A Receita Federal encaminhou à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado um conjunto de registros que detalham transferências milionárias do Banco Master para escritórios de advocacia e empresas de consultoria ligadas a figuras políticas relevantes do país.
Os dados abrangem operações realizadas entre 2022 e 2025 e somam dezenas de milhões de reais. Segundo as informações divulgadas, os pagamentos ocorreram no contexto de contratos formais de prestação de serviços ao banco.
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Apesar disso, o volume dos valores e o perfil dos beneficiários colocaram as transações sob escrutínio público e político, levantando questionamentos sobre transparência, conflito de interesses e possível uso estratégico de influência.
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Quem são os nomes citados nas transferências
Diversas figuras conhecidas do cenário político e econômico aparecem como ligadas a empresas ou escritórios que receberam valores do Banco Master.
Entre os principais nomes estão:
- Michel Temer
- Antônio Rueda
- ACM Neto
- Marconi Perillo
- Guido Mantega
- Henrique Meirelles
- Ricardo Lewandowski
- Fabio Wajngarten
Além deles, empresas ligadas ao Grupo Massa, da família do governador Ratinho Junior, e à BN Financeira, relacionada à família do senador Jaques Wagner, também aparecem nos registros.
Todos os citados que se manifestaram afirmam que os serviços prestados foram legais, contratados regularmente e com emissão de notas fiscais.
Valores chamam atenção e aumentam pressão por explicações
Os dados enviados à CPI mostram cifras relevantes distribuídas ao longo dos últimos anos. Alguns exemplos:
Consultorias e advocacia
- Henrique Meirelles: cerca de R$ 18,5 milhões (2024–2025)
- Guido Mantega (Pollaris Consultoria): R$ 14 milhões
- Michel Temer (escritório de advocacia): R$ 10 milhões em 2025
- Antônio Rueda (escritórios): R$ 6,4 milhões desde 2023
- Ricardo Lewandowski (advocacia): ao menos R$ 6,1 milhões
Empresas e grupos privados
- Grupo Massa: cerca de R$ 24 milhões no total
- BN Financeira: R$ 12 milhões entre 2022 e 2025
- Marconi Perillo (consultoria): R$ 14,5 milhões
- ACM Neto (empresa): R$ 5,45 milhões
- Fabio Wajngarten (comunicação): R$ 3,8 milhões
Outro ponto de destaque é o pagamento de aproximadamente R$ 80 milhões ao escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, ligado à família do ministro do Supremo Tribunal Federal.
Os valores elevados, embora não sejam ilegais por si só, aumentam a necessidade de transparência e justificativas detalhadas.
O que está sendo investigado pela CPI
Natureza dos contratos
O foco da investigação não é apenas a existência dos pagamentos, mas:
- Se os serviços foram efetivamente prestados
- Se os valores são compatíveis com o mercado
- Se houve uso de influência política para obtenção de contratos
Possível conflito de interesses
A relação entre figuras públicas e empresas privadas levanta dúvidas sobre conflito de interesses, especialmente quando envolve:
- Ex-autoridades com forte influência institucional
- Pessoas próximas a governos em exercício
- Empresas com atuação em setores regulados
Origem e finalidade dos recursos
A CPI também deve analisar:
- A origem dos recursos utilizados pelo banco
- O objetivo estratégico das contratações
- Eventuais vínculos com decisões políticas ou regulatórias
O que dizem os envolvidos
A maioria dos citados afirma que:
- Os contratos são legais
- Houve prestação real de serviços
- As atividades estão em conformidade com a legislação
No caso de advogados, por exemplo, a legislação brasileira permite a atuação privada, desde que respeitadas regras éticas e sem conflito com funções públicas.
Empresas também reforçaram que os contratos foram firmados de forma regular e sem relação com atividades políticas.
O papel da Receita Federal e das CPIs
Atuação da Receita Federal
A Receita Federal tem como função monitorar movimentações financeiras relevantes e identificar possíveis inconsistências fiscais.
O envio de dados à CPI não significa, por si só, irregularidade, mas indica que as operações merecem análise mais aprofundada.
Função das CPIs no Brasil
As Comissões Parlamentares de Inquérito têm poder de investigação semelhante ao de autoridades judiciais, podendo:
- Convocar depoimentos
- Solicitar documentos
- Quebrar sigilos (com autorização)
No entanto, não podem condenar — seu papel é apurar fatos e encaminhar conclusões ao Ministério Público.
Impactos políticos e econômicos do caso
Repercussão no ambiente político
Casos envolvendo grandes valores e figuras públicas costumam gerar:
- Pressão por maior transparência
- Debate sobre regulação de lobby e consultorias
- Repercussão em períodos eleitorais
Efeitos no mercado financeiro
Para o mercado, episódios desse tipo podem impactar:
- Confiança institucional
- Percepção de risco país
- Decisões de investimento
Especialmente quando envolvem bancos e relações com o setor público.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital


