O Supremo Tribunal Federal (STF) já formou maioria para manter as medidas cautelares impostas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, entre elas, o uso de tornozeleira eletrônica. A decisão, inicialmente tomada pelo ministro Alexandre de Moraes, foi submetida à Primeira Turma da Corte e conta com quatro votos favoráveis, restando apenas o posicionamento do ministro Luiz Fux, cujo voto deve encerrar o julgamento virtual ainda na segunda-feira (21).
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O que está em julgamento?
O julgamento virtual na Primeira Turma do STF analisa a legalidade das medidas cautelares impostas por Moraes contra o ex-presidente, como parte das investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF). As medidas incluem:
- Uso de tornozeleira eletrônica;
- Recolhimento domiciliar noturno (das 19h às 6h);
- Recolhimento integral em fins de semana e feriados;
- Proibição de contato com embaixadores e autoridades estrangeiras;
- Proibição de aproximação de sedes diplomáticas, como embaixadas e consulados.
Essas medidas foram estabelecidas como alternativa à prisão preventiva, com o objetivo de impedir a continuidade das condutas investigadas pela PF.
Quem votou até agora?
Além do voto do relator Alexandre de Moraes, acompanharam a decisão os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia, consolidando a maioria entre os cinco integrantes da Primeira Turma. O ministro Luiz Fux, único a não votar até o momento, tem até o fim do julgamento virtual para se manifestar. Mesmo que vote contra, a manutenção das medidas já está garantida.
Contexto: operação da Polícia Federal
A análise do STF ocorre após uma operação da Polícia Federal deflagrada na última sexta-feira (18), que cumpriu mandados de busca e apreensão na casa de Jair Bolsonaro e na sede do Partido Liberal (PL), em Brasília.
Segundo relatório da PF, o ex-presidente e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), seu filho, estariam envolvidos em articulações com figuras internacionais, incluindo o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o objetivo de minar o governo brasileiro e atacar instituições como o Supremo Tribunal Federal.
As investigações também apuram tentativas de obstrução da ação penal relacionada à suposta trama golpista, na qual Bolsonaro figura como réu.
As acusações da Polícia Federal

A PF aponta que há indícios de coordenação internacional de ações antidemocráticas, com atuação deliberada para deslegitimar o sistema eleitoral brasileiro, estimular ataques a ministros do Supremo e influenciar setores militares e civis no Brasil e no exterior.
Além das ações diplomáticas não autorizadas, a PF investiga tentativas de influenciar diretamente a tramitação de processos judiciais, caracterizando possível obstrução de justiça.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) foi notificada e acompanha o andamento do caso.
Medidas cautelares: justificativas do STF
Por que a tornozeleira eletrônica?
De acordo com o voto de Alexandre de Moraes, a tornozeleira eletrônica permite monitorar deslocamentos e garantir o cumprimento das demais restrições, como a proibição de aproximação de sedes diplomáticas e reuniões com figuras estrangeiras.
A medida, segundo Moraes, é necessária para prevenir novas tentativas de articulação golpista ou desinformação internacional, além de proteger a ordem pública e a integridade do processo penal em curso.
Recolhimento domiciliar noturno e nos fins de semana
As restrições de movimentação impõem que Bolsonaro permaneça em casa entre 19h e 6h durante a semana, e o tempo todo nos fins de semana e feriados, impedindo que ele participe de eventos, articulações políticas ou reuniões suspeitas durante esses períodos.
Essa modalidade de recolhimento já é aplicada em outros casos de investigados por crimes contra o Estado e tem sido considerada eficaz para restringir atividades ilícitas fora do expediente.
Proibição de contato com autoridades estrangeiras
A decisão também impede que o ex-presidente mantenha contato com representantes diplomáticos ou autoridades internacionais, após a PF identificar supostos diálogos entre Bolsonaro e aliados de Donald Trump que teriam o objetivo de deslegitimar o sistema judicial brasileiro.
Eduardo Bolsonaro volta ao Brasil após licença
Paralelamente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, também citado na investigação, retornou ao Brasil no domingo (20) após cumprir uma licença parlamentar de 120 dias. Durante esse período, ele permaneceu nos Estados Unidos, onde participou de eventos ligados à extrema direita internacional.
Com seu retorno, a expectativa é que a Polícia Federal avance nos depoimentos e na análise de possíveis interações entre Eduardo, Trump e demais figuras envolvidas nas acusações.
O que acontece após o fim do julgamento?
Com a consolidação da maioria na Primeira Turma, a decisão passa a ter força de determinação colegiada, e as medidas cautelares serão mantidas até nova deliberação do STF ou eventual revisão da investigação pela PGR ou pela própria Corte.
Caso Luiz Fux vote a favor das medidas, o placar será unânime — o que fortalece institucionalmente a decisão e dificulta futuros questionamentos por parte da defesa.
Defesa de Bolsonaro contesta medidas
A equipe jurídica do ex-presidente considera as medidas “excessivas, desproporcionais e sem amparo legal”. Em nota, os advogados afirmaram que “não há risco concreto à ordem pública ou à instrução processual” e que a imposição de tornozeleira eletrônica viola direitos fundamentais e fere a presunção de inocência.
A defesa já havia protocolado recurso pedindo a suspensão imediata das medidas, mas este foi rejeitado por Alexandre de Moraes sob o argumento de que a gravidade das investigações justifica as restrições.
Repercussão política
A decisão do STF reverberou no meio político. Enquanto parlamentares da base governista e parte da sociedade civil apoiam as medidas como forma de preservar o Estado de Direito, aliados de Bolsonaro veem a decisão como perseguição política.
Reações no Congresso
Deputados bolsonaristas prometem acionar a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara para questionar os fundamentos jurídicos da decisão. Já senadores de partidos do centro e da oposição defendem respeito às instituições e ao devido processo legal.
Qual o próximo passo da investigação?

Com as medidas cautelares mantidas, a Polícia Federal deverá aprofundar as apurações sobre o papel de Bolsonaro e Eduardo na suposta articulação internacional, especialmente com foco na relação com o ex-presidente Trump.
O material apreendido na operação da última sexta-feira deve passar por análise forense, e novos desdobramentos não estão descartados. A PGR poderá oferecer novas denúncias ou reforçar as já existentes, a depender do avanço das provas colhidas.
Imagem: Alf Ribeiro / shutterstock.com




