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Chefe do Tesouro dos EUA abre possibilidade de acordos similares a outros setores

Secretário do Tesouro dos EUA indica expansão de acordo de chips para outros setores. Entenda.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos5 min de leitura
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O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, indicou que o modelo de acordo recentemente firmado sobre a venda de chips de semicondutores avançados para a China pode servir de base para futuros acordos em outros setores da economia americana.

Em entrevista à Bloomberg Television, Bessent ressaltou que o acordo, que prevê que o governo dos EUA receba 15% da receita das vendas de determinados chips para a China, é até então único, mas que há potencial para que esse modelo seja expandido.

“Acho que, com o tempo, poderemos ver isso em outros setores. Acho que, no momento, isso é único”, disse o secretário, ecoando comentários recentes da Casa Branca.

O anúncio reforça a intenção do governo americano de manter controle estratégico sobre setores de tecnologia sensível, enquanto ainda permite monetizar a exportação de produtos de alta demanda internacional.

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Contexto do acordo de semicondutores com a China

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Imagem: Spalnic / shutterstock

O acordo com a China marca uma medida sem precedentes na política comercial americana. Ele estabelece que empresas que vendem chips de IA avançados para a China devem repassar uma percentagem da receita ao governo dos EUA, neste caso 15%, como forma de compensação pelo uso de tecnologia estratégica.

Essa ação ocorre em um momento de tensões geopolíticas e preocupações sobre a segurança nacional e o controle de tecnologias críticas. Contudo, Bessent enfatizou que a iniciativa não apresenta riscos neste aspecto:

“Não há preocupações com a segurança nacional aqui. Não venderíamos nenhum dos chips avançados”, afirmou.

A medida vem após negociações que buscaram equilibrar o interesse econômico das empresas americanas com a necessidade de proteger a propriedade intelectual e a segurança nacional.

Possível expansão para outros setores

Segundo Bessent, o sucesso do modelo aplicado aos chips de semicondutores poderia inspirar medidas semelhantes em outros setores estratégicos.

O secretário destacou que a experiência com o “teste beta” oferece aprendizado que pode ser replicado para produtos ou tecnologias de alta relevância estratégica, incluindo, possivelmente, setores como:

  • Biotecnologia e farmacêutica: áreas de inovação crítica com exportação sensível.
  • Energia e infraestrutura: tecnologias com impacto direto na segurança nacional e economia.
  • Tecnologias de inteligência artificial e computação quântica: segmentos emergentes e altamente regulados.

“Mas agora que temos o modelo e o teste beta, por que não expandi-lo?”, afirmou o secretário.

Analistas de comércio internacional observam que essa abordagem pode criar um novo padrão de acordos comerciais condicionados, combinando lucro econômico com segurança estratégica.

Impactos econômicos e estratégicos

O modelo de participação da receita oferece diversos impactos tanto para o governo americano quanto para as empresas envolvidas:

  1. Receita direta ao governo: O recebimento de parte da receita das vendas cria uma nova fonte de fundos sem necessidade de aumento de impostos.
  2. Incentivo à regulação tecnológica: Permite que Washington controle o fluxo de tecnologias críticas sem restringir completamente a exportação.
  3. Segurança nacional reforçada: Garante que chips de alto nível não sejam vendidos indiscriminadamente, mantendo a superioridade tecnológica.

Além disso, especialistas indicam que o modelo pode estimular outras nações a adotarem estratégias semelhantes, alterando a dinâmica do comércio internacional de produtos estratégicos.

Reação de empresas e mercado

Empresas americanas envolvidas na exportação de semicondutores e tecnologias sensíveis receberam o acordo de forma mista. Por um lado, há interesse em acessar o mercado chinês, ainda altamente lucrativo; por outro, a taxa de 15% sobre a receita representa um custo significativo, que pode afetar margens e decisões de investimento.

O mercado financeiro reagiu positivamente ao anúncio de que o acordo é seguro e replicável, sinalizando que o governo americano busca estabilidade regulatória para setores estratégicos.

Implicações geopolíticas

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Imagem: Freepik

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O acordo também tem forte impacto geopolítico, principalmente nas relações com a China.

Ao formalizar uma participação da receita do governo, os EUA:

  • Controlam parcialmente a exportação de tecnologia crítica, mantendo vantagem estratégica.
  • Criam precedentes para outros setores, que podem ser aplicados em negociações com outros países.
  • Enviam mensagem de que inovação estratégica é protegida, sem prejudicar completamente o comércio global.

Especialistas em relações internacionais alertam que a China provavelmente monitorará de perto a implementação, podendo buscar acordos ou ajustes em negociações futuras para proteger empresas locais.

Perspectivas futuras

O secretário do Tesouro indicou que, com base na experiência inicial, acordos similares podem ser estendidos:

  • A ideia é criar um modelo replicável que combine comércio internacional, arrecadação fiscal e segurança nacional.
  • A expansão dependerá da identificação de setores estratégicos que sejam financeiramente relevantes e ao mesmo tempo sensíveis em termos de tecnologia.
  • A expectativa é que novas medidas sejam anunciadas conforme o teste beta seja consolidado e os resultados monitorados.

Economistas destacam que essa política pode fortalecer a posição dos EUA em negociações internacionais e criar novas fontes de receita sem aumentar impostos domésticos.

A declaração de Scott Bessent representa uma mudança significativa na estratégia comercial americana, combinando controle tecnológico, geração de receita e segurança nacional.

O acordo inicial com a China abre um precedente inovador: um governo que recebe participação direta de vendas de produtos estratégicos, criando um modelo que pode ser aplicado em outros setores-chave da economia.

Enquanto o impacto completo ainda será observado, a tendência é que os EUA fortaleçam sua capacidade de monitorar exportações críticas, ao mesmo tempo em que geram receita adicional e mantêm a liderança tecnológica global.

Com informações de Reuters via UOL

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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