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EUA impõem taxa de US$ 250 para visto; impacto no turismo internacional

Taxa de US$ 250 imposta por Trump encarece visto, reduz viagens de Brasil, México e China e acende alerta de crise no turismo internacional.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
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Em meio a uma crescente preocupação no setor de viagens e turismo, o governo dos Estados Unidos anunciou uma nova “taxa de integridade de visto” de US$ 250 que entrará em vigor em 1º de outubro de 2025. A medida, impulsionada pelo presidente Donald Trump, adiciona um novo obstáculo para milhões de estrangeiros que planejam visitar o país e já enfrentam um processo burocrático e caro de solicitação de visto.

A nova taxa não se aplica aos países isentos de visto, mas atinge em cheio regiões como América Latina, Ásia e partes da África, com destaque para Brasil, México, China, Argentina e Índia. Com o acréscimo, o custo total para obter um visto B1/B2 — para turismo ou negócios — sobe para US$ 442, tornando-se um dos mais caros do mundo.

A medida gerou forte reação da indústria do turismo e preocupa governos e empresas, já que a queda nas viagens para os EUA tem se intensificado, contrariando previsões otimistas para 2025.

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Imagem: Freepik

Turismo internacional em retração: números preocupam

Queda nas visitas em julho agrava cenário

De acordo com dados do National Travel and Tourism Office (NTTO), as viagens internacionais aos EUA caíram 3,1% em julho de 2025 em relação ao mesmo mês do ano anterior, somando 19,2 milhões de visitantes. Foi o quinto mês consecutivo de retração, frustrando expectativas de recuperação total após a pandemia.

O número coloca em xeque as projeções feitas em 2024 pela Tourism Economics, ligada à Oxford Economics, que previa crescimento de 10% nas viagens aos EUA em 2025. Agora, segundo o diretor Aran Ryan, a expectativa é de retração de 3% até dezembro.

“Vemos isso como um retrocesso sustentado e prevemos que grande parte desse retrocesso será implementado durante todo o governo”, disse Ryan.

Gasto de turistas também cai

A nova política já apresenta reflexos econômicos: o gasto total de visitantes internacionais nos EUA deve cair para menos de US$ 169 bilhões em 2025, ante US$ 181 bilhões registrados em 2024, conforme estimativas do World Travel & Tourism Council (WTTC). O impacto atinge hotéis, companhias aéreas, restaurantes, parques temáticos e redes de varejo, todos fortemente dependentes do fluxo de turistas estrangeiros.

Quem será mais afetado pela nova taxa de visto

Países da América Latina são os mais vulneráveis

A nova taxa de US$ 250 recai apenas sobre viajantes de países que precisam de visto para entrar nos EUA, o que inclui:

  • Brasil
  • México
  • Argentina
  • Colômbia
  • China
  • Índia
  • Filipinas
  • Indonésia, entre outros

Esses países representaram parte significativa do crescimento do turismo nos EUA em 2025, especialmente na primeira metade do ano. Segundo dados do NTTO até maio:

  • O México registrou alta de quase 14% nas viagens para os EUA;
  • A Argentina cresceu 20%;
  • O Brasil teve alta de 4,6%;
  • A América Central cresceu 3% e a América do Sul, 0,7%.

China e Índia seguem em queda

Na contramão, os números da China ainda estão 53% abaixo dos níveis de 2019, enquanto as visitas da Índia caíram 2,4% no acumulado do ano. A queda indiana foi puxada especialmente pela redução no número de estudantes, que recuou quase 18%.

Com a nova taxa, o receio é que esses mercados sofram uma retração ainda maior, à medida que viagens de intercâmbio, turismo educacional e visitas familiares se tornem economicamente inviáveis para parte da população.

