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Sequestro de investidor de Bitcoin expõe nova onda de crimes violentos ligados a criptoativos nos EUA

Dois homens acusados de sequestrar um investidor de Bitcoin em Nova York se declararam inocentes, mesmo diante de provas perturbadoras.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira6 min de leitura
Bitcoin

O submundo dos crimes ligados a criptomoedas ganhou mais um capítulo sombrio com o caso de sequestro, tortura e extorsão de um investidor de Bitcoin em Nova York.

Em uma reviravolta polêmica, os dois principais acusados, William Duplessie e John Woeltz, se declararam inocentes diante da Justiça, alegando que a suposta vítima agiu de forma voluntária e estava, inclusive, “rindo” durante o período em que afirmou ter sido mantida em cativeiro.

O caso, que envolve alegações de violência física, tortura, tentativa de roubo de criptomoedas e possível existência de outras vítimas, está mobilizando tanto autoridades quanto a comunidade cripto, que observa com preocupação o aumento dos chamados “wrench attacks” — agressões físicas com o objetivo de roubar ativos digitais.

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A acusação: Bitcoin, violência e tortura em Manhattan

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Imagem: svetlichniy_igor / Shutterstock.com

De acordo com os promotores de Nova York, a vítima — cuja identidade está sendo mantida em sigilo — teria sido sequestrada por Duplessie e Woeltz em Manhattan, onde foi mantida sob cárcere privado, agredida fisicamente, eletrocutada e ameaçada de morte, enquanto os acusados tentavam obter acesso à sua carteira de criptomoedas.

O caso veio à tona após a suposta vítima conseguir escapar do local onde estava sendo mantida, no final de maio. Segundo relatos à imprensa e documentos judiciais, a vítima foi encontrada pela polícia visivelmente abalada e com sinais de agressão.

Provas encontradas

Durante as investigações, a polícia encontrou uma motosserra, uma pistola carregada e imagens perturbadoras da vítima sendo ameaçada com armas, e em uma das fotos, em chamas, supostamente apagadas pelos sequestradores com urina. Apesar disso, nenhuma queimadura visível foi constatada no momento do resgate.

A promotora assistente Sarah Khan destacou que as provas visuais foram “decisivas para sustentar a versão da vítima”, e que existe possibilidade de outras vítimas envolvidas em ações semelhantes conduzidas pelos réus.

A defesa: “Vítima estava sorrindo, usando drogas e circulando livremente”

Em uma audiência ocorrida na quarta-feira, 11 de junho, os advogados de defesa de Duplessie e Woeltz afirmaram que a narrativa apresentada pelo acusador “não faz sentido”. O advogado Sam Talkin, representante de William Duplessie, afirmou que existem vídeos que mostram a vítima “sorrindo, consumindo crack e participando de orgias” durante o período em que alegava estar sequestrada.

Já o advogado de John Woeltz acrescentou que testemunhas oculares viram a suposta vítima circulando livremente por Nova York, o que, segundo ele, desmontaria a acusação de cárcere privado.

“A versão da vítima é incoerente e contraditória com o que mostram os vídeos. Ele estava claramente em liberdade”, afirmou Talkin diante do juiz.

Narrativa alternativa

Os advogados alegam que os vídeos foram gravados pela própria vítima e liberados posteriormente para “fabricar um cenário de sequestro”. A promotoria, por outro lado, rebateu afirmando que as imagens foram divulgadas com o objetivo de distorcer a realidade e criar dúvidas sobre o estado de vulnerabilidade da vítima.

Elementos inquietantes do caso: fogo, armas e possíveis novas vítimas

Entre os elementos mais impactantes do processo está a alegação de que a vítima foi incendiada durante as sessões de tortura. Apesar de não apresentar marcas visíveis de queimadura, há registros de que o fogo teria sido rapidamente apagado com urina, segundo fontes ligadas à investigação. As imagens, embora não divulgadas publicamente, estariam em posse da promotoria.

