O mercado de títulos públicos brasileiros amanheceu mais volátil nesta quarta-feira (16), refletindo o aumento das incertezas fiscais no Brasil, um impasse sobre o IOF e novas tensões comerciais com os Estados Unidos. A combinação desses fatores provocou uma forte alta nas taxas oferecidas pelo Tesouro Direto, com os papéis prefixados superando a marca de 14% ao ano — níveis que não eram vistos há meses.
Tesouro Direto sente impacto de tensão fiscal e externa, prefixados superam 14%
Taxas do Tesouro Direto disparam com tensão fiscal e externa; prefixados passam de 14% ao ano. Entenda.
Por volta do início da tarde, o Tesouro Prefixado 2032 era negociado com retorno anual de 14,04%, enquanto o Prefixado 2035, que paga juros semestrais, chegava a 14,14%. Os títulos indexados à inflação também avançaram, com destaque para o IPCA+ 2045, que subiu para IPCA + 7,24%. A alta das taxas reflete a maior percepção de risco em relação às contas públicas e ao cenário externo.
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Por que as taxas subiram?

A principal explicação para a disparada das taxas está no aumento da aversão ao risco fiscal. A Câmara dos Deputados avançou no projeto que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda para pessoas físicas, o que, segundo cálculos do governo, pode ampliar a renúncia fiscal em cerca de R$ 31,7 bilhões anuais. O projeto ainda precisa ser aprovado pelo plenário da Casa e pelo Senado, mas já acendeu um sinal de alerta para investidores sobre a trajetória das contas públicas — especialmente com previsão de déficit para 2028.
Além disso, o impasse sobre o IOF voltou a pesar. O governo federal recorreu ao Supremo Tribunal Federal para revalidar imediatamente o decreto que elevou as alíquotas do imposto sobre remessas ao exterior, após uma tentativa de conciliação entre Executivo e Legislativo ter fracassado. A indefinição sobre essa fonte de arrecadação contribui para o estresse no mercado.
Impacto do cenário externo
Do lado externo, a situação também não ajuda a aliviar as pressões. Apesar da divulgação do índice de preços ao produtor (PPI) nos Estados Unidos ter surpreendido positivamente ao vir estável em junho — quando o mercado esperava alta — os rendimentos dos Treasuries não recuaram o suficiente para compensar o estresse fiscal doméstico.
Para piorar, o governo dos EUA anunciou uma nova investigação comercial contra o Brasil, alegando supostas práticas desleais associadas ao Pix. A notícia surpreendeu o mercado e adicionou mais incerteza às relações bilaterais, aumentando a percepção de risco para ativos brasileiros.
Prefixados se destacam entre as opções

No quadro de títulos disponíveis no Tesouro Direto, os papéis prefixados chamaram atenção ao oferecerem taxas acima de 14% ao ano. O Tesouro Prefixado 2032, por exemplo, estava sendo negociado a 14,04% e com preço unitário de R$ 429,96. Já o Tesouro Prefixado 2035, com juros semestrais, pagava 14,14%, com preço de R$ 803,33.
Entre os indexados à inflação, o Tesouro IPCA+ 2045 também apresentou avanço nas taxas, atingindo IPCA + 7,24% ao ano. Este título, com juros semestrais, custava R$ 4.020,25 por unidade.
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Para investidores mais conservadores, os títulos atrelados à Selic também tiveram leves ajustes, mas continuaram sendo a opção mais estável no cenário atual.
O que o investidor deve observar
Especialistas recomendam cautela e atenção aos fundamentos antes de tomar decisões precipitadas. O cenário de juros elevados favorece quem já tem títulos comprados a taxas menores e busca oportunidades de reinvestimento em patamares mais atrativos. Por outro lado, a volatilidade exige disciplina para manter os investimentos alinhados ao objetivo e ao horizonte de tempo.
A tendência de alta nos juros é reflexo de desconfiança com a política fiscal. Assim, uma eventual melhora no ambiente político ou a aprovação de medidas que sinalizem compromisso com o equilíbrio das contas públicas poderiam reduzir as taxas novamente.
Com informações de: InfoMoney
