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Alta da Selic pode fazer você aumentar sua restituição ao atrasar o Imposto de Renda; saiba mais

Selic em 14,25% influencia diretamente os valores a restituir ou pagar no Imposto de Renda 2025. Veja simulações, prazos e dicas!

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
selic

Com a abertura do prazo para entrega da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) 2025, referente ao ano-calendário de 2024, muitos contribuintes se depararam com uma novidade de impacto econômico: a Selic, taxa básica de juros da economia brasileira, foi elevada para 14,25% ao ano — o maior nível desde 2016.

Essa alta tem efeitos diretos sobre dois grupos de pessoas: quem tem restituição a receber e quem tem imposto a pagar. Embora à primeira vista os assuntos pareçam desconectados, os juros aplicados sobre os valores da Receita Federal estão atrelados justamente à Selic.

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Imagem: rafastockbr / shutterstock

Como a Selic afeta a restituição do Imposto de Renda?

Quem entrega mais tarde pode receber mais dinheiro

A restituição do Imposto de Renda é corrigida com base na Selic acumulada entre a data final da entrega da declaração e o mês do pagamento do lote ao contribuinte. Isso significa que quanto mais tarde for feito o reembolso, maior será o acréscimo por correção monetária.

Segundo o economista Wandemberg Almeida, presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), quem entrega a declaração no final do prazo pode receber uma restituição maior.

“Quem tem imposto a restituir, vale a pena deixar para declarar no final do prazo, para poder ser restituído com as correções devidas”, explica.

Por outro lado, quem precisa do dinheiro com urgência deve declarar logo para entrar nos primeiros lotes. Afinal, a ordem de recebimento considera a data de entrega, exceto para os contribuintes com prioridade legal, como idosos, pessoas com deficiência ou professores.

Simulação: quanto rende a restituição com a Selic a 14,25%?

Correção pode ser vantajosa — e sem riscos

Mesmo que a taxa de 14,25% seja anual, a Receita aplica a Selic mensal acumulada até o mês anterior ao pagamento da restituição. Segundo o contador Levy Guedes, o índice atual gira em torno de 0,93% ao mês, o que pode gerar acréscimos interessantes ao longo do tempo.

Simulação da restituição de R$ 1.500, com Selic a 0,93% ao mês:

Mês de recebimentoValor corrigido
Junho (2º lote)R$ 1.513,95
Julho (3º lote)R$ 1.528,02
Agosto (4º lote)R$ 1.542,23
Setembro (5º lote)R$ 1.556,57

Essa correção funciona como um investimento de curto prazo sem riscos — especialmente vantajoso para quem tem valores significativos a receber.

Mas atenção: deixar para o fim tem riscos

Multa por atraso pode comprometer a restituição

Apesar da possível vantagem em postergar a entrega da declaração para receber a restituição corrigida, especialistas alertam: deixar para o último momento pode ser arriscado.

“Imprevistos podem acontecer. Se a pessoa não entregar dentro do prazo, terá multa pelo atraso”, adverte Guedes.

A multa mínima é de R$ 165,74, mas pode chegar a 20% do imposto devido. O prazo final para entrega da declaração é 30 de maio de 2025, às 23h59.

Selic também afeta quem tem imposto a pagar

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Imagem: rafastockbr / shutterstock.com

Parcelamento gera incidência de juros mensais

Para os contribuintes que apurarem imposto a pagar, há duas opções: quitar em cota única até o fim de maio ou parcelar em até oito vezes. A primeira parcela vence junto com a cota única, mas da segunda em diante incidem correções mensais com base na Selic.

Isso significa que quanto mais demorado for o pagamento, maior será o valor final pago ao Fisco.

“O contribuinte pode parcelar, mas da segunda parcela em diante, serão acrescidas as correções também”, explica Guedes.

Estratégias para quem vai pagar imposto

Vale mais a pena quitar tudo de uma vez?

Se o contribuinte tiver reserva financeira suficiente, a recomendação é optar pelo pagamento em cota única, evitando o acréscimo de juros.

Caso a opção seja pelo parcelamento, é importante acompanhar o valor das parcelas corrigidas e considerar que atrasos também geram multa além dos juros.

Use o Pix para acelerar a restituição

Chave CPF facilita o pagamento direto pela Receita

Outra dica importante para quem tem direito à restituição é optar por receber via Pix. A Receita Federal já permite que os valores sejam depositados diretamente na conta bancária informada pelo contribuinte, desde que:

  • A chave Pix seja o CPF do contribuinte;
  • A conta esteja em nome do próprio declarante.

Essa modalidade é mais ágil e segura, e garante que o pagamento seja feito sem atrasos ou divergências de dados bancários.

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Cuidado com a declaração pré-preenchida

Verifique todas as informações antes de transmitir

A Receita Federal disponibiliza a declaração pré-preenchida, com base em informações fornecidas por empresas, bancos, planos de saúde e outros órgãos. No entanto, essa facilidade exige atenção redobrada.

O contador Levy Guedes alerta que nem sempre os dados estão corretos, e qualquer informação errada que não for corrigida pelo contribuinte pode levar à malha fina.

“É importante que o contribuinte tenha os documentos comprobatórios para conferir as informações da pré-preenchida e transmita seu imposto de renda com segurança”, diz.

Não tente enganar o Fisco

Receita cruza dados e pode penalizar declarações falsas

Ainda existe a tentação, por parte de alguns contribuintes, de incluir despesas fictícias ou comprar recibos e notas fiscais com o objetivo de aumentar deduções e reduzir o imposto a pagar. Essa prática, além de ilegal, é ineficiente na era da digitalização.

“Não invente de tentar enganar. A Receita cruza esses dados e já sabe o que você fez no decorrer do ano”, afirma Wandemberg Almeida, do Corecon-CE.

Além disso, a Receita está ampliando o uso de tecnologias de inteligência artificial para cruzar dados de forma mais rápida e precisa, aumentando as chances de flagrar inconsistências nas declarações.

Onde buscar ajuda gratuita para declarar o IR?

imposto de renda
Imagem: Canva

NAFs oferecem atendimento a quem precisa

Quem não pode pagar um contador pode contar com o suporte dos Núcleos de Apoio Contábil e Fiscal (NAF) — uma parceria da Receita Federal com instituições de ensino em todo o Brasil.

Um exemplo é a Unifor, no Ceará, que realiza atendimentos gratuitos mediante agendamento pelos telefones:

  • (85) 3477-3192
  • (85) 3477-3193

Esses serviços são realizados por estudantes de Ciências Contábeis, supervisionados por professores e contadores experientes, oferecendo um apoio confiável à população.

Imagem: Freepik/Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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