Quais são os supermercados que mais vendem no Brasil? Confira
O setor varejista brasileiro apresentou um dos seus desempenhos mais expressivos em 2024, impulsionado fortemente pelas redes supermercadistas, que representaram mais de 52% do faturamento das 300 maiores varejistas do país, segundo dados do Instituto Retail Think Tank (IRTT).
A ascensão de gigantes como Grupo Carrefour Brasil, Assaí e Grupo Mateus é explicada por uma combinação estratégica que envolve proximidade com o consumidor, investimentos em tecnologia, e a consolidação do modelo atacarejo, que alia eficiência logística e preços mais baixos — fatores que ganham peso diante do cenário de inflação persistente e restrição orçamentária das famílias.
Leia mais:
Hambúrguer mais caro: entenda o aumento nos supermercados
Ranking das maiores redes supermercadistas do Brasil
Top 10 do varejo nacional em 2024
O levantamento do IRTT não apenas confirma a força do setor supermercadista, como também evidencia um fenômeno de concentração entre os principais players. Confira abaixo o ranking das 10 maiores redes do país, com base no faturamento e número de lojas:
| Posição | Rede | Faturamento (R$ bilhões) | Número de lojas |
|---|---|---|---|
| 1º | Grupo Carrefour Brasil | R$ 120,6 bi | 1.007 |
| 2º | Assaí Atacadista | R$ 80,5 bi | 302 |
| 3º | Grupo Mateus | R$ 30,1 bi | 272 |
| 4º | Supermercados BH | R$ 21,3 bi | 196 |
| 5º | Grupo Pão de Açúcar (GPA) | R$ 20 bi | 726 |
| 6º | Grupo Muffato | R$ 17,4 bi | 168 |
| 7º | Grupo Pereira | R$ 15,3 bi | 145 |
| 8º | Mart Minas | R$ 11,4 bi | 86 |
| 9º | Cencosud Brasil | R$ 11,2 bi | 233 |
| 10º | Koch Hipermercado | R$ 10,3 bi | 80 |
Carrefour segue na liderança isolada
O Grupo Carrefour Brasil manteve a liderança com folga, alcançando mais de R$ 120 bilhões em vendas, apoiado por mais de mil unidades distribuídas pelo país. A fusão com o Grupo BIG e o avanço do formato Atacadão foram cruciais para a manutenção da liderança.
Assaí avança com modelo atacarejo
O Assaí, antigo braço do GPA, solidificou sua posição como o segundo maior player do varejo, com 302 lojas e R$ 80,5 bilhões em receita. O foco no atacarejo, com preços competitivos e lojas amplas, o torna favorito entre consumidores que buscam economia.
Grupo Mateus consolida o Nordeste
O Grupo Mateus, nascido no Maranhão, subiu para o terceiro lugar, ampliando presença no Nordeste e Centro-Oeste com 272 lojas e um modelo híbrido entre atacado e varejo tradicional. Seu desempenho reforça o crescimento regional fora do eixo Sudeste-Sul.
Estratégias que explicam o domínio do setor supermercadista
Proximidade com o consumidor
Regionalização como diferencial competitivo
Enquanto grandes varejistas de eletrodomésticos e moda enfrentam dificuldades com lojas físicas, os supermercados seguem crescendo com base em estratégias de proximidade, sobretudo nas capitais e grandes centros urbanos. Muitas redes apostam em:
- Lojas de bairro e conveniência
- Marcas regionais fortes
- Entregas rápidas por aplicativos locais
Essa estratégia tem gerado fidelização e forte apelo junto à base popular, sobretudo com o crescimento da renda informal.
Digitalização e integração omnichannel
E-commerce e marketplaces ganham espaço
Mesmo sendo tradicionalmente físicos, os supermercados aceleraram sua transformação digital. Em 2024, foi notável o investimento em:
- Apps próprios de delivery
- Marketplaces com produtos de terceiros
- Integração entre loja física e online (clique e retire)
Carrefour, Assaí e Grupo Mateus já possuem plataformas digitais robustas, além de investirem em Big Data para precificação dinâmica e análise de consumo em tempo real.
Crescimento do delivery
Segundo o IRTT, mais de 70% das grandes redes já contam com sistemas de entrega em até 2 horas em grandes centros, principalmente via parcerias com empresas de logística e aplicativos como iFood, Rappi e Cornershop.
O papel do atacarejo no cenário de inflação alta
Modelo híbrido segue atraindo clientes
O modelo atacarejo, que une elementos do varejo tradicional com o atacado, tornou-se o formato preferido por famílias de baixa e média renda em tempos de inflação. Além de preços mais baixos por volume, ele oferece:
- Autoatendimento
- Menor custo operacional
- Rapidez no giro de estoque
Assaí, Atacadão (Carrefour), Mart Minas e Grupo Mateus são os expoentes desse modelo.
Fusões, aquisições e consolidação regional
Crescimento não é apenas orgânico
Outra característica do setor em 2024 foi o avanço das fusões e aquisições, muitas vezes entre redes regionais. Isso permite:
- Entrada em novos estados
- Acesso rápido a logística local
- Redução de concorrência direta
Caso Plurix e Grupo Amigão
Um exemplo emblemático foi a aquisição de 65 lojas do Grupo Amigão pela Plurix, além da participação no Paraná Supermercados, consolidando a presença da rede em novos mercados.
Desafios e tendências para 2025
O que o setor supermercadista pode esperar?
Mesmo com o bom desempenho, o setor ainda enfrenta desafios importantes:
- Logística em regiões remotas
- Custos crescentes de operação
- Concorrência com o comércio digital internacional
- Pressão por ESG (ambiental, social e governança)
Expansão regional como vetor de crescimento
As regiões Norte e Centro-Oeste são vistas como as próximas fronteiras de expansão, com potencial para novas lojas, centros de distribuição e digitalização.
Inovação em meios de pagamento
Supermercados estão integrando soluções como:
- Pix parcelado
- Carteiras digitais
- Pagamentos com reconhecimento facial
- Limite rotativo de crédito por consumo no mês
Imagem: Canva