Críticas do setor: “Atrito” com o turista e risco de reciprocidade

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Imagem: Freepik

Reação do setor de turismo

Especialistas apontam que a nova taxa pode desestimular o turismo internacional e comprometer a recuperação do setor. Para Gabe Rizzi, presidente da empresa global de gestão de viagens Altour, qualquer novo custo ou burocracia “reduz o volume de viagens em alguma proporção”.

“Com o fim do verão, isso se tornará uma questão mais urgente. Teremos que levar essas taxas em conta nos orçamentos e na documentação de viagens”, disse.

A U.S. Travel Association, entidade que representa o setor nos EUA, criticou a medida, classificando-a como mais um obstáculo à competitividade dos EUA como destino turístico internacional. A organização já vinha alertando sobre a demora na emissão de vistos, a falta de estrutura consular e agora, soma-se a cobrança extra.

Risco de retaliações diplomáticas

Outro fator levantado por especialistas é a possibilidade de retaliação diplomática por meio da adoção de taxas recíprocas. O agente de viagens norte-americano James Kitchen, proprietário da Seas 2 Day & Travel, relatou que viajantes dos EUA têm demonstrado preocupação com a imposição de exigências semelhantes por outros países.

“As pessoas estão com medo de que países como Brasil, China e Índia comecem a revidar com suas próprias taxas ou burocracias adicionais”, afirmou.

Outras medidas restritivas no horizonte

Restrições para estudantes e profissionais estrangeiros

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A nova taxa de visto integra um conjunto maior de iniciativas adotadas pela gestão Trump com foco em restringir a entrada e permanência de estrangeiros nos EUA. Entre as medidas em tramitação estão:

  • Encurtamento da validade dos vistos de estudantes, jornalistas e intercambistas;
  • Proposta para cobrança de taxas de até US$ 15 mil para determinados vistos, especialmente em casos de visitantes com histórico de permanência irregular;
  • Ampliação da fiscalização sobre turistas que ultrapassam o prazo de permanência legal.

Essas mudanças sinalizam uma política migratória mais rígida, com consequências diretas no turismo, nos programas de intercâmbio, na cooperação acadêmica e nas viagens de negócios.

Percepção internacional sobre os EUA como destino

Marca país em queda

Com as novas taxas, restrições e clima de incerteza, os EUA correm o risco de perder ainda mais apelo como destino turístico. A imagem do país, segundo especialistas em relações internacionais, sofre erosão contínua desde o primeiro mandato de Trump, agravada por:

  • Políticas migratórias rígidas;
  • Cortes em programas de ajuda internacional;
  • Guerras tarifárias com parceiros comerciais;
  • Barreiras para entrada de estudantes e profissionais estrangeiros.

Mesmo com grandes eventos à vista — como a Copa do Mundo FIFA 2026 e as Olimpíadas de Los Angeles 2028 — o turismo enfrenta um retrocesso contínuo.

Efeitos econômicos e sociais nos países atingidos

imagem mostrando bandeira dos Estados Unidos, uma caneta e o visto de viagem visto dos EUA
Imagem: Piotr Zajda / Shutterstock.com

Brasil: impacto no intercâmbio e turismo de negócios

O Brasil, um dos países mais atingidos pela nova taxa, verá efeitos no:

  • Turismo de lazer para Miami, Orlando e Nova York;
  • Viagens de negócios e feiras comerciais, principalmente no setor agroindustrial e tecnológico;
  • Programas de intercâmbio e estudo, que já enfrentam alta do dólar e restrições consulares.

Para muitas famílias de classe média, os US$ 442 por pessoa representam uma barreira significativa.

Índia e China: mercado estudantil prejudicado

A taxa pode ser ainda mais danosa para estudantes da Índia e da China, que juntos representam milhões de pedidos de visto por ano. Com o custo elevado, universidades norte-americanas podem perder alunos para países como Canadá, Reino Unido e Austrália, que oferecem vistos mais acessíveis e políticas migratórias mais abertas.

Imagem: Andrey_Popov / Shutterstock

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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