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Starlink pode dominar e deixar Claro, Oi e TIM para trás

Expansão da Starlink traz debate sobre conectividade global, impacto em operadoras tradicionais e desafios regulatórios, inclusive no Brasil.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
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A rápida expansão da Starlink, rede de satélites operada pela SpaceX, reacendeu discussões sobre conectividade global, pressionando operadoras tradicionais e provocando debates regulatórios em países como o Brasil.

A empresa de Elon Musk iniciou testes de conexão direta entre satélites e celulares comuns em alguns mercados internacionais, levantando questões sobre o papel futuro de operadoras como Claro, TIM, Vivo e Oi. No entanto, a tecnologia ainda enfrenta limitações técnicas e regulatórias e, atualmente, tende a complementar as redes móveis tradicionais, e não substituí-las por completo.

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Starlink e alcance global

A Starlink é uma constelação de satélites em órbita baixa que oferece internet via satélite para residências, empresas, aeronaves e embarcações. Atualmente, a cobertura alcança cerca de 150 países e territórios.

Desde 2019, a SpaceX realiza lançamentos contínuos, e até outubro de 2025, cerca de 8,8 mil satélites Starlink estavam em órbita, tornando a constelação a maior do mundo. Com autorizações adicionais, a empresa planeja expandir a constelação para dezenas de milhares de unidades nas próximas décadas, ampliando capacidade e cobertura global.

Usuários de planos residenciais e corporativos relatam velocidades entre 75 e 220 Mbps, com latência típica de 25 a 60 milissegundos, dependendo da região. Embora já supere grande parte dos serviços via satélite tradicionais, a Starlink ainda apresenta desempenho inferior à fibra óptica em grandes centros urbanos.

Conexão direta em celulares: Starlink Direct to Cell

Além da banda larga via antenas dedicadas, a empresa desenvolve o Starlink Direct to Cell, serviço que transforma cada satélite em uma espécie de “torre de celular no espaço”.

Como funciona

O objetivo é permitir que celulares 4G comuns se conectem diretamente ao satélite em áreas sem cobertura terrestre. Inicialmente, o serviço permitiu troca de mensagens de texto a partir de 2024 e evoluiu gradualmente para dados, internet das coisas (IoT) e voz via aplicativos em 2025.

O desempenho ainda não equivale ao de planos tradicionais de banda larga, sendo focado em conectividade básica para emergências, estradas isoladas, áreas rurais ou regiões de difícil acesso.

Nos Estados Unidos, a T-Mobile iniciou testes do Direct to Cell para cobertura suplementar, concentrando-se em mensagens de texto e uso restrito de aplicativos em áreas sem sinal das torres convencionais.

Situação regulatória no Brasil

Apesar dos avanços internacionais, o Brasil ainda não autorizou a Starlink a oferecer conexão direta via satélite para celulares.

Em agosto de 2025, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) esclareceu que a empresa não possui licença para prestar serviço móvel pessoal via satélite no país. Para operar nesse segmento, qualquer empresa precisa de outorga específica e autorização para uso de radiofrequências destinadas à telefonia celular.

Atualmente, a Starlink só possui autorização para oferecer banda larga via satélite, incluindo áreas rurais e remotas. Boatos sobre acesso gratuito via celulares no Brasil foram desmentidos pela Anatel, que reforçou que qualquer serviço gratuito em escala nacional exigiria modelo de negócios e regulamentação específica ainda não vigente.

Inclusão digital em regiões remotas

Mesmo sem conexão direta a celulares, a Starlink já impacta o debate sobre inclusão digital no Brasil. Escolas, postos de saúde e pequenas empresas em áreas rurais adotam antenas de banda larga via satélite, conectando regiões sem fibra óptica ou 4G.

O potencial do Direct to Cell é significativo para áreas como Amazônia, Pantanal e semiárido nordestino. Teoricamente, com um celular compatível e visão de céu, é possível trocar mensagens, usar aplicativos básicos e acessar serviços digitais públicos, mesmo longe de torres terrestres.

Essa conectividade interessa a governos e setores como agronegócio, mineração, logística e energia, que precisam manter equipes conectadas em locais isolados. A expansão da Starlink poderia complementar programas de conectividade existentes, inclusive por meio de parcerias público-privadas.

Impacto nas operadoras brasileiras

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A popularização do Direct to Cell levanta questões sobre o futuro das operadoras móveis tradicionais. Na prática, o serviço funciona mais como cobertura complementar do que substituição das redes de Claro, TIM, Vivo e Oi.

Nos EUA, a T-Mobile classifica o serviço como “cobertura de emergência” em áreas sem sinal. O satélite garante conexão quando o aparelho perde sinal terrestre, mas o tráfego intenso de dados ainda depende da infraestrutura convencional.

No Brasil, um modelo semelhante exigiria que a Starlink obtivesse licença para telefonia móvel ou estabelecesse acordos de roaming com operadoras existentes. Especialistas apontam que a tendência seria cooperação, não substituição. Além disso, o custo por gigabyte em redes de satélite ainda é superior ao das redes terrestres densas, limitando a viabilidade em grandes centros urbanos.

Concorrência e expansão de constelações

A Starlink não é a única a investir em redes de satélites. A Amazon, por exemplo, avança com o Amazon Leo, projetando terminais capazes de atingir até 1 Gbps, reforçando a disputa por clientes corporativos.

O crescimento dessas constelações apresenta desafios de regulação internacional, risco de lixo espacial e impacto na observação astronômica. Testes de Direct to Cell ainda enfrentam questões técnicas, como interferência e estabilidade do sinal.

Novos modelos de conectividade

Em vez de eliminar operadoras terrestres, a expansão da Starlink sugere uma reorganização do setor. Redes terrestres continuarão como estrutura central em cidades, enquanto satélites atenderão áreas sem cobertura e fornecerão caminhos alternativos em situações críticas.

Se o Direct to Cell for autorizado no Brasil e evoluir em desempenho, as operadoras poderão ser pressionadas a reduzir áreas sem sinal, estabelecer parcerias com constelações e rever preços em regiões isoladas. A disputa dependerá da capacidade de adaptação das empresas e da demanda crescente por conectividade contínua.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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