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Após tarifaço, México se torna segundo maior destino da carne bovina brasileira

Com queda nas vendas para os EUA após tarifaço, México supera os americanos e vira segundo maior destino da carne bovina brasileira em 2025.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto4 min de leitura
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As exportações brasileiras de carne bovina viveram uma reviravolta no primeiro semestre de 2025. Após a imposição de um tarifaço adicional pelo governo dos Estados Unidos, o México despontou como o segundo maior destino do produto nacional, ficando atrás apenas da China. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) revelam um crescimento expressivo de 420% nas vendas ao mercado mexicano entre janeiro e junho.

A mudança no cenário internacional evidencia não apenas uma reação imediata à política protecionista de Washington, mas também uma tendência de diversificação dos parceiros comerciais do Brasil. Entre janeiro e junho, as exportações de carne bovina para o México saltaram de 3,1 mil para 16,1 mil toneladas, com valor financeiro ampliado de US$ 15,5 milhões para US$ 89,3 milhões.

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Crescimento expressivo em julho

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Imagem: EyeEm – Freepik

México ultrapassa EUA pela primeira vez

Os números mais recentes do comércio exterior confirmam a consolidação do México como importante cliente da proteína animal brasileira. Apenas entre os dias 1º e 28 de julho, o país importou US$ 69 milhões em carne bovina do Brasil, superando os US$ 68,7 milhões comprados pelos Estados Unidos no mesmo período.

A mudança é simbólica e estratégica. Historicamente, os Estados Unidos ocupavam o segundo lugar entre os principais destinos da carne brasileira, ficando atrás somente da China, que mantém uma demanda robusta. No mesmo período de julho, os chineses importaram 132 mil toneladas, desembolsando cerca de US$ 732 milhões.

Chile também amplia participação

Outro mercado que tem se destacado é o Chile, cujas importações saltaram de US$ 45 milhões em janeiro para mais de US$ 66,5 milhões em julho. A movimentação sinaliza uma tendência crescente de inserção da carne brasileira em mercados latino-americanos, sobretudo diante das incertezas com os Estados Unidos.

Queda brusca nas exportações para os EUA

Tarifas impactam embarques e geram prejuízos

A retração do mercado americano foi abrupta. Em abril, os Estados Unidos importaram 44,1 mil toneladas de carne brasileira, ao custo de US$ 229 milhões. Dois meses depois, os volumes caíram para 13,4 mil toneladas e US$ 75,3 milhões. A queda representa um recuo de 67% em um curto espaço de tempo.

A decisão do governo norte-americano de impor uma tarifa adicional de 50% sobre a carne bovina brasileira, válida a partir de 6 de agosto, pegou o setor de surpresa. A medida, anunciada como parte de uma política de proteção ao produtor local, deixou cerca de 30 mil toneladas já prontas para embarque paradas no Brasil.

Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), esse estoque representa um prejuízo imediato para frigoríficos e exportadores que operam sob contratos previamente firmados. A entidade articula junto ao Itamaraty e à diplomacia comercial brasileira estratégias para reverter a tarifa.

Exportações batem recorde histórico em julho

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Imagem: Senivpetro / Freepik

US$ 1,35 bilhão em vendas no mês

Apesar das tensões com os Estados Unidos, o setor registrou resultados históricos em julho. As exportações brasileiras de carne bovina totalizaram US$ 1,352 bilhão até o dia 28, ultrapassando o recorde mensal da década. Em junho, o volume exportado havia sido de 241 mil toneladas, movimentando US$ 1,3 bilhão.

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Os dados indicam que, mesmo com os entraves no mercado americano, a indústria nacional consegue manter sua competitividade em outras regiões do mundo. O bom desempenho é atribuído à rápida adaptação dos exportadores e ao aumento da demanda em mercados alternativos.

Perspectivas e desafios para o segundo semestre

Diversificação de mercados será chave

Com a tarifa americana em vigor a partir de 6 de agosto, o cenário aponta para uma concentração ainda maior nos mercados latino-americanos e asiáticos. A China continuará a ser o principal destino, mas países como México, Chile, Emirados Árabes e Filipinas devem ganhar importância na estratégia comercial do Brasil.

Há também negociações em andamento para ampliar o acesso à Coreia do Sul e reabrir o mercado japonês, que continua com restrições sanitárias. O setor aposta ainda em acordos bilaterais com países africanos e do Sudeste Asiático para garantir novos compradores diante do entrave com os Estados Unidos.

Pressão política nos bastidores

Enquanto isso, o governo brasileiro atua nos bastidores para tentar reverter a tarifa imposta por Donald Trump. Técnicos do Ministério das Relações Exteriores e da Agricultura já mantêm diálogo com representantes da Casa Branca e do Congresso americano, destacando que a medida fere acordos comerciais e prejudica a relação bilateral.

A expectativa do setor é de que, com as eleições presidenciais se aproximando nos EUA, haja espaço para uma flexibilização das tarifas, especialmente diante da pressão de importadores americanos que dependem da carne brasileira pela sua qualidade e preço competitivo.

Imagem: Mark Stebnicki / pexels.com

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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