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Netflix e Prime Video em apuros? Streaming chinês surpreende com produções originais

Plataformas chinesas desafiam Netflix e Prime Video no Sudeste Asiático com produções originais e locais.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos5 min de leitura
Mão segurando controle remoto na frente de TV.

Nos últimos anos, serviços de streaming chineses têm conquistado destaque no Sudeste Asiático, desafiando gigantes norte-americanas como Netflix e Amazon Prime Video. Plataformas como iQiyi, subsidiária do Baidu, e a Tencent, com o serviço WeTV, investem em produções originais locais na Tailândia, Indonésia e Malásia, diversificando receitas e fortalecendo a presença internacional.

Segundo Yang Xiaowei, co-diretor da subsidiária tailandesa da iQiyi, durante evento em Bangkok, “Fora da China continental, o sudeste asiático é um dos nossos mercados mais importantes“. Para disputar esse mercado, a empresa está ajustando sua estratégia para priorizar conteúdo original que atraia o público local.

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Estratégia da iQiyi: conteúdo original e gratuito

Celular com aplicativos de streaming
Imagem: Tada Images / shutterstock.com

Frequentemente comparada à Netflix, a iQiyi ampliou sua atuação na região desde 2019. A plataforma oferece serviços gratuitos com anúncios e assinaturas de baixo custo, equivalentes a poucos dólares, contabilizando atualmente cerca de 36 milhões de pagantes mensais no Sudeste Asiático.

No catálogo tailandês, mais de 60% dos 9 mil títulos disponíveis são chineses. A empresa, porém, planeja lançar de quatro a seis produções locais por ano, com investimento de até US$ 1,54 milhão por produção. Entre os gêneros prioritários estão dramas de amor entre garotos e entre garotas e programas de variedades, segmentos populares entre o público jovem.

Além da Tailândia, a iQiyi planeja expandir para Indonésia e Malásia ainda em 2025. Em junho, firmou parceria com a Telkomsel, maior operadora móvel da Indonésia, para produzir seis dramas com estúdios locais, alcançando cerca de 170 milhões de usuários.

Tencent aposta em talentos locais

A Tencent, concorrente da iQiyi, atua na região desde 2019 com o WeTV, também focado em produções originais. A empresa investe em programas de ídolos com talentos da Tailândia e região, criando conteúdo culturalmente relevante.

Um exemplo recente é a boy band NexT1de, formada a partir de um desses programas e que já apresenta crescimento de popularidade. Para a Tencent, o desenvolvimento de conteúdo local fortalece a identificação com o público e aumenta a retenção de assinantes.

Concorrência com Netflix e Prime Video

Embora Netflix e Prime Video tenham entrado no Sudeste Asiático por volta de 2016 e ainda dominem partes do mercado — como Singapura, onde detêm cerca de 60% da participação —, as plataformas chinesas estão rapidamente ganhando terreno.

Especialistas apontam que fatores culturais e demográficos favorecem a expansão chinesa. No Sudeste Asiático, há significativa população de origem chinesa. Na Tailândia, estima-se que metade do conteúdo popular entre espectadores seja chinês, segundo Shuhei Hashimoto, consultor da Roland Berger.

Hoje, plataformas chinesas respondem por cerca de 40% do mercado tailandês, superando os 30% de provedores norte-americanos. O modelo gratuito com anúncios amplia ainda mais a audiência real, reforçando a competitividade frente aos serviços pagos tradicionais.

Potencial de crescimento do mercado

Apesar de menor que os mercados da China ou EUA, o Sudeste Asiático apresenta grande potencial de crescimento, impulsionado por uma população jovem e em aumento de renda.

Segundo projeções da Statista, o mercado de streaming na região deve atingir US$ 6,8 bilhões até 2030, um crescimento de 49% em relação a 2024. A expectativa é que tanto plataformas chinesas quanto ocidentais aumentem investimentos em conteúdo local e estratégias de marketing para capturar uma fatia maior do público.

Além do streaming, a presença chinesa na região se estende a outros produtos e marcas, como eletrodomésticos, veículos elétricos e ferramentas de inteligência artificial, reforçando a influência cultural e econômica da China no Sudeste Asiático.

Estratégias que diferenciam as plataformas chinesas

A expansão bem-sucedida de iQiyi e Tencent se deve a alguns fatores estratégicos:

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  1. Investimento em conteúdo local: Produções adaptadas aos gostos e cultura regional, incluindo gêneros populares e programas de variedades.
  2. Modelos de monetização flexíveis: Serviços gratuitos com anúncios e assinaturas de baixo custo atraem grande público.
  3. Parcerias com operadores locais: Colaborações com empresas como a Telkomsel facilitam o acesso a milhões de usuários.
  4. Foco em público jovem: Segmentos como dramas LGBTQ+ e programas de talentos capturam a atenção de espectadores mais engajados.

Essas estratégias contrastam com o modelo tradicional da Netflix e do Prime Video, que dependem principalmente de assinaturas mensais e grandes produções globais.

Desafios para Netflix e Prime Video

Controle remoto na mão e TV com logo da Netflix
Imagem: Vantage_DS / shutterstock.com

Com a rápida ascensão das plataformas chinesas, Netflix e Prime Video enfrentam novos desafios:

  • Concorrência de preços: Serviços locais oferecem assinaturas mais acessíveis e modelos gratuitos.
  • Relevância cultural: Conteúdos regionais atraem mais o público jovem e engajado.
  • Penetração digital: Parcerias com operadores móveis aumentam a base de usuários rapidamente.

O crescimento das plataformas chinesas força empresas ocidentais a adaptar estratégias de conteúdo e preço, além de investir em produções locais para manter a competitividade.

O Sudeste Asiático se tornou um campo estratégico para o streaming global. Plataformas chinesas, como iQiyi e Tencent, vêm conquistando espaço com produções originais, preços competitivos e forte conexão cultural com o público local.

Enquanto isso, Netflix e Prime Video enfrentam desafios inéditos para manter sua posição dominante na região. A expansão chinesa mostra que o mercado global de streaming está se tornando mais fragmentado e competitivo, exigindo inovação constante e adaptação às preferências regionais.

O crescimento do setor indica que a influência cultural e econômica da China continuará a se expandir no Sudeste Asiático, não apenas no streaming, mas também em outros setores de consumo e tecnologia.

Com informações de: Exame

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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