O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, indicou que o modelo de acordo recentemente firmado sobre a venda de chips de semicondutores avançados para a China pode servir de base para futuros acordos em outros setores da economia americana.
Chefe do Tesouro dos EUA abre possibilidade de acordos similares a outros setores
Secretário do Tesouro dos EUA indica expansão de acordo de chips para outros setores. Entenda.
Em entrevista à Bloomberg Television, Bessent ressaltou que o acordo, que prevê que o governo dos EUA receba 15% da receita das vendas de determinados chips para a China, é até então único, mas que há potencial para que esse modelo seja expandido.
“Acho que, com o tempo, poderemos ver isso em outros setores. Acho que, no momento, isso é único”, disse o secretário, ecoando comentários recentes da Casa Branca.
O anúncio reforça a intenção do governo americano de manter controle estratégico sobre setores de tecnologia sensível, enquanto ainda permite monetizar a exportação de produtos de alta demanda internacional.
Leia mais: Brasil finaliza defesa do Pix em investigação dos EUA
Contexto do acordo de semicondutores com a China

O acordo com a China marca uma medida sem precedentes na política comercial americana. Ele estabelece que empresas que vendem chips de IA avançados para a China devem repassar uma percentagem da receita ao governo dos EUA, neste caso 15%, como forma de compensação pelo uso de tecnologia estratégica.
Essa ação ocorre em um momento de tensões geopolíticas e preocupações sobre a segurança nacional e o controle de tecnologias críticas. Contudo, Bessent enfatizou que a iniciativa não apresenta riscos neste aspecto:
“Não há preocupações com a segurança nacional aqui. Não venderíamos nenhum dos chips avançados”, afirmou.
A medida vem após negociações que buscaram equilibrar o interesse econômico das empresas americanas com a necessidade de proteger a propriedade intelectual e a segurança nacional.
Possível expansão para outros setores
Segundo Bessent, o sucesso do modelo aplicado aos chips de semicondutores poderia inspirar medidas semelhantes em outros setores estratégicos.
O secretário destacou que a experiência com o “teste beta” oferece aprendizado que pode ser replicado para produtos ou tecnologias de alta relevância estratégica, incluindo, possivelmente, setores como:
- Biotecnologia e farmacêutica: áreas de inovação crítica com exportação sensível.
- Energia e infraestrutura: tecnologias com impacto direto na segurança nacional e economia.
- Tecnologias de inteligência artificial e computação quântica: segmentos emergentes e altamente regulados.
“Mas agora que temos o modelo e o teste beta, por que não expandi-lo?”, afirmou o secretário.
Analistas de comércio internacional observam que essa abordagem pode criar um novo padrão de acordos comerciais condicionados, combinando lucro econômico com segurança estratégica.
Impactos econômicos e estratégicos
O modelo de participação da receita oferece diversos impactos tanto para o governo americano quanto para as empresas envolvidas:
- Receita direta ao governo: O recebimento de parte da receita das vendas cria uma nova fonte de fundos sem necessidade de aumento de impostos.
- Incentivo à regulação tecnológica: Permite que Washington controle o fluxo de tecnologias críticas sem restringir completamente a exportação.
- Segurança nacional reforçada: Garante que chips de alto nível não sejam vendidos indiscriminadamente, mantendo a superioridade tecnológica.
Além disso, especialistas indicam que o modelo pode estimular outras nações a adotarem estratégias semelhantes, alterando a dinâmica do comércio internacional de produtos estratégicos.
Reação de empresas e mercado
Empresas americanas envolvidas na exportação de semicondutores e tecnologias sensíveis receberam o acordo de forma mista. Por um lado, há interesse em acessar o mercado chinês, ainda altamente lucrativo; por outro, a taxa de 15% sobre a receita representa um custo significativo, que pode afetar margens e decisões de investimento.
O mercado financeiro reagiu positivamente ao anúncio de que o acordo é seguro e replicável, sinalizando que o governo americano busca estabilidade regulatória para setores estratégicos.
Implicações geopolíticas

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
O acordo também tem forte impacto geopolítico, principalmente nas relações com a China.
Ao formalizar uma participação da receita do governo, os EUA:
- Controlam parcialmente a exportação de tecnologia crítica, mantendo vantagem estratégica.
- Criam precedentes para outros setores, que podem ser aplicados em negociações com outros países.
- Enviam mensagem de que inovação estratégica é protegida, sem prejudicar completamente o comércio global.
Especialistas em relações internacionais alertam que a China provavelmente monitorará de perto a implementação, podendo buscar acordos ou ajustes em negociações futuras para proteger empresas locais.
Perspectivas futuras
O secretário do Tesouro indicou que, com base na experiência inicial, acordos similares podem ser estendidos:
- A ideia é criar um modelo replicável que combine comércio internacional, arrecadação fiscal e segurança nacional.
- A expansão dependerá da identificação de setores estratégicos que sejam financeiramente relevantes e ao mesmo tempo sensíveis em termos de tecnologia.
- A expectativa é que novas medidas sejam anunciadas conforme o teste beta seja consolidado e os resultados monitorados.
Economistas destacam que essa política pode fortalecer a posição dos EUA em negociações internacionais e criar novas fontes de receita sem aumentar impostos domésticos.
A declaração de Scott Bessent representa uma mudança significativa na estratégia comercial americana, combinando controle tecnológico, geração de receita e segurança nacional.
O acordo inicial com a China abre um precedente inovador: um governo que recebe participação direta de vendas de produtos estratégicos, criando um modelo que pode ser aplicado em outros setores-chave da economia.
Enquanto o impacto completo ainda será observado, a tendência é que os EUA fortaleçam sua capacidade de monitorar exportações críticas, ao mesmo tempo em que geram receita adicional e mantêm a liderança tecnológica global.
Com informações de Reuters via UOL
