Bancada leva ao STF proposta que iguala salários de professores
Uma nova ofensiva pela valorização dos professores ganhou destaque no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta semana. A Frente Parlamentar Mista da Educação, liderada pelo deputado federal Rafael Brito (MDB-AL), apresentou manifestação na Corte defendendo a equiparação salarial entre professores efetivos e temporários da rede pública. A medida, segundo o grupo, é essencial para corrigir uma das mais evidentes distorções da carreira docente no país.
Atualmente, professores contratados em regime temporário podem ganhar até metade do salário dos colegas efetivos, mesmo atuando nas mesmas escolas, com as mesmas responsabilidades. A proposta reforça a necessidade de um olhar mais atento para esses profissionais, que em muitos estados já representam a maioria da força de trabalho na educação básica.
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A desigualdade na sala de aula
Segundo dados apresentados por Rafael Brito ao STF, em algumas unidades da federação os professores temporários chegam a compor 80% do quadro docente. Apesar de sua importância para o funcionamento das escolas, esses profissionais enfrentam salários reduzidos e ausência de direitos básicos, como férias remuneradas, 13º salário e estabilidade.
“É inaceitável que profissionais que desempenham as mesmas funções, muitas vezes nas mesmas salas de aula, recebam salários tão distintos apenas por conta do tipo de vínculo contratual”, declarou Brito. Para ele, a desigualdade salarial mina a atratividade da carreira, prejudica a qualidade da educação e desestimula novos talentos a ingressarem na docência.
O que está em jogo no STF
O tema em análise no STF, registrado como Tema 1308, trata da incidência do piso salarial nacional do magistério público aos professores contratados temporariamente. Hoje, muitos estados e municípios alegam que o piso só se aplica aos efetivos, mantendo vencimentos significativamente mais baixos para temporários.
A manifestação da bancada da educação foi protocolada para reforçar a interpretação de que todos os professores, independentemente do vínculo, devem ter assegurado o piso salarial previsto em lei. O grupo também quer que a decisão sirva de base para regulamentar critérios mais justos para contratação temporária.
Prejuízos para a educação
Além do impacto direto sobre a renda dos professores, a precarização dos temporários afeta a própria escola. Como explica Brito, a alta rotatividade e a falta de continuidade pedagógica prejudicam os alunos. “Essa realidade prejudica os alunos, que perdem em continuidade pedagógica e, também, os próprios profissionais, que ficam sem direitos básicos como 13º salário ou férias. É urgente mudar essa realidade com medidas que valorizem quem está em sala de aula”, afirmou.
A falta de perspectiva para os temporários também desestimula o aperfeiçoamento profissional, pois muitos evitam investir em formação continuada ou especializações, temendo não conseguir permanecer na rede.
O papel do Sistema Nacional de Educação
A iniciativa da bancada faz parte de uma pauta mais ampla em defesa da educação básica pública. Rafael Brito também é relator do projeto do Sistema Nacional de Educação (SNE), que pretende unificar normas e estabelecer critérios objetivos para contratação e remuneração dos professores.
Segundo o deputado, o SNE vai ajudar a corrigir distorções regionais e garantir que todos os professores, independentemente de onde atuam ou de como são contratados, tenham acesso aos mesmos direitos e incentivos para qualificação.
Um para valorizar o magistério

A mobilização no STF é vista por educadores e entidades sindicais como um avanço importante para a valorização do magistério no Brasil. Caso a Corte acate a tese defendida pela bancada, estados e municípios serão obrigados a revisar suas políticas salariais, o que pode beneficiar milhares de profissionais.
Para Brito, mais do que uma questão jurídica, a decisão representa uma escolha política e social. “É urgente mudar essa realidade com medidas que valorizem quem está em sala de aula”, concluiu.
Com informações de: Poder360