Na década de 1990, os carros populares eram responsáveis por movimentar, principalmente, o mercado automotivo. Entretanto, três décadas depois, os preços dos automóveis estão nas alturas. Muitos desconfiam dos motivos, porém nenhum fator isolado é o único vilão.
Na última semana, Geraldo Alckmin, vice-presidente da República, divulgou uma provável redução no preço dos veículos. Contudo, de acordo com estudo feito pela Jato Dynamics, o valor médio dos carros “populares” vendidos no Brasil supera os R$ 140 mil.
Os dados são de abril desse ano. Em comparação com o mesmo período em 2017, o aumento é estrondoso. Seis anos atrás, o valor desses carros era de R$ 70,8 mil.
O que contribui para a alta nos preços dos carros?
Em primeiro lugar, um dos principais fatores que pesam na hora de comprar um carro zero km são os tributos. Em geral, cerca de 30% a 50% do valor do veículo corresponde a impostos. Além disso, é preciso levar em consideração que o custo para fabricar um carro no Brasil é maior em relação a outros lugares.
De acordo com o diretor de desenvolvimento de negócios da Jato Dynamics no Brasil, Milad Kalume Neto, como o país possui um enorme território continental, geralmente, o transporte de mercadorias acontece via estradas. Portanto, o custo dos combustíveis, encargos trabalhistas e outros fatores encarecem o produto final.
Quais são os outros vilões?
É inegável que a pandemia do Coronavírus impactou diferentes esferas da sociedade. Nesse sentido, um dos mais afetados foi o setor automotivo. Devido ao lockdown, inúmeras montadoras se viram obrigadas a interromper a produção. Naturalmente, o preço das peças aumentou, bem como os índices da inflação.
Para ilustrar esse cenário, de 2017 até hoje, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, indicou uma alta de 39,25%. No entanto, esse número indica “somente” a inflação geral no Brasil. No caso dos automóveis, o valor é muito maior.
Por fim, outro aspecto que contribui para o aumento dos preços é, justamente, a menor demanda. Nos últimos anos, os brasileiros estão comprando menos automóveis. Segundo o levantamento da Jato, em 2022, as vendas de carros para pessoas jurídicas foram maiores do que para pessoas físicas.
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