Após intensas negociações em Londres, um novo capítulo se inicia nas relações entre Estados Unidos e China.
O acordo anunciado pelo ex-presidente Donald Trump promete impactos significativos no setor tecnológico, acadêmico e no comércio global, com foco especial no fornecimento de terras raras e na reabertura das portas das universidades norte-americanas para estudantes chineses.
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Cooperação estratégica: tecnologia e educação no centro do pacto

Em uma publicação feita na rede Truth Social, o ex-presidente Donald Trump confirmou que as delegações norte-americana e chinesa finalizaram as negociações de um acordo bilateral em Londres. O pacto envolve dois pontos centrais: a China se compromete a fornecer ímãs e terras raras aos Estados Unidos, enquanto os EUA permitirão o ingresso de estudantes chineses em suas instituições de ensino superior.
Apesar do anúncio feito pelo líder norte-americano, o texto ainda depende da aprovação final tanto de Trump quanto do presidente chinês, Xi Jinping. Até o momento, autoridades de Pequim não se pronunciaram oficialmente sobre o acordo.
A importância das terras raras no cenário global
As chamadas terras raras, um grupo de 17 elementos químicos, são fundamentais na fabricação de produtos de alta tecnologia. Estão presentes em componentes de smartphones, veículos elétricos, drones, televisores com tela de plasma, dispositivos médicos e militares, além de lentes e discos rígidos.
A China é a maior detentora dessas reservas: concentra cerca de 44 milhões de toneladas das 110 milhões estimadas no planeta. Isso coloca o país em uma posição de destaque estratégico no mercado global, especialmente diante da crescente demanda por tecnologias sustentáveis e dispositivos inteligentes.
Estudantes chineses voltam ao radar das universidades americanas
Outro ponto-chave do acordo envolve a flexibilização de políticas imigratórias para estudantes chineses. Durante seu governo, Trump havia adotado uma postura rígida em relação a estudantes estrangeiros ligados ao Partido Comunista Chinês. Em maio, o então secretário de Estado Marco Rubio chegou a anunciar a intenção de cancelar vistos de forma “agressiva”. Contudo, nenhuma medida prática foi tomada até agora.
Com o novo pacto, os Estados Unidos retomam o fluxo de estudantes chineses — uma medida que favorece não apenas as instituições de ensino, mas também a economia norte-americana, já que estudantes estrangeiros movimentam bilhões em mensalidades e consumo interno.
Tarifas comerciais seguem em pauta
O ex-presidente também comentou sobre o cenário tarifário. Segundo ele, os EUA manterão um conjunto de tarifas que somam 55%, enquanto a China continuará com 10%. “Estamos recebendo um total de 55% de tarifas, a China está recebendo 10%. A relação é excelente!”, publicou Trump, sem entrar em detalhes sobre a composição dessas taxas.
Fontes da Casa Branca explicaram à agência Reuters que a tarifa norte-americana é dividida da seguinte forma: 10% são referentes à chamada “tarifa recíproca”, aplicável inclusive ao Brasil; 20% foram impostas como forma de punição pelo tráfico de fentanil; e os 25% restantes correspondem a taxas implementadas no primeiro mandato de Trump sobre produtos chineses.
Entenda o contexto: do “tarifaço” ao Pacto de Genebra
As tensões comerciais entre EUA e China se intensificaram desde abril, quando Trump anunciou um “tarifaço” sobre dezenas de países, incluindo o Brasil. Na ocasião, a China foi a única a não ter a aplicação das tarifas suspensa por 90 dias. Esse movimento desencadeou uma série de retaliações mútuas entre as duas potências, com aumentos significativos nas tarifas de importação.
Em resposta ao endurecimento das taxas, os dois países abriram negociações que culminaram no chamado Pacto de Genebra, firmado em maio. Pelo acordo, os EUA reduziram suas tarifas sobre produtos chineses de 145% para 30%, enquanto a China diminuiu suas taxas para 10%.
Entretanto, no início de junho, Trump acusou a China de descumprir o pacto. O governo chinês refutou as acusações, alegando que estava cumprindo com os compromissos assumidos, enquanto criticava as ações unilaterais dos Estados Unidos.
Críticas e expectativa de aprovação

Embora o novo acordo represente uma reaproximação entre as duas maiores economias do mundo, ele ainda suscita críticas de setores mais nacionalistas e protecionistas dentro dos EUA. A reabertura para estudantes chineses, por exemplo, pode ser vista como recuo em relação à postura de segurança adotada no passado.
No entanto, especialistas em comércio internacional consideram a medida como um passo importante para a estabilidade econômica global. Ao reduzir tensões e restabelecer laços comerciais e educacionais, EUA e China sinalizam uma tentativa de cooperação pragmática em meio às incertezas geopolíticas.
Com informações de: uol

