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Alerta: mudanças nos descontos em folha colocam 300 entidades em risco

Governo suspende descontos em folha para associações de aposentados no Rio de Janeiro, gerando crise em serviços essenciais.

Luiza NiewinskiPor Luiza Niewinski5 min de leitura
Alerta: mudanças nos descontos em folha colocam 300 entidades em risco

O clima entre os aposentados no Rio de Janeiro é de profunda apreensão. Desde abril de 2025, a decisão do governo de suspender os descontos em folha para associações de aposentados e pensionistas gerou uma onda de incertezas. A medida atinge mais de 300 entidades que oferecem serviços essenciais como saúde, assistência jurídica e atividades de lazer para milhares de idosos.

Alerta: mudanças nos descontos em folha colocam 300 entidades em risco
Imagem: Freepik/Edição: Seu Crédito Digital

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Entidades essenciais estão em risco

A Federação das Associações de Aposentados e Pensionistas do Estado do Rio de Janeiro (Faaperj) alerta para o risco iminente de fechamento das entidades. A presidente da federação, Yedda Gaspar, ressalta que a decisão compromete décadas de luta e a continuidade de serviços que atendem, sobretudo, aposentados de baixa renda.

As associações oferecem serviços como:

Serviços oferecidos pelas entidades

  • Consultas médicas em diversas especialidades
  • Atendimento odontológico
  • Assistência jurídica gratuita
  • Atividades de lazer, como bailes e passeios
  • Orientação previdenciária e apoio em processos de aposentadoria

Entenda a origem da crise

A crise teve início após a operação “Sem Desconto”, deflagrada pela Polícia Federal em abril de 2025. A investigação revelou um esquema bilionário de fraudes que envolvia descontos indevidos em benefícios de aposentados. As fraudes causaram um prejuízo de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.

Em resposta, o Ministério da Previdência Social decidiu cancelar todos os convênios de desconto em folha, afetando tanto associações fraudulentas quanto entidades idôneas.

Impacto direto no Rio de Janeiro

O efeito da decisão é devastador no estado do Rio de Janeiro. A Associação dos Aposentados e Pensionistas de Macaé, que atendia dois mil associados, precisou fechar as portas. Serviços de consultas em cardiologia, ortopedia e oftalmologia, além de assistência jurídica, foram totalmente interrompidos.

Paulo Piraí, presidente da entidade, destaca que muitos associados, que pagavam uma mensalidade acessível de R$ 50, agora enfrentam longas filas no SUS ou precisam recorrer a serviços privados, muitas vezes inviáveis financeiramente.

Histórico de luta dos aposentados no Brasil

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Imagem: Freepik e Canva

O movimento dos aposentados é marcado por décadas de mobilização. Desde os anos 1960, os aposentados realizaram protestos, pressionaram o Congresso Nacional e conquistaram importantes vitórias, como a criação do Estatuto do Idoso em 2003 e a CPI da Previdência Social.

Entre os momentos mais marcantes estão:

  • Paralisação da Rodovia Presidente Dutra, em 1987
  • Ocupações em Brasília e no Supremo Tribunal Federal
  • Elaboração de projetos de lei voltados para os aposentados
  • Criação de departamentos jurídicos nas entidades

Fraudes reveladas pela operação Sem Desconto

A operação expôs um esquema sofisticado, em que associações de fachada cadastravam aposentados sem autorização, aplicando descontos diretamente na folha. Investigações mostraram movimentações financeiras suspeitas, viagens internacionais e aquisição de bens de luxo.

Entre os envolvidos, estão nomes como Cecília Rodrigues Mota, que presidia entidades fantasmas, e Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, acusado de operar como lobista e movimentar milhões de reais.

A reação das associações honestas

Líderes de associações legítimas afirmam que o governo deveria ter adotado medidas mais criteriosas, fortalecendo a fiscalização em vez de aplicar uma suspensão generalizada.

Yedda Gaspar, da Faaperj, reforça que há anos denuncia entidades fraudulentas. Ela propõe soluções como:

  • Auditorias frequentes nas entidades conveniadas
  • Criação de um cadastro digital para que aposentados confirmem sua filiação
  • Maior transparência nos contratos entre INSS e associações
  • Campanhas de conscientização para aposentados sobre riscos de fraudes

Volta Redonda e outras cidades tentam resistir

Algumas entidades, como a de Volta Redonda, conseguem se manter por não dependerem exclusivamente dos descontos em folha. Elas sobrevivem por meio de contribuições diretas, mas reconhecem que esse modelo é inviável para a maioria das associações, principalmente aquelas que atendem idosos com renda de até um salário mínimo.

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Efeitos no sistema público de saúde

O fechamento das entidades sobrecarrega diretamente o Sistema Único de Saúde (SUS). Em cidades como Macaé, os dois mil associados da associação local passaram a procurar atendimento na rede pública, que já enfrenta dificuldades.

Paulo Piraí alerta que consultas que eram realizadas em poucos dias nas associações agora demoram até seis meses no SUS. A Faaperj calcula que mais de 50 mil idosos no estado do Rio estão diretamente afetados pela falta de acesso a serviços básicos.

Caminhos para superar a crise

Diante do cenário, as entidades tentam construir uma saída. Entre as propostas estão:

  • Retomada dos descontos em folha, com rígido controle e fiscalização
  • Implantação de sistemas digitais de controle por meio do Meu INSS
  • Criação de um fundo emergencial para apoiar entidades idôneas durante a transição
  • Articulação política com deputados e senadores para revisão da medida

Em Santa Catarina, associações ingressaram na Justiça contra a decisão, alegando que ela fere direitos adquiridos e coloca em risco serviços essenciais.

A voz dos aposentados afetados

Casos como o de Maria da Conceição, de 72 anos, são comuns. Ela relata que dependia da associação para realizar consultas oftalmológicas e, com a suspensão, não sabe como irá cuidar da saúde.

José Ribeiro, de 68 anos, perdeu o suporte jurídico que o ajudava a revisar sua aposentadoria. Sem a associação, sente-se desamparado e teme não conseguir resolver suas pendências no INSS.

Mobilização nacional em defesa dos aposentados

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Imagem: Freepik

A Faaperj organiza manifestações e pressiona o governo para reverter a decisão. Mobilizações em Brasília e até bloqueios de rodovias estão sendo planejados, reeditando os atos históricos dos anos 1980.

No Distrito Federal, líderes se articulam com a Frente Parlamentar em Defesa dos Aposentados. Já em Santa Catarina, ex-funcionários demitidos se uniram em movimentos de apoio, oferecendo orientação gratuita, embora com recursos limitados.

Luiza Niewinski

Autor

Luiza Niewinski

Luiza Niewinski é apaixonada por animais, fã de séries e entusiasta da informação. Está sempre atenta ao que acontece no Brasil e no mundo, com o objetivo de transformar notícias em conteúdo útil e acessível para o leitor. No portal Seu Crédito Digital, atua na produção de matérias sobre benefícios sociais, programas do governo, direitos do cidadão e temas do dia a dia que impactam diretamente a população.

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