Marcos Barbosa Pinto, secretário de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda de Fernando Haddad, declarou à Folha de São Paulo que é urgente criar uma regulamentação que aplique IOF de 17,5% sobre operações com criptomoedas usadas como câmbio.
Secretário de Haddad propõe IOF de 17,5% sobre cripto em câmbio para reforçar isonomia tributária
Secretário Marcos Barbosa Pinto defende alíquota de IOF de 17,5% para cripto usados em câmbio, buscando regulamentação isonômica entre stablecoins e mais.
Isso aplica-se especialmente a stablecoins, equiparando-as ao tratamento tributário dado às operações financeiras tradicionais. Entenda todos os detalhes a seguir.
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Pessoa-chave e motivação da declaração
Marcos Barbosa Pinto preside as Reformas Econômicas desde o início do mandato Haddad. Economista com carreira em consultorias e organismos internacionais, Pinto é responsável por planos fiscais, tributários e ajustes regulatórios em setores sensíveis, incluindo o financeiro digital.
Em entrevista recente, Pinto sugeriu que a alíquota de 17,5% sobre o IOF deve ser aplicada sempre que criptomoedas forem usadas como instrumento de câmbio — como no envio de stablecoins lastreados em dólar. A ideia é coibir uso irregular e garantir isonomia com operações financeiras equivalentes.
Por que tributar cripto em câmbio?

Stablecoins como USDT e USDC já são utilizadas por empresas para remessas internacionais. Por serem rápidas, diretas e baratas, desafiam o sistema tradicional, criando potencial evasão fiscal ou brechas tributárias não previstas.
Busca por tratamento tributário igualitário
A proposta defende que remessas feitas via cripto sejam tributadas como câmbio comum, evitando distorções. Se stablecoins forem usadas para transferir dólar, o investidor deve pagar o mesmo IOF de 17,5% já aplicado a cartões, câmbio e transferências tradicionais.
Entendendo a alíquota de 17,5%
Comparativo com outras modalidades
| Modalidade | IOF vigente |
|---|---|
| Cartão de crédito internacional | 6,38% |
| Remessa para investimento | 0,38% |
| Dólar turismo | 1,10% |
| Câmbio comercial | variável |
| Sugestão para stablecoins | 17,5% |
A alíquota proposta é superior ao IOF padrão e aproxima-se das margens mais altas, refletindo a ideia de igualar ao câmbio de investimento.
Impactos sobre pessoas e corporações
- Pessoas físicas: custos maiores em transferências via cripto;
- Empresas: operações com stablecoins se tornam mais onerosas;
- Mercado cripto: demanda por serviços domésticos pode cair, impulsionando intermediários internacionais.
Regulamentação e tributação em debate
A uniformização da alíquota
Barbosa Pinto defende alíquota única de 17,5% mesmo em outras aplicações financeiras, visando evitar que pessoas migrem para o uso intensivo de cripto em detrimento dos mecanismos tradicionais.
Essa taxação obrigaria maior controle sobre transações internacionais via cripto, auxiliando o BC e Receita Federal na fiscalização, atribuição de origem de recursos e combate à lavagem de dinheiro.
Consulta pública do Banco Central (BC)
Entre final de 2024 e março/2025, o Banco Central convidou o ecossistema a opinar sobre regulamentação de stablecoins, incluindo regras como auditoria, lastro e permissões.
Proposta de vedar autocustódia de stablecoins
A minuta discutia proibição de enviar stablecoin da corretora para carteira autocustodiada do cliente — medida polêmica que geraria restrição à posse pessoal de cripto, altamente defendida pela comunidade.
O impacto da proibição
Essa medida foi criticada por dificultar a propriedade direta, forçando todos a manter ativos apenas em custodiante centralizado, reduzindo liberdade e aumento de risco de custódia.
Tendência de reversão
Diante de forte reação negativa, há expectativa de que o BC revise ou descarte completamente essa parte polêmica da proposta, mantendo direitos de autocustódia.
Recepção do mercado e desafios regulatórios
Principais exchanges, investidores e entidades como a ABCripto condenaram a proposta da autocustódia, mencionando risco de transferência de risco de custódia centralizada e perda de liberdade individual.
Criptoativos foram criados para oferecer alternativa ao sistema financeiro central controlado. Restrições à autocustódia ferem esse princípio fundante, segundo especialistas do setor.
Antecedentes internacionais
Tributação cripto no mundo
- EUA e Reino Unido: cobram imposto sobre ganhos de capital, não IOF;
- Suíça e Japão: aceitam trading sem IOF, mas aplicam IVA;
- Outros países tratam stablecoins como valor mobiliário ou dívida.
Comparação com Brasil
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O Brasil tem atualmente tratamento diferenciado e simplificado: se vendida por pessoa física abaixo de R$ 35 mil por mês, não há imposto. Aplicar IOF de 17,5% seria atípico globalmente, colocando o país entre mais severos.
Possíveis consequências econômicas
Freio ao uso legítimo
Transferências de valores legítimos (ex: remessas de investimento ou negócios) sofreriam impacto financeiro, reduzindo competitividade do mercado nacional.
Incentivo a soluções offshore
Tributação elevada pode estimular evasão, centralizando operações em jurisdições mais amigáveis à cripto, com perda de controle brasileiro.
Acompanhamento da Receita e BC
Essa medida pressionaria o sistema fiscal e cambial nacional, exigindo upgrades rápidos nos sistemas de rastreio, monitoramento e conformidade.
Próximos passos e cenários futuros
O BC avança na consulta pública, enquanto a Fazenda estuda consolidação na proposta de taxação. O resultado final depende do relatório consolidado enviado ao Congresso.
Estudos técnicos ainda pendentes
É necessária análise sobre:
- Compatibilidade com regras internacionais
- Viabilidade operacional das exchanges
- Risco de evasão (offshore, descentralização)
Prazo provável para aprovação
Uma proposta conjunta entre BC e Fazenda pode ser formulada até meados de 2025, com envio ao Congresso até o final do ano, visando implementação em 2026 após tramitação e regulamentação final.
Considerações finais

A proposta de aplicar IOF de 17,5% sobre operações com criptomoedas para câmbio, lançada pelo secretário Marcos Barbosa Pinto, reforça a tentativa de isonomia tributária entre investimentos tradicionais e financeiros internos via stablecoins.
No entanto, traz debates profundos sobre liberdade financeira, segurança jurídica e alinhamento regulatório internacional.
A pressão contra restrições à autocustódia e o histórico recente da comunidade cripto mostram que o Banco Central terá que equilibrar segurança e inovação. Resta ver se as partes ajustarão a norma para permitir uso legítimo enquanto garantem compliance e integridade no mercado.
