Tarifaço de Trump agita o mercado: confira os destaques positivos e negativos do Ibovespa
Ibovespa recua após tarifaço de Trump. Veja os destaques positivos e negativos das ações no período.
Por Fernanda Ramos
O mercado financeiro brasileiro sentiu o impacto imediato do chamado “tarifaço” anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. No dia 9 de julho, o republicano decretou a aplicação de uma taxa extra de 50% sobre produtos brasileiros, medida que aumentou a tensão entre os dois países. Desde então, o Ibovespa acumulou queda de 1,6%, refletindo o nervosismo dos investidores.
Embora o recuo do índice seja relativamente modesto diante da gravidade do anúncio, o episódio evidenciou que a aversão ao risco segue presente. Como sempre ocorre em momentos de incerteza, algumas ações se destacaram positivamente, enquanto outras amargaram fortes quedas.
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Entre os destaques positivos do Ibovespa na semana, a MRV foi quem roubou a cena. As ações da construtora avançaram 4,5% no período, na contramão do mercado. O desempenho se explica por fatores internos: a companhia divulgou resultados expressivos para o segundo trimestre, com aumento nos lançamentos e nas vendas de imóveis.
O otimismo dos investidores com os números apresentados pela MRV se sobrepôs ao pessimismo gerado pelo tarifaço de Trump. Ainda assim, vale notar que no pregão do dia 15, a ação já recuava, indicando que a euforia inicial pode ter sido pontual.
CSN e PetroReconcavo também registram ganhos
Outras duas ações que conseguiram se manter no terreno positivo foram a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) e a PetroReconcavo, com altas de 3,4% e 2,8%, respectivamente.
No caso da CSN, o bom desempenho pode estar atrelado ao aumento da demanda por aço e perspectivas favoráveis no mercado externo. Já a PetroReconcavo, especializada em produção de petróleo em campos maduros, tem se beneficiado do avanço recente nos preços do barril de petróleo.
Educação e varejo lideram as quedas
Na ponta negativa, o destaque ficou para a Yduqs, do setor de educação, que acumulou perda de 8,4% desde o anúncio do tarifaço. A empresa já vinha enfrentando um cenário desafiador, com margens apertadas e aumento da inadimplência. A tensão nos mercados apenas agravou o quadro.
Em seguida aparecem a Magazine Luiza e a BRF, que caíram 7% e 6,6%, respectivamente. As duas companhias são altamente sensíveis ao ambiente macroeconômico: no caso da varejista, os juros altos e o consumo enfraquecido já vinham pressionando as ações. Para a BRF, a alta nos custos de insumos e riscos no comércio internacional pesaram sobre as expectativas.
Nem tudo está ligado ao tarifaço
Imagem: mark reinstein / Shutterstock.com
Apesar de o tarifaço ter sido o grande catalisador do pessimismo no mercado brasileiro na última semana, nem todos os movimentos das ações podem ser atribuídos a ele. Analistas explicam que fatores setoriais e internos das empresas também influenciaram os resultados.
Por exemplo, a alta da MRV foi impulsionada por números próprios da companhia, enquanto a queda de Yduqs e Magazine Luiza reflete uma conjuntura mais ampla de dificuldades em seus respectivos segmentos.
Ibovespa resiste, mas incertezas continuam
Mesmo com a queda de 1,6% registrada após o anúncio de Trump, o Ibovespa conseguiu evitar um tombo maior, mostrando que parte do impacto já estava precificada pelo mercado. No entanto, a escalada das tensões comerciais entre Brasil e EUA aumenta a imprevisibilidade para os próximos meses.
Investidores seguem atentos a novos desdobramentos diplomáticos que possam reverter ou agravar a medida norte-americana. Ao mesmo tempo, seguem avaliando os fundamentos das companhias listadas para encontrar oportunidades mesmo em meio ao cenário desafiador.
Confira as maiores altas e baixas do Ibovespa na semana
Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.