Evidências físicas

Além disso, os investigadores encontraram no local do crime instrumentos de tortura, como a motosserra e a pistola carregada, que reforçam a hipótese de que a vítima foi violentamente coagida a entregar informações confidenciais, como senhas de acesso a sua carteira de Bitcoin.

Outras possíveis vítimas

As autoridades também estão investigando indícios de que Duplessie e Woeltz teriam praticado atos semelhantes contra outras pessoas, possivelmente em diferentes locais de Nova York.

Caso se confirme, a dupla poderá enfrentar várias acusações de sequestro e tortura, o que aumentaria ainda mais as chances de prisão perpétua, já prevista para o caso atual.

Contexto crescente: violência contra investidores de criptomoedas

O termo “wrench attack” (ou “ataque com chave inglesa”, em tradução literal) surgiu na comunidade cripto para descrever casos de violência física contra detentores de ativos digitais, visando forçá-los a entregar senhas ou transferir seus fundos.

Ao contrário de ataques cibernéticos, os wrench attacks envolvem coerção física direta, como sequestros, ameaças com armas e tortura, tornando-os especialmente difíceis de prevenir.

Dados alarmantes de 2025

De acordo com bancos de dados especializados em crimes cripto, 2025 já registrou quase tantos casos de wrench attacks quanto todo o ano de 2024, sinalizando uma escalada preocupante desses crimes.

Casos recentes incluem o sequestro de familiares de executivos de exchanges, como o CEO da Ledger, David Balland, e o fundador da Paymium, Pierre Noizat, cujos parentes foram vítimas de tentativas de extorsão relacionadas a criptoativos.

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Justiça e consequências: fiança negada e possibilidade de prisão perpétua

Duplessie e Woeltz foram formalmente acusados de sequestro em primeiro grau, agressão agravada, porte ilegal de arma e tentativa de extorsão. Se condenados, ambos podem receber a pena máxima de prisão perpétua, dada a gravidade das alegações.

Além disso, uma terceira pessoa chegou a ser detida por suspeita de envolvimento no esquema, mas foi posteriormente liberada por falta de provas concretas até o momento.

Fiança negada

O juiz responsável pelo caso optou por negar fiança aos acusados, citando risco de fuga e ameaça à segurança pública, o que reforça a seriedade com que o sistema judicial norte-americano está tratando crimes envolvendo criptoativos.

A próxima audiência foi marcada para 15 de julho, e deverá contar com novos depoimentos e, possivelmente, apresentação de mais provas por parte da promotoria.

Segurança digital e física: um alerta à comunidade cripto

O caso de Nova York serve como alerta contundente para investidores de criptomoedas, especialmente aqueles que operam com grandes volumes. Diferente de instituições financeiras tradicionais, ativos como Bitcoin são irreversíveis e autocustodiáveis, o que os torna alvo de criminosos que buscam acesso forçado às chaves privadas.

Precauções recomendadas

Especialistas recomendam que detentores de criptomoedas adotem medidas adicionais de segurança:

  • Uso de carteiras frias (cold wallets), mantidas offline;
  • Separação de fundos em várias carteiras;
  • Evitar divulgar publicamente o volume de criptoativos que possui;
  • Implementar mecanismos de multisig (assinaturas múltiplas);
  • Jamais guardar senhas ou frases-semente em locais de fácil acesso.

Considerações finais: o preço da liberdade financeira

Bitcoin
Andreanicolini e ViChizh / shutterstock – Edição: Seu Crédito Digital

A proposta das criptomoedas sempre foi empoderar indivíduos por meio da autonomia financeira e da eliminação de intermediários. No entanto, essa liberdade também vem com um novo tipo de responsabilidade: a autodefesa contra ameaças físicas.

O caso envolvendo William Duplessie e John Woeltz não é apenas um crime isolado, mas sim um retrato de como a descentralização do dinheiro exige uma nova cultura de segurança pessoal e digital.

À medida que o Bitcoin e outros ativos ganham popularidade, é provável que mais indivíduos se tornem alvos — não apenas de hackers, mas também de criminosos dispostos a usar a força bruta para roubar aquilo que não podem acessar por vias digitais.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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