A chamada “taxa das blusinhas”, que impõe tarifas sobre produtos importados, tem alterado o cenário do e-commerce no Brasil e na América Latina, favorecendo empresas regionais como o Mercado Livre (MELI34) e pressionando gigantes chinesas como Temu e Shein. O efeito se reflete no desempenho de aplicativos, no engajamento de usuários e na competitividade dos marketplaces internacionais no país.
‘Taxa das blusinhas’ favorece Mercado Livre e prejudica Temu e Shein no Brasil
Tarifas de importação elevam custos de Temu e Shein, beneficiando Mercado Livre na América Latina.
Segundo dados do SensorTower, o Mercado Livre alcançou 1,442 milhão de usuários ativos mensais (MAU) na América Latina no primeiro semestre de 2025, ficando à frente da Amazon (553 mil MAU) e da Shein (157 mil MAU). A consolidação do marketplace argentino se deve a fatores internos, como logística nacional eficiente, integração com o Mercado Pago e forte presença em múltiplos canais.
O crescimento foi impulsionado também pela ampliação do tempo médio de uso semanal, um dos poucos apps a registrar alta consecutiva trimestre após trimestre desde o primeiro do ano passado.
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Impacto das tarifas sobre o e-commerce chinês

As plataformas chinesas enfrentam desafios adicionais devido à política fiscal brasileira. A “taxa das blusinhas” combina 17% de ICMS com 60% de imposto de importação sobre compras internacionais acima de US$ 50, encarecendo os produtos para o consumidor final.
Outros países da região também seguiram a tendência:
- Chile: IVA de 19% sobre pacotes de até US$ 41 a partir de outubro de 2025;
- México: alíquota de importação elevada para 33,5%;
- Uruguai: inclusão de IVA sobre remessas de fora dos EUA.
Apesar das restrições, o consumo internacional segue elevado. No Uruguai, por exemplo, o volume de pacotes vindos da China mais que triplicou em 2025, chegando a quase 1 milhão de encomendas no primeiro semestre, avaliadas em US$ 93 milhões, segundo dados alfandegários divulgados pela Bloomberg.
Desempenho da Temu e desafios de retenção
A Temu, embora tenha registrado crescimento expressivo na base de usuários — de 43 mil para 105 mil contas ativas em um ano — enfrenta dificuldades de fidelização. A taxa de churn (perda de clientes) é de 37%, quase quatro vezes maior que a Shopee (8%) e bem acima do Mercado Livre (10%).
A Shein também apresenta uma taxa elevada de 25%, enquanto Mercado Livre e Casas Bahia mantêm indicadores abaixo de 20%, refletindo maior retenção e engajamento dos usuários.
Estratégias de adaptação das plataformas chinesas
Para contornar o cenário desfavorável, Temu e Shein adotam medidas específicas:
Temu
- Estocagem de produtos em armazéns locais no México, Chile, Colômbia e Peru;
- Inclusão de vendedores nacionais em alguns países para reduzir prazos de entrega;
- Crescimento do foco em mídia paga e campanhas digitais, com 30% dos downloads oriundos de anúncios patrocinados.
Shein
- Branding agressivo e publicidade intensiva;
- Em junho de 2024, o site superou 542 milhões de visitas, e o aplicativo atingiu 80 milhões de usuários ativos mensais;
- Dependência de mídia paga (25% dos downloads), priorizando o canal mobile como principal frente de expansão;
- Investimentos em personalização de ofertas e datas promocionais estratégicas, como 9.9 e 11.11, com influenciadores regionais.
Vantagens do Mercado Livre no cenário atual
O Mercado Livre se beneficia de um contexto onde as gigantes asiáticas enfrentam barreiras fiscais e logísticas. Entre os principais fatores que favorecem a plataforma estão:
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+311 mil seguidores
- Infraestrutura logística consolidada;
- Integração com o sistema de pagamentos Mercado Pago;
- Múltiplos canais de venda, incluindo app, desktop e lojas físicas parceiras;
- Baixa taxa de churn, que favorece engajamento contínuo;
- Crescimento consistente no tempo de uso semanal, indicando fidelidade do consumidor.
Comparação com a Shopee

A Shopee mantém estratégia distinta, com foco em:
- Campanhas mensais e ofertas relâmpago;
- Frete gratuito em diversas promoções;
- Redução do churn e aumento do tempo de tela dos usuários, mesmo frente à concorrência.
Essa abordagem tem permitido à Shopee manter relevância e competitividade, mesmo com o crescimento da Temu e os impactos das tarifas internacionais.
Cenário futuro do e-commerce na América Latina
O impacto da taxa das blusinhas evidencia uma tendência de proteção de mercados locais frente a players internacionais. Enquanto Mercado Livre e outros marketplaces regionais consolidam sua posição, Temu, Shein e AliExpress buscam alternativas para:
- Reduzir o impacto das tarifas de importação;
- Aumentar a fidelização e retenção de clientes;
- Ajustar logística e estoques regionais;
- Intensificar marketing digital e experiência do usuário mobile.
Segundo analistas, a competição deve se intensificar nos próximos anos, especialmente em canais digitais móveis, onde as plataformas chinesas ainda têm oportunidades de crescimento, mas enfrentam desafios de custo e retenção.
