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Governo lança programa ‘Brasil Seguro’ para monitorar empresas de criptoativos e combater fraudes financeiras

O governo federal prepara o programa ‘Brasil Seguro’ para intensificar o monitoramento de exchanges e fintechs do setor de criptoativos. Entenda os detalhes.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira5 min de leitura
Criptomoedas

O crescimento exponencial do mercado de criptomoedas no Brasil traz não apenas oportunidades, mas também desafios importantes, especialmente relacionados à segurança e prevenção de fraudes.

O governo federal, atento aos riscos crescentes, está articulando o lançamento do programa ‘Brasil Seguro’, que promete ampliar o monitoramento e a fiscalização de exchanges, fintechs e demais empresas que operam no segmento de criptoativos.

A iniciativa ganha força após o recente ataque hacker bilionário contra a empresa C&M Software, prestadora de serviços autorizada do Banco Central do Brasil, que resultou no desvio de mais de R$ 1 bilhão das contas de instituições financeiras brasileiras.

Este episódio alarmante expôs vulnerabilidades do sistema financeiro e chamou a atenção das autoridades para a necessidade de reforçar a segurança no ecossistema cripto nacional.

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O que é o programa ‘Brasil Seguro’?

O ‘Brasil Seguro’ é um projeto interinstitucional que envolve uma cooperação estreita entre diversos órgãos públicos e entidades financeiras, incluindo a Polícia Federal, o Banco Central do Brasil, o BNDES e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

O objetivo central é criar uma força-tarefa robusta para fiscalizar o setor de ativos digitais, garantindo maior transparência, integridade e combate eficaz às fraudes e crimes cibernéticos.

Parcerias estratégicas e atuação conjunta

A colaboração entre esses órgãos pretende cruzar informações e fortalecer a capacidade investigativa para monitorar grandes volumes de movimentações financeiras em criptoativos, identificar padrões suspeitos e agir preventivamente contra esquemas ilícitos.

O programa deverá utilizar tecnologias avançadas, como inteligência artificial e blockchain analytics, para rastrear transações e detectar tentativas de lavagem de dinheiro.

Contexto do ataque hacker bilionário ao Banco Central

ZKsync
Imagens: ViChizh / Shutterstock.com e r.classen / Shutterstock.com – Edição: Seu Crédito Digital

Em 1º de julho de 2025, o Brasil enfrentou um dos maiores ataques cibernéticos já registrados no setor financeiro nacional.

Criminosos invadiram a infraestrutura da C&M Software, empresa que presta serviços autorizados ao Banco Central, e conseguiram acessar indevidamente contas de reserva mantidas por diversas instituições financeiras, desviando mais de R$ 1 bilhão.

Como o ataque aconteceu?

Os hackers utilizaram credenciais roubadas para se infiltrar no sistema e movimentar grandes quantias sem autorização. Entre as instituições afetadas estavam bancos como BMP e Credsystem, que tiveram seus fundos comprometidos.

Tentativa de lavagem via criptomoedas

Após o roubo, os criminosos buscaram converter os valores desviados em ativos digitais, especialmente stablecoins como USDT e criptomoedas como Bitcoin (BTC), por meio de plataformas integradas ao sistema de pagamentos instantâneos Pix.

Essa tentativa de “lavagem” de dinheiro por meio do mercado cripto evidenciou o papel crescente dos ativos digitais como rota para operações ilícitas.

Reação do mercado cripto e das autoridades

Embora algumas corretoras de criptomoedas tenham bloqueado as transações suspeitas e alertado os bancos afetados, ainda não há um balanço oficial do montante que os hackers conseguiram realmente converter em criptoativos.

Por sua vez, o Banco Central reagiu prontamente, desligando a C&M Software de seus sistemas para impedir novos acessos e colaborando com as investigações da Polícia Federal.

Fortalecimento da segurança pelas empresas do setor

O episódio também motivou as empresas do setor a reforçarem suas defesas digitais, aprimorando protocolos de segurança, adotando controles mais rigorosos e intensificando a cooperação com as autoridades para mitigar riscos futuros.

O papel do programa ‘Brasil Seguro’ no combate a fraudes

Com o lançamento do programa, o governo pretende instituir um sistema permanente de vigilância e fiscalização que não apenas reaja a incidentes, mas previna ataques e fraudes em larga escala.

Monitoramento contínuo e uso de tecnologia

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A força-tarefa do ‘Brasil Seguro’ deve contar com ferramentas tecnológicas capazes de analisar grandes volumes de dados, identificar padrões incomuns em tempo real e cruzar informações entre os diferentes agentes financeiros e regulatórios.

Regulação e legislação

Paralelamente, o Banco Central deve publicar ainda em 2025 as regras definitivas da Lei 14.478/2022, que regula as operações com criptoativos no Brasil.

A expectativa é que essa legislação traga maior clareza sobre as obrigações das empresas do setor, imponha requisitos de segurança e compliance, e aumente a responsabilização em casos de falhas e fraudes.

Desafios e perspectivas para o mercado cripto brasileiro

Embora o mercado de criptomoedas no Brasil esteja em crescimento, o incidente com a C&M Software expõe as fragilidades ainda existentes, principalmente no que diz respeito à segurança digital e ao controle das operações.

Necessidade de educação e conscientização

Além do fortalecimento das estruturas técnicas e regulatórias, é essencial ampliar a educação do público e dos investidores sobre riscos e práticas seguras no mercado cripto, evitando que usuários sejam vítimas fáceis de golpes.

Cooperação internacional

Como o mercado de criptoativos é global, a cooperação internacional entre órgãos reguladores, policiais e entidades financeiras será fundamental para enfrentar crimes que frequentemente cruzam fronteiras.

Considerações finais

Bitcoin Suisse
Imagem: Seu Crédito Digital/Freepik

O programa ‘Brasil Seguro’ surge como uma resposta necessária e urgente para o atual momento do mercado de criptomoedas no Brasil, especialmente diante do aumento de fraudes financeiras e ataques cibernéticos que exploram a tecnologia cripto para lavar dinheiro e driblar controles tradicionais.

Com a integração de diferentes órgãos públicos e a implementação de ferramentas avançadas de monitoramento, o governo busca proteger investidores, instituições e a economia como um todo, fortalecendo a confiança no mercado cripto brasileiro.

O sucesso dessa iniciativa dependerá da colaboração constante entre setor público e privado, da atualização das normas regulatórias e da conscientização da sociedade sobre os riscos e benefícios dos ativos digitais.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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