Por que a temporada de altcoins ainda tarda, mesmo com o Bitcoin batendo recordes?
Em 2025, o Bitcoin (BTC) alcançou novas máximas históricas (superando os US$ 100.000), mas uma pergunta ecoa entre investidores: “Quando será a tão esperada temporada de altcoins?”
O índice de temporada de altcoins do BlockchainCenter está estagnado em 20, muito abaixo dos 75 necessários para indicar que as altcoins estão liderando um ciclo de valorização. A dominância do BTC também segue firme, beirando 64%, demonstrando que, por ora, o mercado favorece o Bitcoin.
Neste artigo, exploramos os fatores que retardam o surgimento da altseason, com base na análise de Michaël van de Poppe, e por que ele considera que esse momento pode ser agora – antes mesmo das altcoins dispararem.
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Entendendo a temporada de altcoins
O que caracteriza a altseason?
O mercado cripto é marcado por ciclos distintos:
- Primeiro, o Bitcoin inicia o rali, criando confiança no mercado;
- Em seguida, o Ethereum costuma liderar a rotação de capital;
- Depois, grandes altcoins tomam a dianteira;
- Por fim, altcoins de menor capitalização disparam.
Para que se confirme uma altcoin season, o índice do BlockchainCenter requer que 75% das 50 principais altcoins (excluindo stablecoins e tokens lastreados) superem o desempenho do Bitcoin nos últimos 90 dias.
Outro indicador — o índice da CoinMarketCap (CMC) — analisa as 100 principais altcoins e segue o mesmo critério .
O atual contexto: dominância do Bitcoin
Com o índice em torno de 20 e a dominância do BTC em cerca de 64%, está claro que o mercado continua centrado na moeda principal. Essa dominância permanece acima do patamar usual de 55% necessário para iniciar rotações significativas de capital para altcoins.
Análise de Michaël van de Poppe
Van de Poppe destaca que “este ciclo se desviou significativamente dos padrões históricos”. Enquanto em ciclos anteriores as altcoins desencadeavam rali semanas ou meses após o BTC, o atual se comportou diferente:
- Bitcoin avançou fortemente no fim de 2024 e início de 2025.
- Altcoins, por sua vez, acumularam perdas e ficaram à margem.
Ele afirma: “a maioria das altcoins mais antigas falhou em igualar o BTC em 2021, e piorou neste ciclo”. Esse fenômeno muda as expectativas de ciclos de quatro anos.
Dominância e sentimento macro
O índice está abaixo de 25, indicando uma temporada de Bitcoin — e não de altcoins. Van de Poppe vincula isso não apenas ao preço, mas a fatores macroeconômicos como taxas de juros do Fed:
“Enquanto o Fed mantiver os juros em níveis elevados (cerca de 4%), o potencial de alta do BTC permanece, e o mercado tende a favorecer o Bitcoin.”
Momento contrarian: acumular altcoins
Apesar do ambiente estar favorável ao Bitcoin, van de Poppe vê nisso a melhor janela para investir em altcoins.
“Quando altseason não está mostrando sinal, o momento é acumular tokens subvalorizados, antes que o mercado perceba.”
Para ele, temporada de altcoins não é apenas tempo, mas fase de acumulação.
Indicadores em destaque
BlockchainCenter Altcoin Season Index
Com leitura abaixo de 25, o índice confirma que ainda não é o momento das altcoins. Destaque para leituras anteriores abaixo de 10, que geralmente precedem grandes ciclos.
Dominância do Bitcoin (BTC.D)
Segundo Cointelegraph, o BTC.D chegou a 64,3% — patamar recorde de quatro anos: altseason só volta quando cair abaixo de 55% ou chegar a 71%.
Ethereum e grandes altcoins
Apesar da dominância do BTC, Ethereum vem demonstrando força: indicadores técnicos apontam estrutura de alta e acúmulo silencioso . Van de Poppe cita ARB (Arbitrum) e SUI como altcoins bem posicionadas para crescimento.
