Stablecoins disputam trono de Visa e Mastercard: o futuro dos pagamentos digitais

O mercado de pagamentos está passando por um movimento significativo: as stablecoins, criptomoedas atreladas a uma moeda estável como o dólar, começam a emergir como alternativa aos tradicionais pagamentos por cartão.

O empurrão recente chegou com a aprovação pelo Senado americano de uma nova legislação sobre stablecoins, que impulsionou ações de empresas como Circle e Coinbase. Enquanto isso, Visa e Mastercard enfrentam seu mês mais frágil em ações em anos.

Mas será esse um prenúncio de reversão? Será que as stablecoins vêm realmente para abalar o reinado do cartão? Para entender, precisamos mergulhar nos trilhos existentes, nos incentivos e na logística entre lojas e consumidores.

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O domínio dos cartões: por que ainda é difícil superá-lo

O sucesso das redes de cartões não se deve apenas à conveniência. Os cartões estão integrados em um ecossistema que reúne:

  • Infraestrutura bancária e tecnológica consolidadas, que garante acesso quase universal;
  • Sistemas de segurança avançados, como detecção de fraudes e garantia ao cliente (dispute resolution);
  • Incentivos financeiros robustos, como programas de cashback e pontos.

Apesar de as taxas de transação incidirem sobre os comerciantes, esse custo é aceito como parte do negócio. A relação entre comerciantes e emissores de cartão é estável e empurra adoção contínua da tecnologia.

Triângulo de uso: segurança, cobertura e incentivo

Cartão de Crédito Porto Bank
Imagem: Freepik e Canva

Nos EUA, praticamente toda pessoa maior de idade possui ao menos um cartão de crédito ou débito. A aceitação é massiva, os mecanismos de proteção estão bem estabelecidos, e os bancos por trás deles remuneram os emissores e usuários com benefícios tangíveis. Isso cria um equilíbrio difícil de romper.

Segurança e confiança

Cartões oferecem protocolos antifraude, seguros de pagamento e direito ao chargeback — o que incentiva a adoção mesmo diante de taxas altas.

Incentivos financeiros

Programas de recompensa fizeram dos cartões não apenas meios de pagamento, mas ferramentas de fidelização e economia individual para consumidores.

Stablecoins como instrumentos de pagamento disruptivos

Stablecoins são tokens digitais atrelados a uma moeda tradicional, geralmente o dólar. Ao manter reservas financeiras adequadas, eles garantem estabilidade no valor — como US$ 1 por USDC ou USDT — mas com a velocidade e o alcance das blockchains públicas.

Essas moedas digitais podem funcionar como:

  • Meios de pagamento global 24/7, sem fronteiras monetárias;
  • Ferramentas de envio de remessas sem intermediários bancários;
  • Instrumentos para comerciantes receberem valores instantâneos, sem esperar por liquidação bancária.

Momento regulatório: gatilho do mercado

A aprovação pelo Senado dos EUA de legislação voltada a regulamentação de stablecoins deu fôlego ao setor. A perspectiva de regras claras levou empresas como Circle e Coinbase a valorizarem ações, enquanto Visa e Mastercard patinaram no mercado financeiro.

O fato evidencia a convicção dos investidores na viabilidade e adoção mais ampla das stablecoins.

Desafios para desbancar os cartões

Obstáculos técnicos e de adoção

Mesmo com potencial técnico, stablecoins enfrentam barreiras:

  1. Falta de cobertura universal: hoje não são aceitas por todos os estabelecimentos.
  2. Segurança e confiança em redes ainda jovens: blockchains podem ter falhas e exposições.
  3. Dispute resolution ainda incipiente: diferenciação decisiva para proteção do consumidor.

Para superar isso, a adoção precisa vir em massa — e rapidamente.

Competição direta das redes existentes

Visa e Mastercard agiram rápido e começaram a lançar cartões vinculados a stablecoins, como o USDC, por meio de parceiros. Assim, o cliente pode gastar criptomoedas, mas o comerciante recebe como pagamento instantâneo, sem precisar aceitar tokens diretamente.

O que empreendedores estão fazendo?

Iniciativas de comerciantes

Alguns varejistas grandes começaram a testar stablecoins emitindo suas próprias. O movimento lembra o que o Starbucks fez com seu cartão pré-pago recarregável, somado a um programa de recompensas embutido na própria conta.

Incentivo com rendimento e programas fidelidade

Como as reservas de stablecoins geram juros, há espaço para oferecer cashback ao usuário sem carregar todos os incentivos sobre o comerciante.

Rianalação operável para grandes empresas

  1. Autonomia de emissão: grandes varejistas podem emitir tokens próprios.
  2. Criação de ecossistema de pagamentos: ao incentivar o uso interno, controlam custo e dados.
  3. Cartões tokenizados: permitem gastar em qualquer lugar, se conectado à rede Visa ou Mastercard.

Carteira e crédito: uma ponte entre stablecoins e cartões

Cartões de crédito cripto-native

Coinbase anunciou cartão de crédito com recompensas em USDC por meio da American Express. Essa modalidade é essencial porque bota as stablecoins na mão do consumidor via instrumentos conhecidos, com cashback e aceitação instantânea.

Importância do acesso a crédito

Cartões oferecem financiamento ao consumidor, algo que stablecoins não oferecem pura e exclusivamente. A construção de infraestrutura que combine stablecoins com crédito — possivelmente através de credores integrados ou protocolos DeFi — será crucial para competir com o modelo atual.

Cenários de adoção: local vs global

Mercados emergentes: cenário ideal para stablecoins

Em países com moedas frágeis ou pouco acesso bancário, stablecoins pré-qualificam um “dólar digital”. Com smartphone, uma pessoa pode participar de uma economia global, sem depender de bancos tradicionais.

EUA e países maduros: adoção por etapas

Nos EUA, o desafio é maior: consumidores já usam com segurança cartões; a migração só virá com incentivos tangíveis (cashback, segurança, facilidade) e aceitação universal.

O fator regulamentação

Com regras claras, stablecoins ganham credibilidade. A regulamentação do Senado é um passo, mas ainda há tensão política (como restrição a stablecoins com rendimento).

Conclusão: futuro híbrido e cooperação inevitável

A disputa entre stablecoins e cartões não precisa ser uma narrativa de “ganhar ou perder”. O mais plausível é um modelo híbrido, no qual:

  1. Stablecoins oferecem meios de pagamento globais eficientes;
  2. Cartões mantêm sua função de acesso, suporte ao crédito e credibilidade;
  3. Emissores e comerciantes desenvolvem soluções conjuntas (como cartão cripto, recompensas lastreadas em juros).

Nesse cenário, stablecoins funcionam como “base forte” de infraestrutura, mas são usadas dentro dos rios seguros dos blocos regulados, sob os trilhos dos cartões, em prol de maior eficiência global.

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