Netflix e Prime Video em apuros? Streaming chinês surpreende com produções originais
Nos últimos anos, serviços de streaming chineses têm conquistado destaque no Sudeste Asiático, desafiando gigantes norte-americanas como Netflix e Amazon Prime Video. Plataformas como iQiyi, subsidiária do Baidu, e a Tencent, com o serviço WeTV, investem em produções originais locais na Tailândia, Indonésia e Malásia, diversificando receitas e fortalecendo a presença internacional.
📌 DESTAQUES:
Plataformas chinesas desafiam Netflix e Prime Video no Sudeste Asiático com produções originais e locais.
Segundo Yang Xiaowei, co-diretor da subsidiária tailandesa da iQiyi, durante evento em Bangkok, “Fora da China continental, o sudeste asiático é um dos nossos mercados mais importantes“. Para disputar esse mercado, a empresa está ajustando sua estratégia para priorizar conteúdo original que atraia o público local.
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Estratégia da iQiyi: conteúdo original e gratuito
Frequentemente comparada à Netflix, a iQiyi ampliou sua atuação na região desde 2019. A plataforma oferece serviços gratuitos com anúncios e assinaturas de baixo custo, equivalentes a poucos dólares, contabilizando atualmente cerca de 36 milhões de pagantes mensais no Sudeste Asiático.
No catálogo tailandês, mais de 60% dos 9 mil títulos disponíveis são chineses. A empresa, porém, planeja lançar de quatro a seis produções locais por ano, com investimento de até US$ 1,54 milhão por produção. Entre os gêneros prioritários estão dramas de amor entre garotos e entre garotas e programas de variedades, segmentos populares entre o público jovem.
Além da Tailândia, a iQiyi planeja expandir para Indonésia e Malásia ainda em 2025. Em junho, firmou parceria com a Telkomsel, maior operadora móvel da Indonésia, para produzir seis dramas com estúdios locais, alcançando cerca de 170 milhões de usuários.
Tencent aposta em talentos locais
A Tencent, concorrente da iQiyi, atua na região desde 2019 com o WeTV, também focado em produções originais. A empresa investe em programas de ídolos com talentos da Tailândia e região, criando conteúdo culturalmente relevante.
Um exemplo recente é a boy band NexT1de, formada a partir de um desses programas e que já apresenta crescimento de popularidade. Para a Tencent, o desenvolvimento de conteúdo local fortalece a identificação com o público e aumenta a retenção de assinantes.
Concorrência com Netflix e Prime Video
Embora Netflix e Prime Video tenham entrado no Sudeste Asiático por volta de 2016 e ainda dominem partes do mercado — como Singapura, onde detêm cerca de 60% da participação —, as plataformas chinesas estão rapidamente ganhando terreno.
Especialistas apontam que fatores culturais e demográficos favorecem a expansão chinesa. No Sudeste Asiático, há significativa população de origem chinesa. Na Tailândia, estima-se que metade do conteúdo popular entre espectadores seja chinês, segundo Shuhei Hashimoto, consultor da Roland Berger.
Hoje, plataformas chinesas respondem por cerca de 40% do mercado tailandês, superando os 30% de provedores norte-americanos. O modelo gratuito com anúncios amplia ainda mais a audiência real, reforçando a competitividade frente aos serviços pagos tradicionais.
Potencial de crescimento do mercado
Apesar de menor que os mercados da China ou EUA, o Sudeste Asiático apresenta grande potencial de crescimento, impulsionado por uma população jovem e em aumento de renda.
Segundo projeções da Statista, o mercado de streaming na região deve atingir US$ 6,8 bilhões até 2030, um crescimento de 49% em relação a 2024. A expectativa é que tanto plataformas chinesas quanto ocidentais aumentem investimentos em conteúdo local e estratégias de marketing para capturar uma fatia maior do público.
Além do streaming, a presença chinesa na região se estende a outros produtos e marcas, como eletrodomésticos, veículos elétricos e ferramentas de inteligência artificial, reforçando a influência cultural e econômica da China no Sudeste Asiático.
Estratégias que diferenciam as plataformas chinesas
A expansão bem-sucedida de iQiyi e Tencent se deve a alguns fatores estratégicos:
- Investimento em conteúdo local: Produções adaptadas aos gostos e cultura regional, incluindo gêneros populares e programas de variedades.
- Modelos de monetização flexíveis: Serviços gratuitos com anúncios e assinaturas de baixo custo atraem grande público.
- Parcerias com operadores locais: Colaborações com empresas como a Telkomsel facilitam o acesso a milhões de usuários.
- Foco em público jovem: Segmentos como dramas LGBTQ+ e programas de talentos capturam a atenção de espectadores mais engajados.
Essas estratégias contrastam com o modelo tradicional da Netflix e do Prime Video, que dependem principalmente de assinaturas mensais e grandes produções globais.
Desafios para Netflix e Prime Video
Com a rápida ascensão das plataformas chinesas, Netflix e Prime Video enfrentam novos desafios:
- Concorrência de preços: Serviços locais oferecem assinaturas mais acessíveis e modelos gratuitos.
- Relevância cultural: Conteúdos regionais atraem mais o público jovem e engajado.
- Penetração digital: Parcerias com operadores móveis aumentam a base de usuários rapidamente.
O crescimento das plataformas chinesas força empresas ocidentais a adaptar estratégias de conteúdo e preço, além de investir em produções locais para manter a competitividade.
O Sudeste Asiático se tornou um campo estratégico para o streaming global. Plataformas chinesas, como iQiyi e Tencent, vêm conquistando espaço com produções originais, preços competitivos e forte conexão cultural com o público local.
Enquanto isso, Netflix e Prime Video enfrentam desafios inéditos para manter sua posição dominante na região. A expansão chinesa mostra que o mercado global de streaming está se tornando mais fragmentado e competitivo, exigindo inovação constante e adaptação às preferências regionais.
O crescimento do setor indica que a influência cultural e econômica da China continuará a se expandir no Sudeste Asiático, não apenas no streaming, mas também em outros setores de consumo e tecnologia.
Com informações de: Exame
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