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Dividendos de até 76%: veja quais ações estão superando a Selic de 14,75%

Mesmo com a Selic a 14,75%, empresas como SYN, Marfrig e JBS oferecem dividendos que superam os juros básicos. Entenda os riscos!

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
dividendos bolsa de valores

O Banco Central do Brasil decidiu, em reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), elevar a taxa básica de juros (Selic) em 0,5 ponto percentual, levando-a ao patamar de 14,75% ao ano. A medida visa conter a pressão inflacionária persistente, mesmo com sinais de desaceleração no consumo e desaquecimento da economia global.

A elevação da Selic afeta diretamente o custo do crédito e a atratividade dos investimentos. Renda fixa, como Tesouro Direto e CDBs, ganha força com rendimentos mais elevados, enquanto o mercado de ações tende a perder atratividade — especialmente para empresas mais alavancadas ou sensíveis ao ciclo de juros.

Contudo, nem todas as ações sofrem do mesmo modo. Algumas companhias mantêm um nível de lucratividade tão alto que conseguem entregar aos acionistas retornos acima da Selic, especialmente por meio do pagamento de dividendos generosos.

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Os dividendos do Banco do Brasil (BBAS3) em 2025: Tudo o que você precisa saber sobre os pagamentos e previsões de rentabilidade

selic
Reprodução: Seu Crédito Digital / Freepik

O que é o Dividend Yield e por que ele importa

O dividend yield (DY) é um indicador que mede o retorno em dividendos que o investidor recebe proporcionalmente ao valor da ação. A fórmula é simples:

Dividend Yield = (Dividendos pagos no ano / Preço da ação) x 100

Por exemplo, uma ação que custa R$ 10 e paga R$ 1,20 ao ano em dividendos possui um DY de 12%. Quanto maior o DY, maior o retorno do investidor somente com o pagamento de dividendos — sem considerar a valorização ou desvalorização do papel.

Mas é essencial atenção ao contexto. DYs elevados demais podem ser consequência de quedas abruptas no valor da ação, o que pode sinalizar problemas estruturais na empresa.

As ações com maior retorno em 2025

Mesmo com a Selic em 14,75%, alguns papéis seguem remunerando seus acionistas com retornos ainda superiores. Veja abaixo a lista de empresas com DYs elevados:

EmpresaTickerDividend Yield
SYN (ex-Cyrela Properties)SYNE376%
MarfrigMRFG331%
JBSJBSS320,94%
CemigCMIG417,79%
ValidVLID317,33%
CSN MineraçãoCMIN315,22%
PetrobrasPETR414,22%

SYN (SYNE3): dividendos estratosféricos

O destaque absoluto vai para a SYN, nova denominação da Cyrela Commercial Properties. Com um DY de 76%, a companhia lidera o ranking com folga. Esse número, no entanto, não representa um pagamento recorrente.

A empresa informou, no final de 2024, a redução de seu capital social em R$ 560 milhões, com pagamento aos acionistas no valor de R$ 3,66 por ação. A operação foi realizada em 18 de dezembro de 2024, e impactou diretamente o cálculo do DY.

Apesar do retorno elevado, é importante destacar que esse tipo de pagamento não deve se repetir em 2025. A SYN atua na gestão de imóveis comerciais de alto padrão e shoppings, com destaque para o Shopping Cidade de São Paulo.

Marfrig (MRFG3): resiliência em tempos difíceis

A Marfrig, gigante do setor de proteína animal, aparece com dividend yield de 31%. O número chama atenção, sobretudo em um momento de dificuldades no setor de carne bovina nos Estados Unidos, principal mercado da companhia.

Segundo análise do Morgan Stanley, as margens Ebitda nos EUA estão em apenas 2%, bem abaixo da média histórica de 5%. Ainda assim, o banco considera a Marfrig como atrativa, principalmente pela sua resiliência em ciclos adversos e pela possibilidade de reversão do cenário no médio prazo.

JBS (JBSS3): distribuição bilionária

JBS no 2T21
Imagem: rafapress / shutterstock.com

Outro nome forte no setor de frigoríficos é a JBS. Em 2024, a companhia distribuiu R$ 11 bilhões em dividendos aos acionistas, o que resultou em aproximadamente R$ 5 por ação. Foram dois pagamentos relevantes:

  • R$ 6,6 bilhões pagos entre outubro de 2024 e janeiro de 2025, referentes ao dividendo mínimo obrigatório.
  • R$ 4,4 bilhões em dividendos adicionais aprovados posteriormente.

O DY resultante chega a quase 21%, reforçando o compromisso da companhia com a remuneração dos investidores, mesmo em cenários de instabilidade.

Cemig (CMIG4): setor elétrico como porto seguro

Com dividend yield de 17,79%, a Cemig representa o setor elétrico na lista. Empresas de energia costumam ser procuradas em tempos de alta de juros por seu perfil defensivo e fluxo de caixa previsível.

A estatal mineira tem apresentado resultados sólidos, aproveitando o aumento na demanda e a reestruturação de suas operações. Ainda assim, o investidor deve observar eventuais riscos políticos e interferências na gestão, comuns em empresas com controle estatal.

Valid (VLID3): empresa de tecnologia fora do radar

Com DY de 17,33%, a Valid é um exemplo de empresa fora do radar que surpreende positivamente em termos de remuneração. A companhia atua nos segmentos de identificação digital, meios de pagamento e certificações eletrônicas.

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Nos últimos trimestres, a Valid teve melhora significativa nos lucros, o que possibilitou dividendos mais robustos. Ainda assim, o papel é menos líquido e mais volátil que os demais da lista, o que exige atenção extra dos investidores.

CSN Mineração (CMIN3): bons resultados em cenário de minério

A CSN Mineração, com dividend yield de 15,22%, segue se beneficiando da recuperação do minério de ferro no mercado internacional. Apesar da volatilidade nos preços da commodity, a empresa mantém margens operacionais robustas e distribuição generosa de lucros.

O setor de mineração, porém, está sujeito a riscos externos significativos, como desaceleração da China, mudanças regulatórias e oscilação cambial.

Petrobras (PETR4): destaque recorrente

A Petrobras, com DY de 14,22%, mantém a tradição de forte distribuição de lucros, especialmente nos últimos anos, em que os preços do petróleo permaneceram elevados.

O pagamento de dividendos é parte da estratégia da estatal para atrair investidores, mas oscilações políticas e decisões de governo podem alterar a política de distribuição a qualquer momento, o que torna o investimento mais arriscado.

Dividendos altos: oportunidade ou armadilha?

Apesar dos números chamativos, é essencial que o investidor vá além do percentual de dividend yield. DYs elevados podem indicar que a ação teve queda relevante, o que pode ser sintoma de deterioração nos fundamentos da empresa.

Um exemplo: se uma ação que valia R$ 10 e pagava R$ 1 de dividendo cai para R$ 5, o DY automaticamente dobra para 20%. Porém, a queda no preço pode ser motivada por problemas de gestão, perda de mercado ou prejuízos recorrentes.

O que analisar além do DY

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Imagem: Freepik/Edição: Seu Crédito Digital

Antes de investir com base apenas no dividend yield, é fundamental analisar:

  • Sustentabilidade do pagamento: a empresa tem lucros consistentes?
  • Payout ratio: qual a proporção do lucro que é efetivamente distribuída?
  • Histórico de pagamentos: os dividendos são regulares ou esporádicos?
  • Situação financeira: há endividamento elevado que possa comprometer os lucros futuros?

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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