O aumento significativo dos casos de sarampo nas Américas em 2025 levou o Ministério da Saúde do Brasil a reforçar sua vigilância epidemiológica, especialmente nas regiões de fronteira.
O estado do Acre foi o primeiro a iniciar uma mobilização ampla de imunização, com o chamado Dia D de vacinação em municípios que fazem divisa com a Bolívia, país que vive um surto da doença.
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A ação faz parte de uma estratégia nacional para proteger o território brasileiro da reintrodução do vírus, após o país ter sido recertificado em 2024 como livre do sarampo.
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Casos sobem nas Américas e OMS emite alerta
De acordo com dados da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), até julho de 2025 foram registrados 108 mil casos confirmados de sarampo no mundo, sendo 7.132 apenas nas Américas, com 13 mortes. Entre os países mais afetados na região estão:
- Canadá: 3.170 casos (1 morte);
- México: 2.597 casos (9 mortes);
- Estados Unidos: 1.227 casos (3 mortes);
- Bolívia: 60 casos confirmados;
- Argentina, Belize e Peru: também relataram ocorrências.
A OPAS destacou o risco de reintrodução do vírus em países que haviam erradicado a doença, como o Brasil.
Ações no Brasil: foco nas fronteiras e alta cobertura vacinal
Acre lidera com Dia D de vacinação
O estado do Acre foi escolhido para inaugurar a intensificação da vacinação. Dos 22 municípios acreanos, sete fazem fronteira com a Bolívia: Acrelândia, Assis Brasil, Brasileia, Capixaba, Epitaciolândia, Plácido de Castro e Xapuri.
Com apoio das gestões estadual e municipais, a ação envolve:
- Vacinação com a tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola);
- Aplicação de doses extras da vacina dupla viral para crianças de 6 a 11 meses;
- Atualização da caderneta vacinal de adolescentes, jovens e estudantes que circulam entre Bolívia e Brasil.
Vacinação nacional: números atualizados
Em 2025, o Brasil já distribuiu mais de 12 milhões de doses da vacina tríplice viral, com 2,4 milhões de doses aplicadas até o momento. A meta é manter a cobertura vacinal acima de 95%, nível considerado ideal para evitar surtos.
Estratégias complementares do governo
Capacitação e vigilância ativa
Além da vacinação, o Ministério da Saúde realiza uma série de seminários e treinamentos voltados para profissionais da rede pública. Os eventos ocorrem em Rio Branco e Brasiléia, com foco em:
- Manejo clínico de casos suspeitos;
- Vigilância ativa e rastreamento em regiões de fronteira;
- Diagnóstico laboratorial e notificação imediata;
- Ações coordenadas com autoridades da Bolívia.
Reforço internacional: doação de vacinas
Em apoio ao combate ao surto na Bolívia, o Brasil disponibilizou 600 mil doses da vacina contra o sarampo para doação, reafirmando seu compromisso com a saúde pública regional.
Próximos passos: expansão da vacinação para outras regiões
Dia D em outros estados de fronteira
O Ministério da Saúde já anunciou a expansão da campanha para outras unidades da federação que fazem divisa com países afetados. Em 26 de julho, haverá o Dia D nos estados de:
- Mato Grosso;
- Mato Grosso do Sul;
- Rondônia.
A logística segue os mesmos moldes aplicados no Acre, com vacinação em unidades de saúde, busca ativa e orientação à população.
Riscos da reintrodução do sarampo no Brasil
Histórico e recertificação
O Brasil foi considerado livre do sarampo pela primeira vez em 2016, mas perdeu esse status em 2018, após a queda da cobertura vacinal e a chegada de casos importados. Em 2024, com o reforço da vacinação e melhoria da vigilância, o país foi recertificado pela OPAS.
Manter essa condição, no entanto, exige vigilância constante, principalmente em locais de alto trânsito internacional.
Casos em 2025
O Brasil teve cinco casos isolados de sarampo neste ano:
- Rio de Janeiro: 2 casos;
- São Paulo: 1 caso;
- Rio Grande do Sul: 1 caso;
- Distrito Federal: 1 caso.
Todos foram considerados importados e isolados, sem cadeia de transmissão, o que mantém o país em situação de controle.
Por que a vacinação é fundamental
Proteção individual e coletiva
O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa, com complicações graves como pneumonia, encefalite e até óbitos, especialmente em crianças. A vacina é:
- Segura;
- Gratuita;
- Altamente eficaz, com duas doses oferecendo proteção superior a 95%.
A adesão da população é essencial para evitar surtos e garantir a imunidade de rebanho.
Esquema vacinal recomendado
| Faixa etária | Vacina indicada | Observações |
|---|---|---|
| 6 a 11 meses | Dose extra (dupla viral) | Em áreas de risco, como fronteiras |
| 12 meses | 1ª dose (tríplice viral) | Conforme calendário de rotina |
| 15 meses | 2ª dose (tetraviral ou tríplice + varicela) | Refuerzo fundamental |
| Adultos sem registro vacinal | 2 doses até os 29 anos, 1 dose dos 30 aos 59 | Verificar na unidade de saúde |
Como identificar sintomas e agir rapidamente

Principais sintomas do sarampo
- Febre alta;
- Tosse persistente;
- Coriza;
- Conjuntivite;
- Manchas vermelhas na pele, que começam no rosto e se espalham;
- Manchas de Koplik (pontos brancos na mucosa da boca).
Ao apresentar sintomas, procure uma unidade de saúde imediatamente para avaliação e, se necessário, isolamento e notificação.
Conclusão
A intensificação da vacinação nas fronteiras é uma medida preventiva de grande importância para conter a ameaça do sarampo. Com apoio técnico, logístico e humano, o Brasil busca proteger sua população e colaborar com países vizinhos no enfrentamento de surtos.
A participação da população é decisiva. Verifique sua caderneta de vacinação, leve seus filhos aos postos de saúde e contribua com o esforço coletivo de manter o sarampo longe do Brasil.
Imagem: Me dia / Shutterstock




