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Tecnologia no café: como luz ajuda a testar a qualidade dos grãos

Dispositivo da USP usa sensores e luz para avaliar a qualidade do café, distinguindo arábica e robusta com rapidez e alta precisão.

Luiza NiewinskiPor Luiza Niewinski4 min de leitura
Café leilão

Pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da Universidade de São Paulo (USP) criaram uma tecnologia inovadora que promete transformar a forma como se avalia a qualidade do café no Brasil. O novo aparelho eletrônico utiliza sensores de luz e cor para analisar com precisão os grãos, facilitando a distinção entre espécies como o arábica e o robusta (ou conilon).

O desenvolvimento dessa tecnologia vem para suprir a demanda de produtores, torrefadores e exportadores por um método rápido, confiável e objetivo para a classificação dos lotes de café. Além disso, o equipamento poderá ser fundamental em processos de certificação e rastreabilidade, agregando valor à cadeia produtiva do café brasileiro.

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Imagem: Bilahata-Freepik/Edição: Seu Crédito Digital

O projeto foi realizado em parceria com a startup OptikAI e contou com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii).

A análise da cor do café verde, isto é, antes da torrefação, é uma etapa essencial para identificar variações na qualidade do produto. Pequenas diferenças na tonalidade podem indicar alterações na maturação, armazenamento ou até mesmo a espécie do grão, impactando diretamente no sabor e no preço final.

Limitações da avaliação sensorial tradicional

Até hoje, a análise da qualidade do café é feita majoritariamente pela avaliação sensorial, realizada por especialistas que avaliam aroma, sabor, textura e cor a partir da degustação. Embora essencial, esse método é subjetivo e depende da experiência e do paladar do profissional, o que pode gerar variações nos resultados.

Já o dispositivo criado pela USP oferece uma análise objetiva e padronizada, baseada em dados numéricos precisos da cor dos grãos. Isso permite maior confiabilidade e agilidade, reduzindo erros humanos e facilitando a reprodução dos resultados.

Como funciona o novo sistema de análise

O aparelho utiliza sensores RGB de cor, que captam a luz refletida pelos grãos, iluminados por lâmpadas LED brancas com intensidade controlada. Um circuito eletrônico inteligente garante que a iluminação e as medições sejam feitas sempre nas mesmas condições, evitando variações que poderiam comprometer a precisão.

Além disso, o sistema possui um motor que gira a amostra, permitindo a análise dos grãos sob diferentes ângulos. Todos os dados coletados são processados por um microcontrolador e enviados a um software que transforma as informações de cor em dados que auxiliam a identificar a espécie do café.

Alta precisão comprovada nos testes

Os testes realizados pelos pesquisadores comprovaram a alta precisão do dispositivo. Mesmo com amostras diferentes e sensores posicionados em locais distintos dentro do equipamento, os resultados se mantiveram estáveis, o que é fundamental para aplicações industriais e em cooperativas agrícolas.

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Mais importante ainda, o sistema mostrou capacidade clara para diferenciar os grãos de arábica e robusta, espécies que possuem características e valores comerciais distintos. Essa distinção é crucial para produtores que buscam garantir a qualidade e o preço justo para seus lotes.

Inovação com baixo custo e potencial para o campo

Segundo Bruno Pereira de Oliveira, pesquisador do IFSC e um dos responsáveis pelo projeto, o uso de componentes simples como LEDs e microcontroladores torna o equipamento muito mais acessível que os grandes aparelhos laboratoriais tradicionais.

A expectativa é que, em um futuro próximo, o dispositivo possa ser utilizado diretamente no campo, auxiliando agricultores a tomar decisões rápidas e seguras sobre a qualidade do café que estão colhendo. Essa agilidade poderá impactar positivamente na produtividade e na competitividade do produto brasileiro no mercado nacional e internacional.

Relevância para o setor cafeeiro brasileiro

Café
Imagem: Freepik/Edição: Seu Crédito Digital

O desenvolvimento dessa tecnologia representa um avanço significativo para o setor cafeeiro, que é um dos pilares da economia brasileira. A avaliação rápida e precisa da qualidade do café não só contribui para a melhoria do produto final, mas também ajuda a fortalecer a cadeia produtiva, desde o produtor até o exportador.

Além disso, a tecnologia pode ser incorporada em programas de certificação e rastreabilidade, aumentando a transparência e a confiança dos consumidores, fatores cada vez mais valorizados no mercado global.

Luiza Niewinski

Autor

Luiza Niewinski

Luiza Niewinski é apaixonada por animais, fã de séries e entusiasta da informação. Está sempre atenta ao que acontece no Brasil e no mundo, com o objetivo de transformar notícias em conteúdo útil e acessível para o leitor. No portal Seu Crédito Digital, atua na produção de matérias sobre benefícios sociais, programas do governo, direitos do cidadão e temas do dia a dia que impactam diretamente a população.

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