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Saiba tudo sobre a volta do carro popular de R$ 50 mil!

A volta do carro popular de R$ 50 mil está mexendo com o mercado de carros no país, pois pode baixar os preços. Clique acima e saiba mais!

Editor de Finanças e InvestimentoPor Editor de Finanças e Investimento8 min de leitura
Imagem da frente de alguns carros.

A volta do carro popular ao preço de R$ 50 mil ganhou os holofotes do noticiário nas últimas semanas. Não é novidade para ninguém que os preços dos carros subiram – e muito –, mesmo com as vendas caindo.

Em uma tentativa de mudar esse cenário, o governo preparou um pacote de medidas para estimular a produção e a venda de veículos com preços mais acessíveis.

Siga a leitura para saber melhor tudo o que está acontecendo!

Atualização: este texto descreve o pacote lançado em 2023. Mais adiante, explicamos como ele terminou e o que veio depois, incluindo o programa que segue vigente em 2026.

Por que o preço dos carros subiram tanto?

Não é mais novidade para ninguém que os preços dos automóveis subiram bastante nos últimos anos, muito acima da inflação. Se antes tínhamos, por exemplo, o carro de entrada no Brasil custando por volta de R$ 45 mil, hoje o modelo mais em conta fica na casa dos R$ 70 mil, facilmente. Mas o que explica tamanha avanço de preço em apenas 3 anos?

Logicamente, o principal acontecimento responsável pelo aumento generalizado de preços foi a crise causada pela pandemia. O evento atingiu todo o planeta e, com isso, as cadeias de fornecimento foram duramente afetadas. Toda a logística mundial precisou ser interrompida para que o fluxo de pessoas nas fábricas e nos portos não aumentasse a contaminação.

Com os portos fechados, portanto, houve o consequente desabastecimento de produtos. Alguns itens até pararam sua produção e, no caso da indústria automobilística, os artefatos necessários à produção de automóveis ficaram escassos e isso aumentou seu valor. Como consequência, o produto final que é o carro teve seu valor drasticamente elevado.

Outro ponto bastante sensível nessa discussão e que merece atenção, contudo, é o preço das commodities. Este fator influencia muito na produção dos carros, pois o aço é uma commodity que tem seu preço regulado pelo mercado internacional. Com a crise da pandemia, portanto, esses valores aumentaram bastante.

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Com o preço dos carros custando mais – e os modelos mais baratos saindo na faixa dos R$ 70 mil –, o Governo Federal resolveu lançar um pacote de medidas que buscam baratear e torná-lo mais acessível.

A ideia é estimular novamente o consumo, já que mesmo com as vendas em baixa os preços continuam subindo.

Um dos incentivos para que houvesse esse olhar para o mercado automobilístico brasileiro foi o encontro de sindicalistas e diretores do setor com o presidente da República. Na ocasião, foi entregue um estudo com diversas informações e ideias possíveis de serem implementadas e que ajudam a esvaziar o estoque dos pátios, que hoje estão cheios.

Entre as medidas sugeridas pelo estudo, estava exatamente promover o chamado “carro popular”. Ele custaria algo entre R$ 50 e R$ 60 mil, a depender do modelo.

E para que ele fosse acessível à população, o estudo também previa a concessão de linhas de crédito com prazo mais estendido, com um possível subsídio dos juros.

O estudo também contemplava um item fundamental para a redução no preço final dos carros: a nacionalização de um número de peças ainda maior.

Essa medida, além de tornar o preço mais em conta, também reduziria a quantidade de etapas para a fabricação do carro, acelerando o processo produtivo.

Renovação de frota

Outra alternativa do programa entregue ao presidente era o estímulo à renovação da frota dos veículos que operam na modalidade de transporte por aplicativo. Muitos desses carros são comprados por locadoras e alugados para pessoas que trabalham nessa profissão. Com a renovação da frota, mais carros seriam vendidos.

Por fim, existe uma ideia de implantar a descarbonização do parque de veículos brasileiros pelos próximos 12 anos e um incentivo à linha de crédito para carros elétricos, além de dar apoio para projetos nacionais. A ideia é aumentar o grau de tecnologia dos carros que rodam no Brasil ao longo do tempo no médio prazo.

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Imagem: lumen-digital / Shutterstock.com

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Como o pacote incentivará o carro popular?

Depois de anunciar que o pacote seria lançado, o governo precisou lançá-lo de fato porque houve uma parada nas compras. Todos que estavam prestes a comprar um carro esperaram as medidas, lógico. Com isso, houve um freio nas vendas.

Dessa forma, o programa acabou sendo lançado no dia 5 de junho e trouxe as “regras do jogo”. A primeira delas é que nos primeiros 15 dias, as vendas sob o programa serão destinadas apenas para pessoas físicas. Só depois disso é que as empresas poderão comprar nas mesmas condições.

