O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a elevar a tensão nas relações comerciais globais ao anunciar uma tarifa adicional de 10% contra qualquer país que se alinhe às políticas do bloco BRICS consideradas “antiamericanas”. A declaração, feita por meio da rede social Truth Social, reafirma a estratégia protecionista e o clima de confronto que marcam a agenda econômica americana, enquanto o grupo BRICS fortalece sua presença no cenário internacional.
Este movimento ocorre em meio ao encontro do bloco econômico no Rio de Janeiro, que contou com a participação dos países membros e uma reafirmação da defesa do multilateralismo e do respeito às instituições internacionais. A ameaça de Trump, no entanto, deixa o campo aberto para negociações tensas, em um momento crucial para a geopolítica global e as disputas comerciais.
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No domingo (6), Donald Trump comunicou via Truth Social que todos os países que apoiarem o BRICS terão de arcar com um imposto adicional de 10% sobre suas importações oriundas dos Estados Unidos. O republicano deixou claro que “não haverá exceções” para essa política, sem detalhar quais seriam as “políticas antiamericanas” que motivariam a aplicação da tarifa.
Além disso, Trump informou que cartas e acordos tarifários serão enviados a partir da segunda-feira (7), com a medida entrando em vigor somente a partir de 1º de agosto. Essa data estende o prazo em três semanas, dando tempo para renegociações bilaterais que possam evitar o aumento das tarifas que já vêm sendo aplicadas desde abril.
Até o momento, apenas Reino Unido e Vietnã fecharam acordos limitados para evitar a sobretaxa. A União Europeia, Japão, Índia, Coreia do Sul e outros países ainda negociam para tentar minimizar os impactos, especialmente em setores como agricultura, tecnologia e aviação.
BRICS no centro da disputa global
O grupo BRICS é formado por 11 países do Sul Global, incluindo grandes economias em desenvolvimento da América Latina, África, Ásia e Oceania. O Brasil assumiu a presidência rotativa do bloco em janeiro de 2025 e, atualmente, os países membros se reúnem no Rio de Janeiro para tratar de pautas políticas, econômicas e de segurança global.
Na “Declaração do Rio de Janeiro”, divulgada no mesmo domingo, o BRICS ressaltou a importância do multilateralismo, do respeito ao direito internacional e da condenação a ações unilaterais que fragilizam a governança global. A declaração faz críticas indiretas a medidas comerciais protecionistas, como o aumento de tarifas e barreiras não tarifárias, que distorcem o comércio e desrespeitam as normas da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Pontos-chave da Declaração do Rio de Janeiro do BRICS
Fortalecimento de instituições multilaterais, como a ONU, para enfrentar desafios globais em conjunto.
Rejeição de ações unilaterais e protecionistas que prejudicam o comércio internacional.
Condenação de ataques recentes que afetam a segurança de países como Irã e Rússia, embora sem apontar diretamente os responsáveis.
Apoio à solução de dois Estados para o conflito Israel-Palestina, defendendo a criação de um Estado palestino com Jerusalém Oriental como capital.
Apelo para o fim da violência em Gaza e proteção dos civis, ressaltando a necessidade de soluções pacíficas e diplomáticas.
Reações dos países do BRICS
Em resposta às ameaças de Trump, os países do BRICS reagiram de forma unificada, defendendo o diálogo e a cooperação internacional sem coerção.
China: O Ministério das Relações Exteriores chinês ressaltou que “o uso de tarifas não serve a ninguém” e se opõe a “tarifas como ferramenta de coerção”.
Rússia: O porta-voz Dmitry Peskov destacou que o BRICS é um grupo com interesses comuns e que sua cooperação “nunca foi nem será contra terceiros”.
África do Sul: Chrispin Phiri, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, afirmou que o BRICS busca um “multilateralismo reformado” para criar uma ordem mundial mais justa e inclusiva.
Contexto das tarifas e negociações comerciais
Imagem: Evan El-Amin/shutterstock.com
A ameaça de Trump ocorre em um momento delicado, quando as tarifas impostas pelos EUA a diversos países estavam prestes a expirar em 9 de julho, após uma suspensão temporária de 90 dias. Esse intervalo buscava dar espaço para renegociações, mas os acordos ainda são incipientes.
As sobretaxas, que variam entre 10% e 50%, afetam especialmente setores sensíveis da economia global, como agricultura, tecnologia, aviação e manufatura. A escalada comercial traz incertezas para mercados internacionais e pode afetar cadeias de produção e comércio que estão interligadas globalmente.
O que está em jogo para o Brasil e o mundo
Para o Brasil, que atualmente preside o BRICS, a postura firme contra barreiras comerciais e a defesa do multilateralismo representam a busca por maior protagonismo nas decisões internacionais. Ao mesmo tempo, o país enfrenta o desafio de equilibrar suas relações com os Estados Unidos, um parceiro econômico tradicional, e os demais membros do bloco, que se articulam para fortalecer a cooperação
Sul-Sul.
A escalada tarifária proposta por Trump pode intensificar tensões políticas e econômicas, estimulando a busca por alternativas de comércio e cooperação fora dos modelos tradicionais liderados pelo Ocidente.
Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.