Selic deve ficar em 15% por mais tempo, diz UBS; cortes estão precificados cedo demais

A mais recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que elevou a taxa Selic para 15%, trouxe mais do que um novo patamar de juros: revelou uma mensagem clara ao mercado financeiro. Segundo análise do UBS BB, a sinalização do Banco Central aponta para juros altos por um período mais prolongado do que muitos esperavam.

O detalhe observado pelo UBS foi a inclusão da palavra “muito” no comunicado oficial do BC, indicando que a autoridade monetária busca conter o entusiasmo precoce de quem aposta em cortes já no início de 2025. “Quando o Comitê fala em manter os juros por um período muito prolongado, está deixando claro que não quer ver cortes precificados ainda em 2025”, afirmaram os analistas do banco em relatório recente.

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Mercado se divide e Selic surpreende

Selic copom
Imagem: Freepik e Canva

A decisão do Copom surpreendeu parte dos agentes econômicos. Embora uma elevação da taxa estivesse no radar, havia uma expectativa considerável de que os juros fossem mantidos no patamar anterior. A precificação do mercado indicava cerca de 65% de chance de alta de 0,25 ponto percentual, o que acabou se confirmando.

Ainda assim, o tom do comunicado do Banco Central foi interpretado como mais rígido do que o esperado. A referência direta à permanência prolongada da taxa em níveis elevados serve como alerta para quem esperava por cortes já nos primeiros meses de 2025.

UBS prevê estabilidade prolongada e corta expectativa de queda

De acordo com o UBS, a Selic deve permanecer em 15% por mais 11 meses, até abril de 2026. Em um cenário alternativo e menos provável, os cortes poderiam começar em março, mas ainda assim em ritmo moderado. “Apesar de manter a linguagem de que o Comitê ‘permanece vigilante’, essa expressão perdeu força. Ainda assim, o BC deixou em aberto a possibilidade de retomar as altas, caso necessário”, destacaram os economistas.

O UBS avalia que a precificação de cortes na Selic em 2025, ainda presente em partes da curva de juros e nas projeções do Boletim Focus, está desalinhada da realidade de convergência da inflação.

Real segue fortalecido com política monetária

Mesmo com a manutenção dos juros elevados já precificada por parte do mercado, o UBS continua otimista com a valorização do real. Segundo o banco, o diferencial de juros e o valuation ainda atrativo tornam a moeda brasileira uma das preferidas da América Latina.

“O real continua sendo nossa principal posição comprada na América Latina”, afirma o relatório, que aponta um valor justo de R$ 5,20 por dólar. A instituição também mantém posições compradas em BRLMXN e vê uma relação risco-retorno favorável em BRLCOP.

Riscos à frente: crescimento e inflação no radar

Apesar do cenário atual justificar uma postura rígida do Banco Central, o UBS alerta para possíveis mudanças à frente. A projeção da instituição é de crescimento zero no terceiro trimestre deste ano, o que pode gerar pressões no mercado caso não haja novos choques cambiais, no petróleo ou na inflação.

No mercado de juros, a expectativa do banco é de que os cortes comecem apenas no segundo trimestre de 2026, com quedas de 50 pontos-base por reunião. Entretanto, os trechos curtos da curva — entre janeiro de 2026 e janeiro de 2027 — ainda embutem precificações de cortes de 100 pontos-base no primeiro semestre, o que pode entrar em conflito com a realidade futura.

Com informações de: Money Times