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Sheik do Bitcoin investiu R$ 30 milhões em empresa de Silas Malafaia: entenda a polêmica

Pastor Silas Malafaia confirma aporte de R$ 30 milhões do Sheik do Bitcoin em empresa ligada ao seu grupo. A sociedade durou um ano e terminou antes das denúncias.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira6 min de leitura
Bitcoin Malafaia

O envolvimento entre o pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, e o empresário Francisley Valdevino da Silva, conhecido como Sheik do Bitcoin, voltou a ganhar repercussão após vir à tona que o religioso recebeu um aporte de R$ 30 milhões em uma sociedade firmada em 2021.

Condenado em 2024 a 56 anos de prisão por comandar um gigantesco esquema de pirâmide financeira com criptomoedas, Francisley mantinha o hábito de se aproximar de figuras influentes, entre elas líderes religiosos.

O episódio envolvendo Malafaia está no centro de debates que misturam religião, mercado financeiro e escândalos judiciais.

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Quem é o Sheik do Bitcoin?

O apelido e a ascensão

Francisley Valdevino da Silva ganhou o apelido de Sheik do Bitcoin após se destacar como um dos nomes mais conhecidos no mercado de criptomoedas no Brasil. Entre 2018 e 2022, suas empresas movimentaram cerca de R$ 4 bilhões, segundo a Polícia Federal.

O esquema de pirâmide financeira

O modelo de negócios de Francisley consistia em prometer altos rendimentos a investidores sob o pretexto de operações de arbitragem e mineração de criptomoedas.

Na prática, tratava-se de uma pirâmide financeira que prejudicou aproximadamente 15 mil pessoas, entre elas celebridades como Sasha Meneghel, filha da apresentadora Xuxa.

A queda e a condenação

O Sheik foi alvo de uma operação da Polícia Federal em outubro de 2022. Dois anos depois, em outubro de 2024, foi condenado pela Justiça Federal do Paraná a 56 anos de prisão pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e crimes financeiros.

Como surgiu a relação entre Malafaia e Francisley

bitcoin
Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital

A crise financeira da Central Gospel

A Central Gospel Editora, pertencente a Silas Malafaia, enfrentava graves dificuldades financeiras. Em 2019, entrou em recuperação judicial, acumulando dívidas próximas de R$ 16 milhões.

O aporte milionário

De acordo com o depoimento de Davi Zocal, empresário do setor gospel e testemunha-chave no processo contra Francisley, o Sheik decidiu investir cerca de R$ 30 milhões para ajudar na reestruturação dos negócios de Malafaia.

O recurso foi direcionado para a criação da Alvox Gospel Livros Marketing Direto, empresa fundada em maio de 2021 e encerrada em julho de 2022.

Objetivo da sociedade

A intenção seria utilizar a nova empresa para comercializar produtos da Central Gospel, mas sem atrelar diretamente o nome do pastor ao aporte. Assim, Francisley entrou como sócio direto do projeto, mas figurando como o principal gestor.

Detalhes da parceria revelados pela testemunha

O papel de Davi Zocal

Zocal, próximo de Francisley, afirmou em depoimento que o Sheik buscava constantemente se cercar de pessoas influentes para fortalecer sua imagem. Nesse contexto, a aproximação com Malafaia fazia parte de sua estratégia.

“O Francis queria estar perto de grandes nomes. Ele chegou a dizer: ‘Pastorzão, vou te ajudar. Deixa comigo. Eu compro essa dívida’”, relatou Zocal.

A injeção de capital

Segundo a testemunha, os investimentos chegaram a R$ 30 milhões, incluindo gastos com estrutura e operação.

Criação da Alvox

Para evitar desgastes com credores e preservar a imagem de Malafaia, os dois concordaram em abrir a Alvox Gospel, que funcionaria como uma frente de vendas paralela.

A versão de Silas Malafaia

Confirmação do investimento

Em nota à imprensa, Malafaia confirmou que recebeu os recursos de Francisley, mas ressaltou que a sociedade durou apenas um ano e terminou meses antes das denúncias da Polícia Federal.

