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Seu Pix está em risco? Veja como blindar sua conta contra hackers e fraudes

Saiba como blindar sua conta Pix contra fraudes e hackers. Veja dicas práticas e o que fazer se cair em um golpe.

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro5 min de leitura
Pix Automático golpe

Desde seu lançamento, em 2020, o Pix se consolidou como uma das formas mais utilizadas para realizar pagamentos e transferências no Brasil. Em apenas cinco anos, o sistema já conta com mais de 858 milhões de chaves cadastradas, segundo dados do Banco Central (BC).

No entanto, esse crescimento acelerado também tem chamado a atenção de criminosos, que adaptam e sofisticam seus métodos para aplicar fraudes digitais e roubos por meio de engenharia social.

Em 2025, o alerta de especialistas em segurança digital se intensificou após o ataque hacker à empresa C&M Software (CMSW) — responsável pela integração de instituições bancárias ao sistema do BC.

O incidente, que envolveu até R$ 1 bilhão em movimentações suspeitas, acendeu um sinal vermelho no mercado financeiro e nos órgãos de fiscalização.

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Como funcionam os golpes mais comuns com Pix?

Na imagem, homem encapuzado com celular na mão em fundo preto com símbolo do PIX.
Imagem: FOTOKITA / shutterstock.com – Edição: Seu Crédito Digital

Golpes via WhatsApp clonado

Clonagem e engenharia social

A clonagem do WhatsApp é uma tática recorrente: o criminoso induz o usuário a fornecer um código de verificação enviado por SMS, que será usado para ativar o app em outro aparelho.

Após isso, o fraudador se passa por um amigo ou familiar e solicita transferências via Pix com argumentos emocionais ou urgentes.

Pix errado e pedidos de devolução falsos

Tática do erro intencional

O golpista alega ter feito um Pix por engano e solicita o valor de volta com urgência, muitas vezes alegando emergências médicas ou contas vencidas. Sem checar a origem da transferência ou o histórico, a vítima pode ser induzida a reembolsar um valor que jamais foi transferido de fato.

Falso suporte técnico ou bancário

Tentativa de validar chaves Pix

Outro golpe em crescimento é o de falsos atendentes, que ligam ou enviam mensagens alegando ser do banco. Eles pedem que o usuário crie uma nova chave Pix ou realize uma “transferência de teste”, que, na verdade, é desviada para uma conta controlada por criminosos.

Como blindar sua conta Pix?

Boas práticas de segurança digital

Antes de transferir, verifique

  • Confirme os dados do destinatário antes de qualquer transferência;
  • Evite realizar transferências para contatos sem antes confirmar, por telefone ou vídeo, a identidade da pessoa;
  • Desconfie de qualquer pedido com urgência ou histórias emocionantes que pressionem por uma ação rápida.

Proteja seus dispositivos e aplicativos

  • Ative a verificação em duas etapas em todos os aplicativos, principalmente no WhatsApp;
  • Cadastre suas chaves Pix diretamente pelo aplicativo oficial do seu banco;
  • Estabeleça limites diários de transferência para evitar grandes perdas em caso de invasão.

Cuidado com links e mensagens suspeitas

  • Nunca clique em links de promoções, cupons ou sorteios sem verificar a procedência;
  • Ignore mensagens de números desconhecidos que solicitam transferências;
  • Nunca compartilhe códigos de autenticação com ninguém.

Medidas avançadas para aumentar sua segurança

Utilize senhas fortes e exclusivas

Evite usar senhas óbvias ou repetidas em diferentes plataformas. Opte por senhas complexas, com letras, números e símbolos, e atualize-as periodicamente.

Use aplicativos de autenticação

Além do SMS, considere o uso de apps como Google Authenticator ou Authy, que geram códigos de verificação offline e são menos vulneráveis a interceptações.

Monitore movimentações

Verifique frequentemente o extrato da conta e ative notificações em tempo real para ser alertado a cada transação.

O que fazer se você cair em um golpe com Pix?

Utilize o Mecanismo Especial de Devolução (MED)

Como funciona o MED?

O BC disponibilizou o Mecanismo Especial de Devolução (MED), que permite solicitar a devolução de valores transferidos em caso de golpe ou fraude. O pedido deve ser feito no prazo de até 80 dias após a transação.

Etapas do processo de devolução

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  1. A vítima aciona o banco solicitando a devolução via MED;
  2. A instituição financeira do recebedor analisa o caso em até 7 dias;
  3. Se confirmada a fraude, o valor é bloqueado e devolvido em até 96 horas.

Percentual de devoluções

Entre janeiro e março de 2025, o BC registrou 1 milhão de solicitações via MED, sendo que 40% foram aceitas total ou parcialmente.

Registre um boletim de ocorrência

Caso você tenha sido vítima de golpe, é essencial registrar um boletim de ocorrência (BO) com o máximo de detalhes. Esse documento pode ser útil caso você precise recorrer à Justiça ou ao Procon para tentar o ressarcimento.

Acione órgãos de defesa do consumidor

Se a instituição bancária se recusar a cooperar ou não fornecer informações suficientes, o consumidor pode:

  • Registrar uma reclamação no Procon estadual;
  • Utilizar plataformas como o Consumidor.gov.br;
  • Buscar auxílio jurídico em juizados especiais cíveis.

Futuro da proteção: MED 2.0

Pix reforça segurança: conheça as novas regras para chaves que já estão em vigor
Imagem: Brenda Rocha – Blossom / shutterstock.com

O Banco Central está desenvolvendo uma nova versão do sistema de devoluções, chamada MED 2.0, com previsão de lançamento em fevereiro de 2026.

O que muda com o MED 2.0?

  • Rastreamento da origem da fraude, inclusive em casos de triangulação de valores;
  • Bloqueio automático de contas utilizadas para movimentação suspeita;
  • Respostas mais rápidas às vítimas de golpes.

Segundo o BC, essas melhorias visam ampliar a eficácia das devoluções e fechar o cerco contra organizações criminosas que atuam no sistema financeiro digital.

Conclusão

O Pix trouxe agilidade e praticidade ao sistema bancário brasileiro, mas também abriu novas frentes para a ação de golpistas.

O aumento expressivo de fraudes em 2025, como no caso da C&M Software, reforça a necessidade de ações preventivas por parte dos usuários e de evolução constante das ferramentas de proteção por parte das instituições financeiras e do Banco Central.

Manter-se informado e adotar práticas seguras é a melhor forma de garantir que o que foi criado para facilitar a vida do cidadão não se torne uma armadilha digital.

Imagem: Freepik – Edição: Seu Crédito Digital

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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