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Santa Catarina se afasta do Enem: o que está por trás dessa decisão?

Santa Catarina registra adesão abaixo da média ao Enem 2025. Entenda os motivos, impactos na educação e estratégias para aumentar a participação.

Bruna MachadoPor Bruna Machado6 min de leitura
INEP

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é uma das principais ferramentas de acesso à educação superior no Brasil. Criado em 1998 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), o exame tinha como objetivo inicial avaliar a qualidade do ensino médio, mas, com o tempo, tornou-se essencial para ingresso em universidades públicas e privadas.

Por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), do Programa Universidade para Todos (Prouni) e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), o Enem se consolidou como um instrumento estratégico de democratização do ensino superior.

Apesar da importância do exame, Santa Catarina apresenta uma das menores taxas de adesão do país entre estudantes do 3º ano do ensino médio da rede pública. Apenas 56,06% dos concluintes confirmaram participação no Enem 2025, bem abaixo da média nacional de 72% e distante dos 96,78% registrados no Ceará, segundo dados do Ministério da Educação (MEC).

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O papel do Enem na educação superior brasileira

Imagem: Shutterstock e Freepik

O Enem vai muito além de uma simples prova. Ele é utilizado:

  • Como critério de seleção para o Sisu, que distribui vagas em universidades públicas;
  • Como nota para pleitear bolsas de estudo integrais e parciais no Prouni;
  • Como exigência para solicitar crédito educativo via Fies;
  • Em instituições internacionais, como várias universidades portuguesas, que aceitam a nota do Enem como parte do processo seletivo.

Por isso, a participação no exame é um passaporte para oportunidades educacionais e profissionais em diferentes regiões e até fora do país.

A baixa adesão em Santa Catarina: o que os números revelam

Segundo o levantamento do MEC, o percentual de participação dos estudantes catarinenses no Enem 2025 é preocupante. Entre os 110.465 inscritos no estado, muitos não são estudantes do terceiro ano da rede pública, o que agrava ainda mais o cenário educacional local.

A taxa de 56,06% representa não apenas uma estatística, mas uma sinalização de desigualdade no acesso às oportunidades acadêmicas e possíveis barreiras culturais, informacionais e institucionais.

Por que Santa Catarina tem baixa participação no Enem?

Estrutura educacional local influencia o cenário

A Secretaria de Estado da Educação de Santa Catarina (SED-SC) aponta que muitos estudantes locais optam por ingressar em instituições comunitárias ou privadas do estado, que possuem processos seletivos próprios e não exigem a nota do Enem. Isso faz com que o exame seja visto como opcional, especialmente em regiões onde a oferta educacional é ampla e diversificada.

Percepção sobre o Enem

A secretária de Educação, Luciane Ceretta, explica que muitos estudantes e famílias não compreendem a importância estratégica do Enem. A ausência de uma cultura que valorize o exame como porta de entrada para o ensino superior público nacional contribui para a baixa adesão.

Acesso à informação

Outro fator relevante é a falta de campanhas eficazes de conscientização, sobretudo em escolas públicas. A ausência de orientação adequada pode impedir que os jovens compreendam o potencial transformador do Enem.

Comparativo com outros estados

O caso do Ceará, que atingiu 96,78% de adesão, mostra que políticas públicas voltadas à mobilização estudantil podem gerar resultados expressivos. Com forte investimento em programas de incentivo à educação e preparação para o Enem, o estado nordestino conseguiu engajar sua rede de ensino e aumentar a participação dos estudantes no exame.

Estratégias para aumentar a adesão em Santa Catarina

A SED-SC reconhece a necessidade de ações coordenadas para reverter o cenário. Entre as propostas discutidas, estão:

Campanhas de informação e conscientização

Palestras, rodas de conversa, distribuição de cartilhas informativas e o uso das redes sociais podem ajudar a mostrar aos estudantes e suas famílias os benefícios concretos de fazer o Enem.

Parcerias com universidades

Instituições públicas e privadas podem participar desse processo, oferecendo iniciativas de acolhimento, visitas a campi e orientação vocacional, para motivar os alunos a participarem da prova.

Oficinas de preparação

A criação de aulas extras, simulados e mentorias específicas para o Enem pode reduzir o medo e a ansiedade dos estudantes em relação ao exame, aumentando a confiança e o interesse pela prova.

Como a participação no Enem pode transformar vidas

Enem
Imagem: Brenda Rocha – Blossom / shutterstock

Participar do Enem pode representar um divisor de águas na trajetória de muitos jovens. Além de abrir portas para universidades públicas de excelência, o exame permite:

  • Acesso a bolsas de estudo em faculdades privadas;
  • Financiamento estudantil com juros baixos ou nulos;
  • Maior mobilidade geográfica e social;
  • Currículo valorizado, pois o desempenho no Enem é reconhecido nacional e internacionalmente.

Oportunidades internacionais

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Graças a acordos firmados entre o INEP e diversas universidades portuguesas, estudantes brasileiros que obtêm boas notas no Enem podem concorrer a vagas em instituições renomadas na Europa, sem precisar realizar vestibulares adicionais.

Enem 2025: datas, números e expectativa

As provas do Enem 2025 estão marcadas para os dias 9 e 16 de novembro. Ao todo, 4,8 milhões de estudantes em todo o Brasil se inscreveram para o exame.

Em Santa Catarina, o número de 110.465 inscritos ainda é considerado baixo para os padrões do estado, principalmente considerando a quantidade de alunos concluintes do ensino médio.

O desafio das desigualdades regionais

O caso de Santa Catarina escancara uma realidade comum no Brasil: a disparidade regional na valorização e no acesso ao Enem. Enquanto algumas regiões investem intensamente na preparação e no engajamento estudantil, outras enfrentam barreiras estruturais, econômicas ou culturais.

A superação desses desafios exige ação conjunta entre governo, escolas, universidades, famílias e sociedade civil.

O papel das escolas públicas

As escolas da rede pública são protagonistas na mobilização para o Enem. São nelas que muitos jovens têm seu primeiro contato com o exame, suas regras, seu conteúdo e sua importância.

É fundamental que gestores, coordenadores e professores sejam capacitados para orientar, estimular e preparar os estudantes para a prova. A formação de comissões internas do Enem pode ser uma boa estratégia para aumentar o engajamento.

O Enem como avaliação da qualidade educacional

Imagem: Canva

Mais do que instrumento seletivo, o Enem também é utilizado como indicador da qualidade do ensino médio. A performance dos alunos nas provas de Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza e Ciências Humanas serve como termômetro da aprendizagem nas escolas brasileiras.

Portanto, quanto maior a adesão ao Enem, mais realista é o retrato da educação pública em cada estado e município. Essa avaliação é essencial para a formulação de políticas educacionais eficientes.

Considerações finais

A baixa adesão ao Enem em Santa Catarina chama atenção para a necessidade de ações educativas, informativas e motivacionais voltadas aos estudantes da rede pública.

Embora o estado conte com uma rede sólida de instituições de ensino superior, a ausência no exame representa perda de oportunidades e visibilidade nacional.

O Enem é mais do que uma prova. É uma janela para o futuro, um elo entre o presente escolar e o futuro universitário, profissional e social. Investir em sua valorização é investir no desenvolvimento humano, na inclusão e na equidade.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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