre de 2025.

O Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema) alerta para um clima de apreensão dentro da empresa.

José Faggian, presidente do sindicato, destaca que muitos trabalhadores aderiram ao Plano de Demissão Voluntária (PDV) pressionados pelas incertezas e pela pressão das chefias.

A preocupação do sindicato é que a perda do controle público reduza a influência do governo nas decisões estratégicas, favorecendo terceirizações e redução salarial.

Riscos à qualidade dos serviços

Com menos funcionários, aumentam os riscos de acidentes e falhas na manutenção. Em 2025, a Sabesp já enfrentou dois grandes vazamentos de esgoto — um próximo à Rodovia Castelo Branco e outro na Represa do Guarapiranga, que abastece a região metropolitana.

O sindicato também critica o plano de universalização até 2029, alertando que comunidades periféricas podem ser excluídas.

Denúncias de aumento abusivo nas tarifas

Após a privatização, começaram a surgir denúncias de aumentos abusivos na conta de água e esgoto, chegando a quintuplicar valores para algumas famílias da Grande São Paulo.

Isso motivou pedidos de investigação na Câmara de Vereadores de São Paulo e em municípios como Carapicuíba, onde comissões locais ainda apuram as denúncias.

Nova política da Sabesp

Foco em eficiência e inovação

A Sabesp ressalta que a reestruturação busca maior eficiência, valorização dos colaboradores e preparo para os desafios futuros.

A empresa reforça que a redução do quadro ocorreu, em parte, devido à adesão ao PDV e à adoção de novas tecnologias, como satélites para localizar vazamentos e inteligência artificial para fiscalização.

Terceirização e geração de empregos

Embora o quadro próprio tenha encolhido, a Sabesp aposta na contratação de terceirizados, estimando a geração de 40 mil empregos diretos e indiretos nos próximos dois anos. A companhia garante que a Agência Reguladora (Arsesp) monitora o impacto dessas mudanças na qualidade dos serviços.

Investimentos bilionários para universalização

O plano de investimentos da Sabesp prevê cerca de R$ 70 bilhões até 2029, antecipando a universalização do saneamento em quatro anos.

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Para isso, a empresa tem buscado captação no mercado financeiro, incluindo a emissão de R$ 1 bilhão em debêntures, para financiar obras e ampliar o acesso à água e esgoto.

Lucros e dividendos após privatização

Mudança na política de distribuição de lucros

Com a participação maior da iniciativa privada, a Sabesp ajustou sua política de dividendos.

A distribuição, que era de 25% do lucro líquido até 2024, deve subir para 50% em 2026-2027, chegando a 100% a partir de 2030. Isso aumenta o fluxo de caixa para acionistas, mas levanta questionamentos sobre o equilíbrio entre lucro e investimento social.

Crescimento financeiro

O balancete recente mostra aumento do capital social da Sabesp para R$ 38,3 bilhões e crescimento na receita, puxado pela ampliação da base de clientes, reajustes tarifários e crescimento no consumo. A tarifa social também foi ampliada, beneficiando 70% mais famílias vulneráveis desde o fim de 2024.

Fiscalização e regulação pós-privatização

Transferência para Arsesp

Com a privatização, a fiscalização dos serviços da Sabesp passou da Cetesb e secretarias estaduais para a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp). A agência atualizou normas e aprimorou métodos para garantir qualidade, investimentos e universalização.

Medidas regulatórias

Entre as ações da Arsesp estão a revisão dos procedimentos fiscalizatórios, ajustes na tarifa social e o monitoramento rigoroso dos indicadores contratuais. O primeiro relatório público sobre a nova concessão está previsto para o final de 2025.

Programa Tarifa Social Paulista

Sabesp
Imagem: spider_mani / Unsplash

Em julho de 2025, o governo estadual lançou o programa Tarifa Social Paulista, que oferece descontos entre 22% e 78% para famílias em vulnerabilidade social atendidas pela Sabesp. A medida visa mitigar os impactos tarifários sobre os consumidores mais vulneráveis e ampliar o acesso ao saneamento básico.

Conclusão

Um ano após a privatização, a Sabesp passa por transformações profundas: aumento das demissões, reestruturação e investimentos bilionários para universalizar o saneamento em São Paulo.

Enquanto o governo e a empresa destacam os avanços e o compromisso com a qualidade, trabalhadores e entidades sindicais denunciam precarização, riscos ambientais e aumentos tarifários preocupantes.

A regulação mais rígida e programas sociais como a Tarifa Social Paulista buscam equilibrar interesses, mas o cenário segue complexo e de grande atenção pública.

Bianca Borges

Autor

Bianca Borges

Bianca Borges é estudante de Publicidade e desenvolvedora em formação, com paixão por cultura pop, tecnologia e universos geek. Fã de Star Wars, DC Comics, RPG e The Walking Dead, ela traz sua visão criativa e analítica para o time do Seu Crédito Digital, colaborando na produção de conteúdos relevantes sobre consumo, serviços públicos e finanças do dia a dia. Com estilo descontraído e foco em clareza, Bianca ajuda leitores a entender temas complexos com leveza e precisão.

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