O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, autorizou a liberação de recursos financeiros da Starlink quinze dias antes de ser sancionado na legislação americana conhecida como Lei Magnitsky.
Starlink consegue liberação de recursos 15 dias antes de sanção a Moraes
Starlink recebe liberação de R$ 11 milhões com correção 15 dias antes da sanção de Moraes na Lei Magnitsky pelos EUA.
A decisão, tomada em 16 de julho de 2025, determinou o pagamento de juros e correção monetária referentes a um bloqueio judicial que manteve R$ 11 milhões da empresa retidos por mais de seis meses.
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Contexto do bloqueio e sanção

Em agosto de 2024, as contas da Starlink tiveram um bloqueio determinado por ordem de Moraes.
A retenção dos valores ocorreu para garantir o pagamento de uma multa de R$ 18,3 milhões aplicada à empresa X, antiga rede social Twitter no Brasil, que chegou a ser suspensa após descumprir ordens do STF.
A justificativa do ministro baseou-se na vinculação entre Starlink e X, ambas pertencentes ao grupo empresarial do bilionário Elon Musk.
A relação entre Starlink, X e as sanções
A sanção à qual Moraes foi submetido veio dos Estados Unidos em 30 de julho de 2025, por meio da Lei Magnitsky, legislação que visa punir agentes envolvidos em violações de direitos humanos.
Como consequência, o ministro ficou proibido de utilizar serviços financeiros ligados ao sistema bancário internacional, afetando sua atuação em processos envolvendo recursos estrangeiros.
O bloqueio inicial das contas da Starlink tinha como objetivo assegurar a multa imposta à X, que havia violado ordens judiciais ao manter perfis investigados pela Polícia Federal relacionados a campanhas contra delegados que apuravam fatos envolvendo Jair Bolsonaro e aliados.
Decisão de Moraes para liberação dos recursos
Em fevereiro de 2025, Alexandre de Moraes determinou a devolução dos R$ 11 milhões retidos da Starlink, remanejados para uma conta judicial do Banco do Brasil. No entanto, a liberação dos valores só foi autorizada após insistência da empresa junto ao Banco do Brasil e à Secretaria da 1ª Turma do STF.
Pedido de correção monetária e juros
Além da devolução, a Starlink reivindicou o pagamento de correção monetária sobre os valores bloqueados, considerando o impacto da inflação e a desvalorização da moeda durante o período em que o montante ficou retido.
A decisão de Moraes contemplou essa solicitação, determinando o ressarcimento da correção, embora sem especificar o valor exato a ser pago.
Trecho da decisão do ministro afirma:
“Determino, ainda, a restituição de eventual valor de correção monetária durante o período em que mantida a constrição às empresas STARLINK BRAZIL SERVIÇOS DE INTERNET LTDA e STARLINK BRAZIL HOLDING LTDA.”
Impactos jurídicos e financeiros da decisão
Correção monetária em bloqueios judiciais no Brasil
No sistema jurídico brasileiro, é prática comum aplicar correção monetária e juros sobre valores bloqueados judicialmente para evitar perdas financeiras devido à demora na liberação dos recursos. Essa medida visa preservar o valor real das quantias retidas, beneficiando as partes envolvidas.
Consequências para a Starlink e operações no Brasil
Com a liberação dos recursos, a Starlink retomou plenamente suas operações financeiras no Brasil. A empresa mantém contas no Itaú e no Citibank e opera no país desde 2022, quando recebeu autorização para prestação de serviços de internet via satélite durante o governo Bolsonaro.
A retomada dos valores é importante para a continuidade dos negócios, especialmente após os episódios de bloqueio e a suspensão temporária da rede social X no Brasil.
Relação entre Starlink, X e o governo brasileiro
Multa e bloqueio decorrentes de sanções ao Twitter
A multa aplicada à rede social X, que chegou a ser suspensa por desobedecer ordens do STF, desencadeou uma série de medidas que afetaram também a Starlink, devido ao vínculo empresarial.
O valor bloqueado excedeu o necessário para quitar a multa, ocasionando a retenção do excedente, que posteriormente foi objeto de liberação judicial.
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Operações judiciais e políticas envolvendo Elon Musk
Elon Musk, dono das duas empresas, viu seu grupo empresarial atravessar desafios regulatórios e judiciais no Brasil, sobretudo em um momento político tenso, marcado por investigações e controvérsias envolvendo redes sociais e a liberdade de expressão.
Lei Magnitsky e a sanção ao ministro Alexandre de Moraes
A Lei Magnitsky é um instrumento dos Estados Unidos para punir pessoas envolvidas em violações de direitos humanos e corrupção.
A sanção imposta ao ministro do STF restringe seu acesso a serviços financeiros internacionais, complicando a tramitação de recursos ligados a processos que envolvem valores estrangeiros.
Impactos para Moraes e o Judiciário brasileiro
A sanção à Moraes representa um episódio sem precedentes, que pode afetar sua atuação e a relação do Judiciário brasileiro com o sistema financeiro internacional.
Cronologia dos eventos

- Agosto de 2024: Bloqueio dos R$ 11 milhões da Starlink por ordem judicial, como garantia para pagamento da multa da X;
- Fevereiro de 2025: Moraes determina a devolução dos valores retidos;
- 16 de julho de 2025: Decisão autorizando pagamento da correção monetária e juros sobre os valores bloqueados;
- 30 de julho de 2025: Sanção de Moraes na Lei Magnitsky pelos EUA;
- Agosto de 2025: Liberação final dos recursos para a Starlink.
Conclusão
A decisão de Alexandre de Moraes de liberar os recursos financeiros da Starlink, incluindo a correção monetária, foi um movimento que precedeu sua sanção internacional.
Isso evidencia o intricado cenário jurídico, político e financeiro envolvendo grandes empresas de tecnologia, o sistema judicial brasileiro e legislações estrangeiras, como a Lei Magnitsky.
Essa situação destaca a complexidade das relações entre poder público e grandes corporações multinacionais, sobretudo em um contexto de disputas sobre regulação, direitos humanos e soberania nacional.
A liberação dos R$ 11 milhões com juros representa um alívio para a Starlink e reforça a importância da transparência e equilíbrio na aplicação da Justiça, mesmo diante de pressões políticas e econômicas globais.