Por que o Bitcoin domina ainda?
O contexto global atual favorece ativos considerados seguro no mundo cripto — como o Bitcoin. A taxa básica norte-americana em 4% atrai capital para o BTC, em detrimento de ativos mais arriscados .
ETFs e foco institucional
Os ETFs de Bitcoin, aprovados recentemente, trouxeram grandes fluxos institucionais para o BTC. A concentração de capital reforça a dominância da criptomoeda em detrimento das altcoins mais arriscadas.
Além da macro, fatores como pós-halving, adoção institucional e regulamentação convergem para alterar o histórico de ciclos. O resultado é um atraso na migração de capital das altcoins.
Sinais promissores para altcoins
Uma reversão na dominância do BTC — que caia abaixo de 55% — seria o gatilho técnico tradicional para altseason.
A crescente adoção institucional do Ethereum, via ETFs e DeFi, tem sido apontada como pivot para iniciar rotacionamento de capital.
Projetos com bons fundamentos (ex.: SUI, Solana, ARB) já demonstram força:
- SUI: configuração de alta técnica e inflows institucionais
- ARB: divergência bullish apontada por van de Poppe
Van de Poppe afirma que o momento ideal é o oposto do hype: “fato que estamos em fase de dip de altcoins é o melhor momento para acumular”.
Riscos e precauções
Alta volatilidade e riscos macro
Altcoins são altamente voláteis e sensíveis a mudanças macro, como dados de inflação, políticas de juros e reações dos bancos centrais.
Especulação exacerbada
Tokens “Quânticos” ou “ioiô” – assim como alertado por Saylor — podem apresentar alto risco de pump-and-dump, desviando foco de projetos com valor real .
Timing difícil
Van de Poppe alerta: construir tese de altcoins com base em ciclos anteriores pode ser “quase uma tolice” — é fundamental analisar fundamentos, não apenas expectativas históricas .
Estratégia prática: o que fazer agora?
Para investidores cautelosos
- Alocar parte do capital em altcoins subvalorizadas;
- Priorizar projetos com equipes ativas e fundamentos sólidos;
- Monitorar a evolução do índice de altcoins e dominância do BTC.
Para traders ativos
- Observar sinais técnicos: rompimento de ETH/BTC e estrutura de alta em tokens como SUI;
- Acompanhar fluxos institucionais para altcoins;
- Estar preparado para entradas rápidas em ETFs de Ethereum.
Para investidores institucionais
- Se ainda não exposto ao espaço altcoin, acúmulo em queda e análise de metas de dominância podem ser boas oportunidades;
- Hedge via exposições combinadas: ETFs de BTC + ETH + projetos promissores.
Perspectivas para 2025–2026
Quando a altseason pode começar?
A maioria dos analistas aponta para final de 2025 ou começo de 2026 como provável abertura de ciclos altcoin, dependendo da queda da dominância do BTC.
Indicadores a serem observados
- Altcoin Season Index ultrapassando 50, depois 75
- BTC.D abaixo de 55% ou acima de 71% (dependendo da história do ciclo)
- Sinais de breakout de ETH/BTC
O papel crescente das altcoins
Mesmo com dominância do BTC, Ethereum, Solana, Sui e Avalanche continuam vendo volume e adoção real – em aplicações DeFi, Web3 e infraestrutura.
Considerações finais
Apesar do Bitcoin continuar dominando e registrando recordes, a tão esperada temporada de altcoins ainda não chegou — e pode levar mais tempo do que em ciclos anteriores. Isso não significa que o momento não é favorável para altcoins: segundo Michaël van de Poppe, este é o momento ideal de acumulação.
Enquanto o mercado permanece focado no BTC, investidores podem montar posições estratégicas em altcoins sólidas, com olhos atentos à dominância do Bitcoin e à rotação de capital, especialmente quando sinais técnicos, institucionais e macro alinharem-se. Essa abordagem contrária pode render bons frutos quando a altseason (finalmente) começar.