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Shein e Temu anunciam fim dos preços baixos a partir de 25 de abril

Com a nova tarifa de até 145% imposta por Donald Trump, Shein e Temu anunciaram aumento nos preços para consumidores dos EUA.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
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As gigantes do e-commerce chinês Shein e Temu, conhecidas mundialmente por seus preços extremamente baixos e velocidade de entrega, anunciaram que irão repassar para os consumidores americanos o aumento nas tarifas de importação impostas pelo presidente Donald Trump. A medida entra em vigor no dia 25 de abril de 2025, marcando o início de uma nova fase na guerra comercial entre Estados Unidos e China — e trazendo reflexos imediatos no bolso dos consumidores.

A tarifa de importação foi elevada para até 145%, e a tradicional isenção alfandegária para produtos de até US$ 800 foi revogada, afetando diretamente milhões de pedidos que entram diariamente nos Estados Unidos por meio dessas plataformas.

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Fachada da Shein
Imagem: Jonathan Weiss/ Shutterstock

Fim da isenção para compras abaixo de US$ 800

Durante anos, empresas como Shein e Temu se beneficiaram de uma política que permitia a entrada livre de impostos para produtos importados com valor inferior a US$ 800 por remessa. Essa regra, conhecida como “De Minimis Rule”, foi alvo de críticas constantes por parte de varejistas americanos, como Amazon, Walmart e Forever 21, que viam na isenção uma brecha para concorrência desleal.

Segundo dados da Casa Branca, as importações de baixo custo saltaram de 140 milhões para 1 bilhão de remessas anuais entre 2022 e 2023 — boa parte impulsionada pelas plataformas chinesas.

Trump endurece o discurso e eleva tarifas

A nova política foi anunciada por Donald Trump, que está novamente à frente da presidência dos Estados Unidos. Inicialmente, a proposta do governo era substituir a isenção por uma tarifa de 30% ou US$ 25 por item, com previsão de vigência em maio. No entanto, a pressão de empresas e setores do varejo fez com que o presidente revisse os números diversas vezes, chegando a:

  • US$ 50 por item a partir de junho
  • E, finalmente, a nova taxa anunciada neste mês: US$ 75 por produto, totalizando até 145% de imposto sobre algumas categorias

Esse movimento foi rapidamente classificado pela imprensa americana e internacional como um “tarifaço”, com objetivo de proteger a indústria local e reduzir o déficit comercial com a China.

Reação imediata de Shein e Temu

Logotipo da Temu
Imagem: Reprodução/Temu

As duas empresas chinesas publicaram comunicados separados, mas com teor semelhante, por meio da agência de notícias Associated Press, afirmando que o novo cenário obrigará o reajuste dos preços para consumidores norte-americanos.

Apesar de evitarem o tom de confronto com o governo americano, os textos sinalizam que a medida prejudica a livre concorrência e pode afetar o acesso da população de baixa renda aos produtos.

Estratégia de incentivo ao consumo imediato

Shein e Temu também aproveitaram a ocasião para lançar uma estratégia de marketing agressiva, convidando os consumidores a realizarem compras antes do aumento. A ideia é acelerar as vendas nas semanas que antecedem a entrada em vigor da nova política tarifária.

Campanhas promocionais com o slogan “Compre agora antes do aumento” começaram a circular em redes sociais, aplicativos e sites de venda, com descontos relâmpago e frete gratuito como forma de atrair novos pedidos.

Pressão de empresas americanas e o papel da Forever 21

A movimentação do governo norte-americano foi alimentada por um lobby crescente de empresas do varejo nacional, que alegam estar sofrendo prejuízos diretos com o modelo de negócios praticado pelas plataformas chinesas.

A Forever 21, por exemplo, chegou a culpar a Shein e a Temu por parte de seus problemas financeiros. Em março deste ano, a empresa entrou com o segundo pedido de recuperação judicial, para tentar reorganizar uma dívida de US$ 1,51 bilhão.

Executivos da marca acusam as rivais asiáticas de oferecer produtos similares por uma fração do preço, sem arcar com as mesmas obrigações fiscais, trabalhistas e ambientais exigidas do varejo americano.

Produtos chineses sob suspeita

Além do impacto na economia, a Casa Branca já havia alertado em 2023 que a isenção alfandegária facilitava a entrada de produtos ilícitos. Um relatório interno do governo citava remessas com drogas e contrabando sendo camufladas entre pacotes de roupas, eletrônicos e acessórios.

Essas preocupações ganharam força dentro do Congresso e serviram como justificativa adicional para o endurecimento das regras.

Impacto no consumidor americano

A nova tarifa representa um golpe para milhões de consumidores nos Estados Unidos que, nos últimos anos, passaram a comprar com frequência da Shein e da Temu. As duas empresas conquistaram o mercado com:

  • Produtos com preços até 80% menores que os concorrentes locais
  • Designs modernos e rápidos (modelo fast fashion digital)
  • Entrega eficiente, com centros logísticos em território americano

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Com os aumentos, a diferença de preços tende a diminuir, reduzindo a atratividade das plataformas. O consumidor final, especialmente das classes C e D, será o mais impactado.

Temu e Shein devem redirecionar foco para outros mercados?

Especialistas em comércio internacional avaliam que a medida poderá forçar as empresas a diversificarem seus mercados. A América Latina, o Sudeste Asiático e partes da Europa podem se tornar novas prioridades estratégicas, com o objetivo de compensar a perda de competitividade nos EUA.

A Shein, por exemplo, já possui operação no Brasil, onde vem enfrentando discussões semelhantes sobre taxação de importados e concorrência com o varejo local. A Temu, por sua vez, ampliou sua atuação na América Latina em 2024 e vem estruturando centros de distribuição em países como México e Chile.

Entenda o que é a regra “De Minimis”

O princípio que está sendo descontinuado pelo governo Trump é conhecido como “De Minimis”, que estabelece um limite mínimo para a cobrança de tarifas de importação. Nos EUA, esse limite era de US$ 800, um dos mais altos do mundo.

Com a nova política, todas as remessas internacionais passam a ser tributadas, independentemente do valor. Essa mudança afeta não apenas Shein e Temu, mas também:

  • Compras no AliExpress, Wish e Shopee
  • Presentes enviados por familiares no exterior
  • Pequenos vendedores de marketplaces internacionais

O que esperar nos próximos meses?

Trump
Imagem: Joseph Sohm / shutterstock

Analistas indicam que os efeitos da nova tarifa serão sentidos de forma gradual. As empresas chinesas devem:

  • Recalcular preços e ajustar margens para absorver parte da tarifa
  • Buscar acordos de trade e redução de custos logísticos
  • Reforçar estratégias de produção local nos EUA ou em países aliados

Por outro lado, o governo americano pode enfrentar pressão dos consumidores, caso o aumento de preços atinja produtos de uso cotidiano. Há também o risco de retaliações comerciais por parte da China, o que ampliaria a tensão econômica entre os dois países.

Imagem: Naletova Elena / Shutterstock.com – Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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