Um ano após a morte de Silvio Santos, o ícone maior da televisão brasileira, o SBT enfrenta um dos momentos mais delicados de sua história. A ausência do apresentador e empresário deixou a emissora sem sua principal referência criativa e de gestão, e o impacto vem sendo sentido tanto no Ibope quanto na estrutura interna, marcada por demissões em massa e incertezas estratégicas.
Após 1 ano sem Silvio Santos, SBT enfrenta crise com demissões e audiência em queda
Um ano após a morte de Silvio Santos, o SBT encara crise com demissões, baixa audiência e dificuldade em se reinventar na TV aberta.
A emissora, fundada em 1981 e que sempre se orgulhou de desafiar concorrentes com ousadia e programas originais, vive hoje um período de instabilidade que a distancia cada vez mais da vice-liderança no ranking da audiência.
Leia mais: Demissões e tensão agitam Record e SBT nesta semana
Programas sem fôlego: apostas que não vingaram

O telejornal “Aqui Agora”, relançado como uma tentativa de resgatar a tradição popular da casa, sofreu uma reviravolta precoce. Apenas duas semanas após a estreia, Leonor Corrêa assumiu a direção do noticiário devido à baixa audiência, ilustrando a urgência da emissora em buscar soluções rápidas.
Outra aposta no saudosismo, o retorno de “Casos de Família” com Christina Rocha, também não conseguiu reproduzir o êxito de anos anteriores. Já o infantil “Bom Dia & Cia”, agora comandado pela dupla Patati Patatá, amarga índices abaixo do esperado, chegando a 1 ponto na Grande São Paulo — números preocupantes para uma rede nacional.
No núcleo de dramaturgia, a situação não é diferente. A novela própria “A Caverna Encantada”, aposta para o horário nobre, acabou sendo retirada da programação após fracasso de audiência.
Demissões e cortes afetam estrutura interna
Paralelamente aos problemas de audiência, o SBT vive uma onda de demissões que atinge diferentes setores, incluindo profissionais do vídeo. O enxugamento, motivado pela necessidade de redução de custos, trouxe apreensão entre funcionários e impactou diretamente a identidade artística da emissora.
Embora ajustes financeiros sejam comuns em grandes redes, a escala dos cortes reforça o clima de crise. A empresa, conhecida por sua relação próxima com talentos de longo prazo, passa por um momento de transição difícil, em que o passado glorioso contrasta com um presente incerto.
Ranking da TV: SBT perde espaço para rivais
O reflexo imediato da crise é visto no ranking da televisão brasileira. O SBT mantém o terceiro lugar geral, atrás de Globo e Record, mas em alguns horários chega a ser ultrapassado pela Band, algo impensável durante os tempos áureos de Silvio Santos.
A perda de consistência em faixas-chave, principalmente nas manhãs, reforça a percepção de que a emissora ainda não encontrou o equilíbrio entre tradição e inovação.
Daniela Beyruti e os desafios da nova gestão
À frente da emissora, Daniela Beyruti, filha de Silvio Santos e atual presidente do grupo, tenta replicar a estratégia do pai, promovendo alterações frequentes na grade em busca de soluções imediatas.
Porém, até o momento, os resultados não têm correspondido às expectativas. “A impressão é de que o canal ainda vive do passado”, apontam especialistas em televisão. O público saudosista, embora fiel, não é suficiente para sustentar a audiência, e a emissora precisa urgentemente conquistar novas gerações de telespectadores.
O peso do legado e a necessidade de inovação
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
O legado de Silvio Santos continua presente. O SBT ainda recorre a séries clássicas como “Chaves” e “Chapolin” sempre que precisa socorrer a grade, mas o recurso, cada vez menos eficaz, reforça a dependência de um modelo ultrapassado.
O exemplo mais recente de tentativa de renovação é o programa “Sabadou com Virginia Fonseca”. Apesar de não ser revolucionário, o formato trouxe algum frescor à programação de sábado à noite, relembrando épocas em que a emissora liderava com produções como “Viva a Noite” e “Sabadão”.
Ainda assim, o SBT precisa resgatar sua tradição de ousadia, marcada por iniciativas que surpreendiam tanto o público quanto os concorrentes, como a histórica “Casa dos Artistas”, pioneira nos reality shows brasileiros.
O que o futuro reserva para o SBT?

Sob a liderança das filhas de Silvio Santos, a emissora enfrenta o desafio de reinventar-se sem perder sua essência. A cobrança é intensa, tanto pelo peso do sobrenome quanto pela urgência em reverter os números.
Entre os caminhos apontados por analistas, destacam-se:
- Investimento em formatos originais, voltados ao público jovem.
- Reforço em produções digitais, integrando TV aberta e streaming.
- Parcerias estratégicas para ampliar o alcance e diversificar receitas.
- Aposta em jornalismo mais competitivo, resgatando credibilidade.
O futuro do SBT dependerá da capacidade de equilibrar memória afetiva e inovação, respeitando a herança de Silvio Santos sem deixar de ousar na construção de uma nova identidade.
