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Inflação nos EUA pressiona juros longos, enquanto cenário fiscal eleva DIs curtos

Nesta quarta-feira, o mercado financeiro brasileiro acompanhou um movimento divergente nas taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros), com as taxas de curto prazo sustentando altas, impulsionadas pelas negociações do pacote fiscal do governo Lula em Brasília, enquanto as taxas longas recuaram acompanhando a queda dos rendimentos dos Treasuries americanos, após a divulgação de dados de inflação nos EUA abaixo do esperado para maio.

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Panorama das taxas dos DIs em 14 de junho de 2025

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Imagem: Graphic and Photo Stocker / Shutterstock.com

Ao final do pregão, a taxa do DI para janeiro de 2026 atingiu 14,88%, ligeiramente acima do ajuste da sessão anterior, que foi de 14,84%. Já a taxa para janeiro de 2027 subiu para 14,21%, alta de 7 pontos-base em relação ao ajuste anterior de 14,14%.

No segmento de prazos mais longos, houve uma tendência contrária: a taxa para janeiro de 2031 caiu para 13,67%, abaixo dos 13,72% da última sessão, e o contrato para janeiro de 2033 fechou a 13,73%, recuando 7 pontos-base frente aos 13,79% registrados anteriormente.

O que são as taxas dos DIs?

Os Depósitos Interfinanceiros são operações entre instituições financeiras que servem como referência para a taxa de juros no mercado. Eles refletem a expectativa dos agentes financeiros sobre a trajetória dos juros no curto, médio e longo prazo.

Impacto dos dados de inflação dos EUA nas taxas longas

Na manhã de quarta-feira, o Departamento do Trabalho dos Estados Unidos divulgou o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) referente a maio, apontando uma alta mensal de apenas 0,1%, abaixo dos 0,2% de abril e inferior às estimativas do mercado, que aguardava uma alta de 0,2%. No acumulado de 12 meses, o índice subiu 2,4%, levemente acima dos 2,3% de abril, porém abaixo da previsão de 2,5%.

Núcleo da inflação chama atenção

O núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia – componentes voláteis – subiu apenas 0,1% em maio, desacelerando frente a 0,2% em abril. Essa desaceleração é considerada um sinal positivo para o controle dos preços, o que influenciou a queda dos rendimentos dos Treasuries americanos.

Reação do mercado internacional

Com a inflação menor do que o esperado, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano de 10 anos despencaram, caindo 5 a 6 pontos-base no decorrer do dia. Esse movimento externo se refletiu nas taxas longas do DI no Brasil, que também recuaram na sessão.

Gustavo Jesus, sócio da RGW Investimentos, destacou que o fechamento da curva longa se deve, em grande parte, ao comportamento dos Treasuries. “O mercado gostou do CPI, que veio mais baixo que o consenso, e isso se refletiu lá fora e acabou pegando o pré mais longo no Brasil”, comentou.

Pressão nas taxas curtas: o pacote fiscal do governo Lula

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Imagem: Agência Brasil

Enquanto as taxas longas recuavam, as taxas curtas do DI mantiveram a trajetória de alta, em meio à atenção dos investidores às notícias sobre o pacote fiscal apresentado pelo governo Lula.

Audiência pública com o ministro da Fazenda

Na manhã de quarta-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participou de audiência pública na Câmara dos Deputados para explicar as medidas tributárias do pacote. Durante sua fala, as taxas curtas foram pressionadas para cima.

Haddad reforçou que o pacote busca aumentar a contribuição de pessoas com renda mais alta para garantir que o atual “ciclo virtuoso” de crescimento econômico e geração de empregos seja sustentável no longo prazo.

Apesar de a audiência ter sido encerrada antecipadamente devido a um tumulto entre parlamentares, a alta nas taxas curtas persistiu até o final do dia.

Perspectivas econômicas e fiscais

Para Fabricio Voigt, economista da Aware Investments, as medidas fiscais propostas, mesmo baseadas em dados macroeconômicos positivos, como crescimento do PIB e queda da inflação, trazem preocupações quanto à sustentabilidade fiscal, o que mantém as taxas de juros elevadas.

“Isso faz com que o Banco Central precise manter os juros altos ou até aumentar a Selic”, afirma Voigt, destacando a complexidade da conjuntura econômica atual.

Expectativas para a próxima reunião do Copom

Com a Selic atualmente em 14,75% ao ano, o mercado está dividido quanto ao comportamento do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central na próxima reunião.

Na terça-feira, as opções de mercado negociadas na B3 indicavam chances praticamente equilibradas de manutenção da taxa e de alta de 25 pontos-base, com probabilidades de 48% e 50%, respectivamente.

Influência do IPCA

O IPCA, índice oficial de inflação divulgado recentemente, trouxe números favoráveis para o mercado, reforçando a possibilidade de manutenção dos juros pelo Banco Central.

No entanto, Gustavo Jesus avalia que, apesar da inflação estar melhor do que o esperado, a meta de inflação de 3% ainda está distante, o que mantém a pressão para possíveis ajustes.

Câmbio e impacto na política monetária

Outro fator observado pelos analistas é o comportamento do dólar. Com a moeda americana em queda no Brasil, a pressão inflacionária cambial diminui, o que pode contribuir para o Banco Central manter a Selic estável.

Contexto global: negociação EUA-China e dólar em queda

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Imagem: Shutterstock

Além dos dados domésticos, o mercado também reagiu positivamente ao avanço nas negociações comerciais entre os Estados Unidos e a China, que ajudam a reduzir incertezas globais e a melhorar o sentimento dos investidores.

Com isso, o dólar registrou queda frente ao real, chegando a 4,414% no rendimento dos Treasuries de 10 anos às 16h33 (horário de Brasília), influenciando diretamente as taxas longas no mercado brasileiro.

Considerações finais

O cenário atual do mercado financeiro brasileiro é marcado por um cenário de juros em alta no curto prazo, em resposta às negociações fiscais do governo, enquanto a desaceleração da inflação americana reduz as taxas de longo prazo.

Este movimento ressalta a complexidade da conjuntura econômica, em que fatores domésticos e externos interagem para definir os preços dos juros e influenciam as decisões de política monetária.

A atenção dos investidores segue voltada para o desenrolar do pacote fiscal e para os próximos indicadores econômicos, que serão decisivos para o rumo da Selic e do mercado de crédito nos meses seguintes.