A Strategy, empresa liderada por Michael Saylor, é atualmente a maior detentora corporativa de Bitcoin no mundo, com mais de 553 mil BTC em seu balanço. Com um valor de mercado superior a US$ 52 bilhões, a companhia tem sido pioneira na adoção do Bitcoin como reserva estratégica de valor.
Estratégia “descuidada” de compra de Bitcoin pode impulsionar preço e beneficiar acionistas, defende executivo
Richard Byworth sugere que a Strategy de Michael Saylor adote uma estratégia mais agressiva e "descuidada" de compra de Bitcoin, incluindo aquisições de empresas com reservas de caixa para maximizar o valor patrimonial.
Contudo, segundo Richard Byworth, sócio da Syz Capital e conselheiro da Jan3, a empresa poderia ir além. Em um podcast divulgado em 29 de abril de 2025, Byworth sugeriu que a Strategy poderia adotar uma tática mais “descuidada” e agressiva para continuar impulsionando o valor de mercado do Bitcoin.
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Oferta ilíquida e estratégia de impacto direto
Byworth defendeu a ideia de que a Strategy deveria deixar de lado as tradicionais compras OTC (mercado de balcão), que têm pouco impacto direto sobre o preço, e passar a comprar diretamente no mercado à vista. Isso, segundo ele, geraria uma pressão de compra significativa e poderia elevar o preço do ativo.
“No ponto em que as coisas estão ficando menos líquidas, talvez você devesse tentar por um período comprar de forma super agressiva, super descuidada, com impacto direto no mercado, e empurrar o preço para cima”, disse Byworth.
Por que a Strategy não se preocupa com o preço do Bitcoin

Diferentemente da maioria dos investidores, a Strategy não parece se importar com o preço específico do Bitcoin no momento da compra. Em vez disso, sua preocupação está centrada no mNAV (múltiplo do valor patrimonial líquido).
Esse indicador reflete quanto os ativos da empresa valem em relação ao seu valor de mercado. Ao aumentar o mNAV por meio da valorização do Bitcoin, a Strategy cria valor para os acionistas e atrai novos investidores, mesmo que isso implique compras em momentos de alta.
“Você pode muito bem comprar agressivamente, porque isso aumentará massivamente o preço, aumentará muito o MNAV da Strategy, o que significa que a diluição se tornará muito mais atrativa”, pontuou Byworth.
Prêmio sobre o NAV e sentimento de mercado
A estratégia da Strategy também se baseia na expectativa de que um aumento no prêmio sobre o NAV (valor patrimonial) indica confiança dos investidores. Isso pode antecipar movimentos de alta do preço e sustentar uma dinâmica de valorização no longo prazo.
Empresas zumbis e oportunidades no Japão
Um dos pontos mais inovadores apresentados por Byworth é a ideia de adquirir empresas “zumbis” — companhias que operam de forma estagnada, com fluxos de caixa consistentes, mas que não crescem e estão com baixa valorização.
Segundo o executivo, o Japão é um mercado repleto dessas oportunidades. A proposta é simples: a Strategy poderia adquirir tais empresas e converter imediatamente suas reservas de caixa em Bitcoin, ampliando assim sua exposição de maneira indireta, mas eficaz.
“Há muitas empresas assim no Japão, sentadas sobre negócios geradores de caixa que são bem entediantes e têm múltiplos preço/caixa muito baixos”, explicou.
A estratégia da Metaplanet como referência
A Metaplanet, empresa japonesa de investimentos, recentemente aumentou suas reservas de Bitcoin para mais de US$ 400 milhões. A companhia tem servido como exemplo de como uma abordagem agressiva pode rapidamente transformar um balanço corporativo.
Essa referência fortalece a tese de Byworth, indicando que empresas tradicionais podem ser canais eficientes para aumentar a exposição ao Bitcoin em ambientes regulatórios e financeiros conservadores.
A liquidez em declínio e os impactos futuros
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De acordo com um relatório recente da Fidelity Digital Assets, a quantidade de Bitcoin disponível nas exchanges está em queda. Parte dessa escassez se deve à compra crescente por empresas públicas como a Strategy.
Essa tendência pode se acelerar nos próximos meses, reduzindo ainda mais a liquidez e tornando mais difícil adquirir grandes volumes de BTC sem afetar o preço. Nesse contexto, a estratégia de compras “descuidadas” proposta por Byworth pode parecer menos irracional e mais como uma jogada tática.
Efeito dominó sobre o mercado
Com menos liquidez e mais demanda institucional, o preço do Bitcoin tende a subir, alimentando um ciclo de escassez e valorização. Empresas que se anteciparem a esse movimento podem se beneficiar de forma exponencial, aumentando seu valor de mercado, atraindo investidores e elevando seu capital de forma indireta.
Considerações finais: o risco calculado por trás do “descuidado”
A proposta de Byworth desafia a ortodoxia das tesourarias tradicionais. Em vez de diversificação conservadora, ele sugere uma concentração ousada em um ativo volátil, mas com potencial de valorização superior.
Essa visão pode não ser apropriada para todas as empresas, mas se encaixa perfeitamente em companhias com alta tolerância ao risco e com um posicionamento estratégico voltado à inovação financeira.
A Strategy como catalisadora de uma nova era financeira
Caso a Strategy adote essa tática mais agressiva, poderá redefinir os limites da gestão de ativos corporativos, influenciar o comportamento de outras empresas e, eventualmente, desempenhar papel central na narrativa de valor do Bitcoin como ativo global.
A discussão proposta por Byworth não é apenas sobre uma estratégia de compra, mas sobre uma visão de mundo em que o Bitcoin é não apenas um ativo especulativo, mas uma nova base monetária corporativa.