Defesa da legalidade

O pastor destacou que, no momento da parceria, não havia investigações públicas contra Francisley:

“Quando ele foi sócio comigo, não havia denúncia no Ministério Público ou na Polícia Federal. Saí da empresa em março de 2022, antes de surgirem as notícias sobre as investigações.”

Sem poder de decisão

Malafaia também frisou que não tinha poder de decisão sobre a Alvox e que o Sheik era o verdadeiro controlador da empresa.

Negativa de propaganda

O pastor refutou acusações de que teria incentivado fiéis de sua igreja a investir com Francisley:

“Nunca fiz propaganda para que membros da minha igreja comprassem algo ligado a ele. Eu fui sócio de uma empresa, e saí antes das denúncias. Querem me acusar de quê? Vão prender os outros 100 empresários que tiveram empresas com ele?”

O escândalo do Sheik do Bitcoin e seus impactos

Prejuízos bilionários

O colapso das empresas de Francisley gerou prejuízos de cerca de R$ 4 bilhões, segundo a Polícia Federal.

Vítimas famosas

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Entre os lesados estavam empresários, pequenos investidores e celebridades, como a já mencionada Sasha Meneghel.

O modus operandi

Francisley convencia as vítimas com promessas de retornos rápidos e seguros no mercado de criptomoedas, usando o prestígio de sua rede de contatos para aumentar a credibilidade do negócio.

Malafaia e as críticas recebidas

Apesar de afirmar que não tem ligação com os crimes cometidos pelo Sheik do Bitcoin, Malafaia passou a ser alvo de críticas por ter se associado ao empresário.

Relação com a política

O episódio ganhou ainda mais repercussão por ocorrer em um momento em que o pastor é citado em investigações sobre disseminação de desinformação e pressão sobre o Judiciário, em casos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Defesa da presunção de inocência

Malafaia insiste que não pode ser responsabilizado pelas ações de Francisley, já que não participou dos esquemas de criptomoedas e rompeu a sociedade antes do estouro do escândalo.

Linha do tempo: Malafaia e o Sheik do Bitcoin

  • 2019 – Central Gospel entra em recuperação judicial com dívida de R$ 16 milhões;
  • Maio de 2021 – Fundação da Alvox Gospel, em parceria com Francisley;
  • Março de 2022 – Malafaia anuncia sua saída da sociedade;
  • Julho de 2022 – Encerramento oficial da Alvox Gospel;
  • Outubro de 2022 – Francisley é alvo de operação da Polícia Federal;
  • Outubro de 2024 – Condenação do Sheik do Bitcoin a 56 anos de prisão.

Análise: riscos de sociedades com investidores controversos

O impacto da reputação

A associação com figuras investigadas pode gerar danos duradouros à imagem de líderes religiosos e empresariais, mesmo quando não há envolvimento direto em crimes.

Falta de due diligence

Especialistas apontam que casos como esse reforçam a importância da due diligence — um processo de verificação detalhada do histórico de potenciais sócios ou investidores.

Consequências para o setor gospel

O episódio também abre discussões sobre a relação entre o mercado gospel e o setor financeiro, já que grandes aportes costumam levantar suspeitas de interesses além da fé.

Considerações finais

Bitcoin
Reprodução: Seu Crédito Digital/Freepik

O caso envolvendo o Sheik do Bitcoin e o pastor Silas Malafaia é um retrato da intersecção entre religião, finanças e escândalos judiciais no Brasil.

Enquanto Francisley cumpre sua pena de 56 anos de prisão por liderar um esquema bilionário de pirâmide com criptomoedas, Malafaia busca se distanciar das acusações e reforça que sua sociedade com o empresário foi breve, legítima e encerrada antes das denúncias.

Ainda assim, a revelação do aporte milionário levanta questionamentos sobre como líderes religiosos devem se posicionar diante de parcerias financeiras e quais os limites entre fé, negócios e reputação pública.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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