As relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos enfrentam um novo impasse após o anúncio de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros. O presidente da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), Roberto Perosa, afirmou nesta sexta-feira (11) que a tarifa de 50% imposta pelos EUA sobre a carne bovina brasileira torna economicamente inviável manter as exportações ao mercado norte-americano.
A medida, anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem potencial para afetar profundamente o setor agroexportador brasileiro e gerar impactos em contratos já firmados com importadores norte-americanos.
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Tarifação de 50% compromete contratos já em andamento
Imagem: EyeEm – Freepik
Durante videoconferência com jornalistas, Perosa foi direto ao afirmar que os contratos em vigor deverão ser revistos. “É óbvio que os contratos estabelecidos terão que ser revistos. Com essa tarifação é inviável economicamente que o Brasil envie carne aos Estados Unidos”, declarou.
A Abiec representa as principais empresas exportadoras de carne bovina do país, incluindo grandes grupos como JBS, Marfrig e Minerva. A tarifa adicional anunciada por Trump afeta diretamente os embarques já em curso, gerando incertezas quanto às cargas que estão a caminho do território norte-americano.
Incertezas para embarques em trânsito
Um dos pontos mais delicados é a situação das cargas que já foram enviadas aos EUA antes do anúncio oficial da nova política tarifária. Segundo Perosa, há incertezas quanto à aplicação da tarifa nesses casos.
Impacto imediato para exportadores brasileiros
Possibilidade de cancelamento de contratos;
Redução na competitividade do produto brasileiro;
Riscos de prejuízo financeiro para embarques em trânsito.
Esse cenário agrava o clima de instabilidade comercial entre os dois países e pode provocar mudanças estratégicas nos destinos da carne bovina brasileira no curto prazo.
Exportações de carne bovina aos EUA: números e importância
Atualmente, os Estados Unidos não são o principal destino da carne bovina brasileira, mas representam um mercado importante para cortes premium e com alto valor agregado. O Brasil exportou, em 2024, aproximadamente 100 mil toneladas de carne bovina para o mercado norte-americano, com destaque para carnes resfriadas e processadas.
Importância simbólica e econômica
Mesmo que outros mercados, como China e Hong Kong, representem maiores volumes, o acesso ao mercado dos EUA tem valor estratégico por envolver padrões sanitários rigorosos e dar credibilidade internacional à produção brasileira.
Governo avalia impacto e prepara reação
Em Brasília, o governo federal afirmou que a tarifa não deve ter impacto expressivo no PIB brasileiro, mas admite que haverá consequências importantes para o setor de proteína animal. Fontes do Ministério da Agricultura e do Itamaraty confirmam que o Brasil estuda ações diplomáticas e possíveis retaliações comerciais.
Efeitos colaterais possíveis
Aumento do dólar frente ao real;
Pressão inflacionária nos alimentos;
Volatilidade no mercado financeiro.
Caso o Brasil opte por retaliar, produtos norte-americanos exportados ao mercado brasileiro também podem sofrer medidas tarifárias, o que ampliaria a tensão diplomática.
Setor busca alternativas e redirecionamento de exportações
Imagem: EyeEm – Freepik
Diante do cenário incerto, representantes da indústria já falam em redirecionar a produção para outros mercados, especialmente na Ásia e Oriente Médio, onde a demanda por carne bovina brasileira permanece forte.
Segundo Perosa, a prioridade é minimizar as perdas e proteger os contratos em andamento, mas a situação exige reavaliação das estratégias de médio e longo prazo.
Potenciais destinos alternativos
China, principal importador da carne brasileira;
Emirados Árabes Unidos, que ampliaram importações em 2024;
Egito e Arábia Saudita, com crescente consumo de proteína bovina.
Impacto no mercado interno e nos preços da carne
Uma das preocupações do consumidor brasileiro é se a tarifa dos EUA pode impactar o preço da carne no mercado interno. Especialistas avaliam que, se houver excesso de oferta no Brasil por causa da redução das exportações, os preços podem cair momentaneamente. No entanto, esse efeito dependerá do redirecionamento bem-sucedido para outros países.
Luiza Niewinski é apaixonada por animais, fã de séries e entusiasta da informação. Está sempre atenta ao que acontece no Brasil e no mundo, com o objetivo de transformar notícias em conteúdo útil e acessível para o leitor. No portal Seu Crédito Digital, atua na produção de matérias sobre benefícios sociais, programas do governo, direitos do cidadão e temas do dia a dia que impactam diretamente a população.