Outro ponto é o prazo de validade do programa. Infelizmente ele não durará para sempre. O crédito de desconto concedido pelo Governo Federal foi de R$ 1,5 bilhão no total, sendo R$ 500 milhões para os carros de passeio. Assim que esse dinheiro acabar, o programa acaba. Ou então depois de 4 meses, o que ocorrer primeiro.

Por fim, existem os critérios para atribuir o desconto. Eles ficaram definidos em 3 critérios: eficiência energética, densidade industrial e menor preço. Assim, quanto menor o preço, maior será o desconto. 

No final das contas, o desconto será aplicado em carros com valor abaixo de R$ 120 mil e irá de R$ 2 mil até R$ 8 mil, divididos em 7 faixas diferentes. As montadoras ainda vão indicar quais serão os seus modelos que participarão do programa para que o consumidor compre os carros com esse desconto.

Que carros são os candidatos ao título de carro popular no Brasil nesse momento?

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Existem alguns modelos que podem ser apontados como fortes candidatos ao título de carro popular nesse momento. Conforme o jornal Folha de S. Paulo, a maior redução de preço poderá ser vista no Renault Kwid, que já é anunciado pela montadora com o valor de R$ 58.990,00. Esse preço é R$ 10 mil mais barato com as medidas anunciadas.

Outro modelo com forte tendência de queda nos preços é o Mobi Like, da Fiat. Existe até uma mensagem da montadora em seu site dizendo que haverá uma oferta em breve com preços reduzidos. A expectativa de redução é dos atuais 68.990,00 para menos de R$ 60 mil.

Já a Volkswagen retirou os preços dos carros de sua página na internet e disse em nota à Folha que suas concessionárias estão aptas a ofertar um bônus de até R$ 5 mil nos carros. Enquanto isso, a Hyundai ofereceu uma promoção no seu modelo HB20 1.0 Sense, de R$ 82.290,00 para R$ 74.290. Um desconto de R$ 8 mil.

Por fim, existe uma alternativa que corre por fora e vem da montadora Toyota. É o Vitz, um modelo hatch que atualmente é comercializado na África por U$ 9.990,00. Se ele realmente for colocado no mercado brasileiro pela conversão direta, seu preço final ficaria por volta de R$ 50 mil, um valor bem atrativo para o mercado nacional no momento.

O que acontece com a economia após o pacote de carro popular a R$ 50 mil?

Mais do que oferecer opções mais acessíveis, o pacote do carro popular a R$ 50 mil tem outros objetivos. Estudos apontam três possíveis cenários em relação ao setor automobilístico do país, após as medidas.

No primeiro e mais otimista deles, o Brasil faria uma espécie de transição qualificada em relação à sua tecnologia de produção de autos, tornando-se um centro produtivo relevante. 

Já no segundo cenário, o Brasil poderia ficar estagnado por não adequar seu parque fabril e isso o tornaria um dos últimos centros de produção de carros movidos à combustão.

Por fim, o terceiro cenário seria o de irrelevância global, sem a inovação da cadeia produtiva e com a completa importação de veículos mais avançados tecnologicamente.

Entender o movimento de volta do carro popular de R$ 50 mil é muito importante nesse momento, principalmente se você pensa em comprar um carro atualmente.

Com a implementação de um programa dessa natureza, certamente o preço de todos os carros sofreriam uma queda, tanto de veículos novos como de carros usados – ao menos é isso que se espera.

O que aconteceu com o carro popular depois?

O pacote de incentivos descrito ao longo deste texto foi mesmo lançado em junho de 2023 e, segundo o próprio governo, foi um sucesso: o programa chegou ao fim em julho daquele ano, após viabilizar a venda de cerca de 125 mil veículos com desconto, esgotando a verba destinada à iniciativa antes mesmo do prazo máximo de 4 meses previsto.

Depois desse pacote pontual, o governo optou por uma política mais duradoura para carros populares e sustentáveis. Em 2025, foi lançado o Programa Carro Sustentável (também chamado de IPI Verde), que criou um novo sistema de tributação e passou a conceder isenção ou redução do IPI para modelos mais eficientes e menos poluentes. Em 2026, esse programa segue em vigor e sua lista de veículos beneficiados continua sendo atualizada periodicamente, incluindo lançamentos recentes como a Volkswagen Tera. Hoje, carros populares como Fiat Mobi, Renault Kwid, Fiat Argo, Chevrolet Onix e Hyundai HB20 seguem entre as opções de melhor custo-benefício para quem busca um veículo por até R$ 50 mil no Brasil.

(Com Ronaldo Araújo)

Imagem: Mikbiz/Shutterstock.com

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