A gigante espanhola das telecomunicações Telefónica está reavaliando sua estratégia de crescimento e busca alternativas para financiar sua expansão na Espanha e em outros mercados europeus. Entre as possibilidades em estudo, destaca-se a venda de até 20% da Telefônica Brasil, dona da marca Vivo, além de uma eventual ampliação de capital.
Telefónica pode vender 20% da Vivo no Brasil; veja detalhes da negociação
Telefónica estuda vender até 20% da Vivo e ampliar capital para financiar expansão na Europa sem comprometer equilíbrio financeiro conquistado.
A companhia, que atualmente controla 70% da filial brasileira, poderá reduzir sua participação acionária sem perder o controle da operação, consolidando-a ainda em seus resultados contábeis. O movimento é visto como uma forma de gerar caixa sem comprometer o equilíbrio financeiro alcançado pela Telefónica nos últimos anos.
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Revisão estratégica com apoio da BCG
De acordo com o El Economista, a Telefónica contratou a consultoria Boston Consulting Group (BCG) para ajudar na formulação de um plano estratégico de médio e longo prazo, que deve ser divulgado oficialmente a partir de setembro.
A proposta visa garantir sustentabilidade nos investimentos, ampliar a presença em mercados estratégicos e reposicionar a empresa em meio à crescente concorrência no setor de telecomunicações na Europa.
A última operação significativa de ampliação de capital da Telefónica ocorreu em 2015, quando a companhia buscou recursos para financiar a aquisição da operadora brasileira GVT. Em 2016, a GVT foi incorporada pela Vivo, e sua marca foi descontinuada.
Venda parcial da Vivo como fonte de recursos

A Telefónica avalia que a alienação de parte da Telefônica Brasil, controladora da Vivo, pode render entre 3 bilhões e 4 bilhões de euros — montante semelhante ao que seria necessário para disputar ativos estratégicos no mercado europeu, como a Vodafone Espanha, atualmente controlada pela britânica Zegona Communications.
Mesmo com a venda parcial, a Telefónica manteria sua posição majoritária e o controle da Vivo. A operação também permitiria à empresa reduzir sua exposição ao real brasileiro, visto como fator de volatilidade em seus balanços consolidados.
Apoio de acionistas estratégicos
Caso opte pela ampliação de capital, a Telefónica conta com o respaldo de seus três principais acionistas institucionais, que concentram cerca de 30% do capital da empresa:
- Sepi (Sociedade Estatal de Participações Industriais) – estatal espanhola
- Criteria Caixa – braço de investimentos da La Caixa, tradicional banco espanhol
- STC (Saudi Telecom Company) – gigante saudita de telecomunicações
Esses investidores já vêm manifestando apoio à expansão da Telefónica no continente europeu, sobretudo em operações que garantam rentabilidade e liderança de mercado.
Venda de ativos na América Latina continua
A possível venda de parte da operação no Brasil integra uma estratégia mais ampla de desinvestimento na América Latina, que vem sendo colocada em prática desde 2019.
A Telefónica já vendeu operações em países como:
- Argentina
- Uruguai
- Peru
- Equador
- Colômbia
Entretanto, ainda restam definições sobre suas unidades no Chile, México e Venezuela, onde a companhia enfrenta desafios regulatórios, cambiais e de mercado.
A ideia é focar investimentos na Europa, região considerada prioridade absoluta pela atual gestão.
Europa é prioridade no plano de expansão
O presidente executivo da Telefónica, Marc Murtra, tem reafirmado de forma constante — em entrevistas, encontros com investidores e audiências no Parlamento espanhol — que a Europa é o centro da estratégia da companhia.
“Nosso foco é reforçar a competitividade da Telefónica nos principais mercados europeus”, declarou Murtra em recente apresentação a investidores.
Na Espanha, o grupo encontra desafios crescentes. A Vodafone, por exemplo, foi adquirida pela Zegona no final de 2023, e a possível aquisição da operação pela Telefónica exigiria um investimento superior a 11 bilhões de euros, considerando o valor de mercado e o endividamento da companhia.
Sozinha, a Telefónica dificilmente teria fôlego financeiro para realizar essa aquisição sem comprometer sua estrutura atual — o que torna ainda mais relevante a alternativa de venda de ativos no Brasil ou ampliação de capital.
Impactos da venda da Vivo no Brasil
A Vivo é uma das líderes no mercado brasileiro de telecomunicações, com presença significativa nos segmentos de telefonia móvel, internet e TV por assinatura.
Apesar da venda de uma fatia de até 20%, a Telefónica manteria sua influência na operação e garantiria:
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- Consolidação da Vivo nos balanços
- Continuidade da estratégia de longo prazo no país
- Preservação da identidade da marca e dos serviços prestados
Analistas avaliam que a venda parcial pode aumentar a liquidez das ações da Vivo na bolsa brasileira (B3) e atrair novos investidores, inclusive fundos com interesse em telecomunicações e infraestrutura.
Histórico de desinvestimentos estratégicos
A Telefónica tem adotado uma política ativa de reestruturação de portfólio nos últimos anos. Entre as medidas adotadas:
- Venda de torres e ativos de infraestrutura para empresas como Telxius e American Tower
- Saída de mercados com baixa rentabilidade
- Foco em tecnologia 5G, fibra óptica e digitalização dos serviços
A intenção é manter a companhia competitiva diante da rápida transformação do setor, marcada pela entrada de novos players, demanda crescente por conectividade e avanços regulatórios.
A Vivo continuará sendo estratégica
Apesar da possível venda parcial, a Telefônica Brasil continua sendo considerada estratégica para o grupo espanhol, tanto pela sua base de clientes quanto pela solidez operacional.
A empresa também é referência em inovação tecnológica no Brasil e tem liderado o avanço da cobertura 5G, além de possuir uma das maiores infraestruturas de fibra óptica da América Latina.
Portanto, qualquer transação será conduzida com cautela, de forma a preservar o desempenho da empresa no país.
Perspectivas para os próximos meses

O plano estratégico da Telefónica deve ser anunciado a partir de setembro de 2025, mas até lá a empresa não descarta nenhuma hipótese, incluindo ações consideradas improváveis em outros momentos.
Entre os fatores que influenciarão a decisão final:
- Condições do mercado de capitais
- Câmbio e inflação na América Latina
- Valorização da marca Vivo na bolsa
- Custo de capital e taxa de juros na Europa
- Receptividade dos acionistas à ampliação de capital
Imagem: Alison Nunes Calazans / shutterstock.com
